A noite estava fria, silenciosa, quase cúmplice do peso que caía sobre os ombros de Renata. As últimas revelações a haviam deixado em frangalhos: uma antiga denúncia arquivada contra seu nome voltava à tona — e tudo indicava que Sr. Salles estava por trás disso. Ela encarava o espelho do banheiro de sua nova casa — aquela casa que deveria simbolizar um recomeço com Leonardo, mas que agora parecia um palco para novas dores. Seus olhos estavam inchados, vermelhos de tanto chorar. Ainda assim, havia um brilho neles. Não era brilho de esperança. Era fúria. No andar de baixo, Leonardo falava ao telefone com seu advogado. Sr. Salles, mais uma vez, movera suas peças com maestria. Ele sabia onde cutucar, onde ferir, onde sangrar. — Não é possível que esse homem continue escapando ileso — disse

