Capítulo 4

1161 Words
Eu percebi que ele estava completamente duro enquanto me beijava com cada vez mais vontade. Aquilo só tornava tudo ainda mais absurdo, porque uma parte de mim continuava tentando lembrar onde eu estava, quem ele era e, principalmente, qual deveria ser a minha função naquele quarto. Mas meu corpo parecia não estar interessado em nenhuma dessas explicações. Daniel continuou me tocando enquanto me beijava, e eu fui me entregando cada vez mais às sensações. Tentei controlar minha respiração, tentei não fazer barulho, tentei lembrar que havia outras pessoas que poderiam entrar naquela casa a qualquer momento, mas nada disso adiantou. Quando alcancei o êxtase nos dedos dele, foi de um jeito que nunca tinha acontecido antes. Meu corpo inteiro se contraiu, minhas pernas ficaram bambas e precisei me apoiar na cama. Afastei minha boca da dele tentando respirar, completamente desnorteada. Olhei para Daniel quase com desespero. Meu rosto estava quente, provavelmente vermelho como um tomate, e eu sabia que deveria parar naquele instante. Só que falei justamente o contrário: — Eu quero sentar em você. A expressão dele mudou imediatamente. — Mas ninguém pode saber — continuei depressa, apreensiva. — Promete para mim que ninguém nunca vai saber. Se você contar para alguém, eu te processo. Eu juro. Daniel abriu aquele sorriso faceiro de quem tinha acabado de conseguir exatamente o que queria. — Eu prometo. — Estou falando sério. — Eu também. Segredo nosso. Ainda hesitei. Olhei novamente para a porta trancada. Depois para ele. Então puxei o lençol e comecei a tirar minha calça. Meu coração parecia bater na garganta. Quando fiquei apenas de camiseta, Daniel me observou dos pés à cabeça. — Tira a roupa. Deixa eu ver você peladinha, vai? — Daniel... — Seja boazinha. Prometo que vou te recompensar. Eu não sabia se queria mandar aquele homem calar a boca ou beijá-lo novamente. Talvez as duas coisas. Acabei tirando a camiseta e depois o sutiã, ficando completamente nua diante dele. Eu ainda estava extremamente excitada pelas carícias anteriores e me preparei para subir na cama. Foi justamente naquele momento que comecei a rir. Não uma risadinha sensual ou provocadora. Uma verdadeira crise de riso nervoso. — Que foi? — ele perguntou. — Olha para você! — O que tem eu? — Você está todo quebrado, Daniel! Eu estou com medo de machucar você. Ele também começou a rir. A situação era realmente ridícula quando eu pensava racionalmente. Uma perna machucada, um braço comprometido, movimentos limitados, e eu ali tentando descobrir como fazer aquela loucura sem mandar meu paciente de volta para o hospital. Daniel ficou um pouco mais sério e olhou nos meus olhos. — Eu confio em você. Você não vai me machucar. Aquela frase me acalmou um pouco. Subi com muito cuidado, prestando atenção principalmente aos ferimentos dele. Mantive os olhos nos seus enquanto me posicionava sobre seu corpo. Segurei sua ereção e a conduzi até mim. Eu estava tão excitada que meu corpo parecia pedir exatamente aquilo, embora o tamanho dele ainda me deixasse apreensiva. Quando comecei a recebê-lo, precisei ir devagar. Ele era muito grande e grosso, e meu corpo ofereceu resistência no começo. Fechei os olhos, respirei profundamente e comecei a me movimentar lentamente, subindo e descendo enquanto me acostumava com a sensação de estar completamente preenchida. — Devagar — murmurei. — Do jeito que você quiser. Mantive o ritmo controlado principalmente porque tinha medo de machucá-lo. A mão livre de Daniel alcançou minha cintura. Depois deslizou pelo meu corpo até meus sei.os enquanto ele me observava com uma expressão que eu não conseguia interpretar completamente. — Nunca imaginei que você fosse desse jeito. Abri os olhos. — Desse jeito como? Ele sorriu. — Assim. — Assim não significa nada. — Saffada. Comecei a rir. — Olha quem fala. Daniel continuou acariciando minha cintura. — Sério. Nunca na minha vida achei que ia viver uma coisa dessas logo com você. Aquilo chamou minha atenção. — Logo comigo? Ele percebeu o que tinha falado, mas não tentou voltar atrás. — É. Com você. — Por quê? — Porque não imaginava, sempre te notei na escola, parecia inalcançável. Ele respirou fundo e continuou me olhando. — E estou adorando. Balancei a cabeça, rindo porque simplesmente não conseguia acreditar. Para mim, aquilo tinha uma explicação muito mais simples. Era carência, necessidade. Daniel estava preso naquela cama, machucado, dependendo dos outros para praticamente tudo e provavelmente sem qualquer i********e havia algum tempo. Aquilo obviamente não significava que existisse algum desejo genuíno por mim. Era oportunidade. Só isso. Ou pelo menos foi nisso que tentei acreditar. Comecei a movimentar meu quadril um pouco mais, ainda tomando cuidado com ele. A sensação foi ficando cada vez mais intensa e, em pouco tempo, percebi que Daniel também estava chegando ao limite. Quando ele goz.ou dentro de mim, senti os espasmos e o calor me preencherem. Parei por alguns segundos. Aquilo foi tão intenso que fiquei completamente imóvel, respirando com dificuldade. Meu baixo ventre estava até dolorido, mas, para meu desespero, uma parte de mim ainda queria mais. Muito mais. E foi justamente essa percepção que me assustou. Saí de cima dele cuidadosamente e senti imediatamente as consequências do que tínhamos acabado de fazer. Olhei para Daniel. Meu coração voltou a acelerar. — Isso não pode acontecer de novo, está ouvindo? Daniel relaxou contra o travesseiro, claramente satisfeito consigo mesmo. Então sorriu. — Poder não pode... Estreitei os olhos. — Daniel. — Mas vai. — Não vai. — Vai, sim. Estou ligado que você gostou. — Você é muito convencido. — E estou errado? Não respondi. Esse foi meu erro. O sorriso dele aumentou. — Agora é melhor você me limpar e se limpar antes que alguém chegue — falou, ainda me olhando com desejo. — Porque, se você for demitida, eu vou entrar em depressão. Peguei minha camiseta do chão. — Para de drama. — Não é drama. Ficar na cama de castigo é fácil. Agora, depois de provar uma b****a deliciosa dessa, ficar sem? Ah, não. Daí isso aí não é aceitável, gata. — Cala a boca! Ele começou a rir. Eu também queria rir, mas estava nervosa demais. Vesti minha camiseta rapidamente e procurei minha calça enquanto tentava organizar os próprios pensamentos. O quarto ainda parecia o mesmo. A cama era a mesma. Os medicamentos continuavam sobre a mesa. Meu bloquinho estava exatamente onde eu tinha deixado. Do lado de fora daquela porta, ninguém fazia ideia de que alguma coisa tinha mudado. Mas eu sabia. Olhei para Daniel novamente e encontrei aquele sorriso satisfeito. — Para de olhar para mim desse jeito. — Que jeito? — Como se isso fosse acontecer novamente. — Não estou olhando assim. — Está, sim. Ele mordeu o lábio. — Estou olhando como quem sabe que vai acontecer novamente. Revirei os olhos e virei de costas. O pior não era a confiança absurda dele. O pior era aquela voz inconveniente dentro da minha cabeça dizendo que com certeza Daniel estivesse certo.
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