Por Antônio Rocha
Brasília, 06 de Janeiro de 2016 - 12:45
— Prepare a equipe, porque nós vamos entrar no apartamento! — dou a ordem para Saulo, meu braço direito.
Quando Beatriz procurou a delegacia dizendo que alguns bandidos tentaram suborná-la para que ela entregasse o Deputado Juarez, achamos que era uma brincadeira de ma-u gosto, um trote. Mas aqui estamos.
Já pegamos o motorista da van, e nem precisamos pressioná-lo muito para que entregasse os dois comparsas, Kléber e Francisco. Pode apostar que eles vão pagar caro por me fazer passar a noite em claro.
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Kleber Trevisan
— Kléber! Acho melhor a gente se entregar. Não para de chegar viatura! — Francisco olha pela janela, assustado.
— Chega de esperar as ordens do Khalid. Vamos avisar ao delegado que estamos com a filha dele. Mete a cara pra fora, Francisco, e pede pra falar com o Delegado Rocha! — falei nervoso, a adrenalina pulsando em casa célula do meu corpo.
Francisco pega uma camiseta, enrola e coloca, cobrindo parte do rosto. Ele abre a janela e grita:
— QUERO FALAR COM O DELEGADO ROCHA!
O policial com o megafone responde:
— KLÉBER TREVISAN E FRANCISCO SILVA, SE ENTREGUEM! VOCÊS ESTÃO CERCADOS! LIBERTEM OS REFÉNS!
— Dro-ga! — xinguei, inconformado, já tinha os nossos nomes e tudo.
Francisco arrasta o deputado até a janela, coloca a arma na cabeça dele e grita:
— EU VOU MATAR O DEPUTADO! ME DEIXEM FALAR COM O DELEGADO ROCHA!
Por Antônio Rocha
— Sr. Rocha, o homem quer falar com você — o policial com o megafone vem me avisar.
— Vai enrolando ele para que fique exposto na janela. Avise ao atirador para mantê-lo na mira — respondo.
— Mas, Sr. Rocha, se atirarmos nele, o outro pode matar o deputado...
— Faça o que estou mandando! — digo, começando a perder a paciência. Odeio que questionem minhas ordens.
— Sim, senhor! — o policial responde e sai, visivelmente preocupado.
Chamo minha equipe e aviso:
— Vamos subir! Saulo, você fica com o atirador. Quando eu der a ordem, faça o trabalho!
Gosto do Saulo porque ele compreende minha linha de raciocínio. Não adianta poupar o bandido para salvar uma vítima, se ele pode escapar e matar muitas outras pessoas. Às vezes, um inocente precisa ser sacrificado para que um criminoso seja retirado das ruas.
Kléber Trevisan tem uma longa ficha criminal. É suspeito de envolvimento com facções internacionais, carrega vários homicídios nas costas e é parte de uma organização que põe mais de cem toneladas de cocaína por ano no país. Sem dúvida, é um homem muito perigoso, mas eu o colocarei atrás das grades.
Estamos no andar do apartamento de Beatriz. Falo com Saulo pelo telefone, ele confirma que o homem está na mira, e dou a ordem:
— Agora!
Um estampido alto ecoa, Francisco acaba de ser morto.
— p***a! — Ouço Kléber gritar de dentro do apartamento — VOCÊS VÃO MORRER, SEUS DESGRAÇADOS!
Outro estouro soa, e a porta do apartamento é arrombada. Kléber segura a arma com as duas mãos.
— SE ENTRAR AQUI, MORRE! — Ele agarra o segurança do prédio e o arrasta para perto da porta. — É GUERRA QUE VOCÊS QUEREM? ENTÃO TOMEM! — Ele grita e atira no segurança, acertando no peito.
O silêncio que se segue é quase fúnebre, ouvem-se apenas os gritos de desespero do deputado e do porteiro.
— Alguém avisa ao Delegado Antônio Rocha que a filha dele, Anne Rocha, está com os meus homens em um lugar distante daqui. Se algo acontecer comigo, ela morre! — Kléber fala ameaçadoramente.
— PEGUEM ESSE FILHO DA PU-TA! — ordeno aos meus homens, pegando meu celular.
Algumas ligações perdidas e uma mensagem de Anne aparecem na tela.
— INFERNO!!! — Minha filha, minha menina. Agacho no chão, e lágrimas insistem em querer rolar pelo meu rosto.
Meus homens lançam uma bomba de gás lacrimogêneo, e, em poucos instantes, capturam Kléber Trevisan. Minha vontade é matá-lo com as próprias mãos, mas antes preciso salvar minha filha.
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Por Khalid Shall
— Sr. Shall, ligue a televisão... Kléber foi preso! — Alexandre me informa pelo celular.
— Alexandre, venha para cá. Estou precisando de você aqui! — ordeno, desligando em seguida.
Se Kléber foi preso, é preciso agir rápido. Aquele fraco não vai demorar para entregar minha localização.
— Filipe, coloque a venda e a algema na moça novamente. Eu vou entrar no quarto — digo. O mundo pode estar desabando, mas tudo o que eu quero é ver aquele rostinho angelical.
Ao entrar no quarto, vejo Anne encolhida na cama. O tempo esquentou bastante, e ela está apenas com uma camiseta e uma calça de moletom. Preciso lembrar de pegar algumas roupas para ela.
— Está bem, senhorita Anne? — Pergunta descabida para a situação, mas gostaria realmente que ela estivesse bem.
— Sim — ela responde.
Sua voz é miúda, doce, e eu me perco admirando sua beleza. Fico em silêncio por um longo tempo, até que ela pergunta:
— Está aí?
— Sim. Precisa de algo? — respondo.
— Tire a venda dos meus olhos. É horrível ficar algemada, mas pior ainda é não enxergar — ela fala, calma.
Menina atrevida! Mesmo nessa situação, consegue me provocar facilmente.
— Senhorita, quando perdemos um dos sentidos, despertamos o sexto. Que tal aproveitar para aguçar o seu sexto sentido?
Passo os dedos levemente pelo braço dela, deslizando até o punho, onde a algema aperta. Sua respiração acelera.
— Dói? — pergunto, referindo-me à algema.
— Não... Quero dizer, não compreendo... — ela responde, pensativa.
Meu celular toca. É o mesmo número que Kléber usou mais cedo. Desligo imediatamente.
— Senhorita Anne, vou deixá-la sozinha por enquanto — falo, observando o contorno de seus s***s sob a camiseta.
Praguejo mentalmente ao perceber que ela não está usando sutiã. Irritado, saio do quarto.
— Filipe, vá à cidade e compre roupas para a moça. Traga camisetas, calças, meias, calcinhas... e sutiãs! Não esqueça do sutiã!
Filipe sorri, mas ao ver meu semblante sério, apressa-se para cumprir a ordem.