Colégio para moças

1409 Words
Por Anne Rocha Brasília, 2015 Olá, me chamo Anne, assim mesmo, com dois "n". Assim porque meus pais quiseram e pronto! Minha mãe faleceu quando eu era bebê; de uma hora para outra ficou acamada e partiu. Meu pai nunca se casou de novo, mas acredito que tenha uma namorada. O fato é que ele nunca me apresentou ninguém. Meu pai se chama Antônio Rocha. Ele é delegado e controlador ao extremo. Faz de tudo para que eu não me relacione com nenhum garoto, sempre dizendo que ainda sou muito nova para perceber o perigo. Dá para acreditar que, com 17 anos, eu só beijei dois garotos? Um foi meu primo, que hoje em dia foge de mim como o dia-bo da cruz, porque meu pai deu um soco nele quando descobriu. O outro era nosso vizinho aqui do condomínio, o Hélio Júnior, que é alguns anos mais velho do que eu. Os pais dele têm uma rede de restaurantes. Era um dia de semana qualquer, e eu havia acabado de chegar do colégio para moças. Sim, isso ainda existe, infelizmente. Um colégio somente para meninas, onde estudo desde o primário. Estou no último ano, graças a Deus! Mas voltando ao assunto, assim que cheguei do colégio, lá estava o Hélio, na calçada da casa dele, me olhando. Já fazia alguns dias que ele me observava chegar da escola. Ele é muito lindo, desses garotos que cuidam do corpo, super sarado. Às vezes aparecia sem camisa, e eu registrava detalhe por detalhe daquele corpo perfeito. Corri para o chuveiro e tomei um banho bem rápido, só para me refrescar. Mas que calor maldito, ou será que só eu estava pegando fogo? Coloquei um shortinho, desses que mostram a polpa da bun-da, e que meu pai dizia que, se me pegasse usando aquilo fora do meu quarto, deixaria uma marca tão grande na minha bun-da que eu precisaria de muito pano para cobri-la. Acariciei minha bun-da só de imaginar. Quem conhece a força daquela mão pesada pensaria duas vezes antes de desafiá-lo. Vesti uma blusinha rosa fininha e passei meu perfume favorito, um pouco adocicado com um toque floral. Espirrei um pouco no pescoço e mais um pouco pelo corpo todo. — Hmmm, acho que assim está bom — falei para mim mesma. Fui para a varanda com um livro na mão, mas fiquei de olho mesmo na casa da frente. Não demorou muito, e ele apareceu do jeito que eu gosto: sem camisa. Ora, ora, não sou a única com calor... Ele me observava e eu fingi não notar, depois de um tempo, olhei descaradamente e dei um sorrisinho. Ele acenou com a mão, parecia meio agitado. Virou de costas, e era óbvio que o que estava lhe incomodando estava dentro da bermuda. Ele voltou o olhar para mim e me chamou: — Anne, desce aqui... Eu sacudi a cabeça em negativa e ele ficou confuso. Eu tentei ficar séria e respondi: — Vem tomar um suco comigo — o convidei. — Sério? — ele perguntou. Ele entrou na minha casa meio desconfiado. Eu o chamei para a área da piscina e pedi que se sentasse enquanto fui buscar algo para bebermos. Quando voltei, ele já estava mais relaxado. Coloquei os copos numa mesinha, junto com a jarra de suco. Ele levantou bruscamente e me puxou para o seu peito, segurando meu cabelo com uma das mãos e com a outra na minha cintura. Ele me direcionou até a parede mais próxima e se esfregou em mim. Eu me senti corar. Ele passou a língua no meu pescoço. — Safado — resmunguei. O Hélio me beijou, com a sua língua invadindo minha boca de forma severa. Puxou mais o meu cabelo para baixo, de forma que fiquei com a cabeça inclinada para trás. Passou a língua na minha orelha e sussurrou coisas safadas no meu ouvido. Enquanto ele falava, eu ia imaginando cena por cena do que ele dizia. Mas chegou um momento em que comecei a me sentir incomodada com as coisas que ele dizia que pretendia fazer comigo, e tentei me desvencilhar dos seus braços. Ele facilmente me imobilizou com o seu corpo, me apertando contra a parede. Eu suspirei ofegante. — Mas, o que foi, gata? Você tava tão no clima... — ele falou indignado. — Eu não quero fazer amor com você! — Me afastei, peguei o meu suco e bebi um pouco, tentando me acalmar. — Poxa, gata, você não pode me deixar assim! — ele apontou para a bermuda. — Grande... — eu o analisei e nem percebi que o fiz em voz alta. — Todo seu — ele tirou o p*u para fora. — Pode guardar isso — falei revoltada. — Só um beijinho. Ele tá assim por sua causa! — ele pediu e deu um passo em minha direção. — Vem, gata, só um beijo... Comecei a ficar irritada pra valer. — SAIA JÁ DA MINHA CASA, HÉLIO JÚNIOR! — gritei. Virei de costas para beber mais um gole do meu suco de laranja. Ele me agarrou por trás, me fazendo derrubar o copo. — Porraa, Hélio, olha o que você fez... Ele riu e rasgou minha blusa com fúria, me expondo da cintura para cima. — Eu sei o que você quer... — ele falou, rindo e me apertando de forma dolorosa. Eu soltei um grito. Ele riu. — Delícia, adoro esse seu gritinho de prazer! Ele me arrastou pela casa enquanto eu gritava pela Selma, a governanta. Já não me importava que meu pai descobrisse o que eu fiz, desde que este monstro me soltasse. Ele me jogou no sofá e se pôs em cima de mim. Ele tentava arrancar o meu short de todo jeito. Eu comecei a soluçar. Sempre soluço quando estou assustada. Não são soluços de mocinha delicada; é horrível, meu corpo se sacode todo. Ele ainda tentava arrancar meu short quando, de repente, ouvi o barulho de uma porta batendo e uma voz de trovão dominou o ambiente: — SAIA DE PERTO DA MINHA FILHA! — Saí — ouvi a voz assustada do Hélio responder. Meu pai estava com a arma apontada para ele. — Sua filha que me convidou para entrar, estávamos só... — ele não encontrou palavras para definir a selvageria que estava fazendo comigo. — Verdade isso, Anne? Sua resposta decide se ele vive ou morre! Droga, pai, não precisa matar o garoto, pensei comigo. — Verdade — respondi com a voz fraca, sentindo meu rosto corar até o último fio de cabelo. — Suba para o seu quarto! — meu pai tira a camisa e me entrega. — Vista-se! Subo para o meu quarto com dificuldade; minhas pernas parecem gelatina. Do meu quarto, posso ouvir gritos, socos e pontapés. Me encolho na cama, assustada. Tento tapar os ouvidos, mas é em vão... A noite vai se aproximando, e eu acabo adormecendo. Por volta das onze e meia da noite, ouço meu pai entrar no quarto. Está arrumado e perfumado; com certeza vai sair. — Anne, tudo o que eu faço é para te proteger. Se te coloquei em uma escola apenas para meninas, é porque é o melhor para você. Eu só quero o seu bem. Os homens são uns animais... — ele suspira pesadamente. — O senhor é? — dou um sorrisinho cínico. — Eu sou o quê, Anne? — ele fala, pensativo. — Um animal? — respondo, atrevida. — Eu sou diferente, mas a maioria são uns animais! E até que você compreenda bem as coisas, deve ficar longe deles! Agora me responda, Anne, o que adianta eu afastar os garotos de você, se você mesma os põe dentro da nossa casa? Droga, mil vezes droga. A conversa está seguindo para um caminho muito perigoso. — Responda, Anne!!! Ele fala, e o semblante antes tranquilo se endurece. — Nada — respondo, olhando para baixo. — Ou seja, não basta eu te proteger dos outros. Tenho que ensiná-la a se proteger de si mesma, para que não se ponha em situação de risco outra vez. Maldita forma de ensinar, praguejo mentalmente. E a anjinha que habita em mim resmunga um "eu avisei". Droga, eu devia ter posto uma calça. Este short não cobre nem metade da minha b***a. Por que não previ o resultado dessa confusão toda antes? Sou uma burra. Ele saiu do quarto resmungando o velho sermão: "Dói mais em mim do que em você". Eu sinceramente duvido!
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