Capítulo 1
— Dá para você me erguer mais alto, seu animal?! — resmunguei para meu melhor amigo que abraçava as minhas pernas tentando me levantar, mas eu sentia seus braços tremerem mais do que maria mole.
— Estou tentando, mas você não colabora! Ele vai te dispensar assim que descobrir o quanto você pesa. — Caleb falou ofegante fazendo impulso com os braços para me erguer mais.
Era só o que me faltava, chamar logo o amigo sedentário para me ajudar nessa missão... Espera, isso é uma missão? Causa? Protesto? Investigação?
Bom, eu não sei ao certo como devemos chamar isso que eu estou fazendo, eu só sei que estava tentando invadir o quarto do meu namorado sem ele me ver porque meus amigos tinham quase certeza que ele estaria me traindo esta noite, o que eu acho que é um absurdo! Mas isso não me impede de estar aqui pendurada na grade da janela dele me obrigando a ter uma prova.
Eu precisava ao menos provar para meus amigos que eles estavam errados e que Nate me ama e jamais iria me trair! Em partes eu estou até me sentindo culpada por estar fazendo isso, eu não tinha dúvidas de que ele era fiel a mim, isso era mais para provar algo para meus amigos do que para provar algo para mim mesma.
— Cala a boca, e me ergue mais! — resmunguei tentando alcançar a tranca da janela — Isso é tudo culpa sua também, porque foi você que começou com essa implicância com meu namorado!
— Gata, se você não reparou, você escolheu o amigo errado para isso e outra, seu namorado é um babaca! Eu só quero que você descubra isso por si só, já que não acredita em mim.
— Shiu. — Resmunguei quando consegui destrancar a janela e fiz pressão para entrar na casa pisando na cabeça do Caleb no processo. Quase me matei para entrar, mas consegui não fazer tanto barulho — Me espera aqui.
Coloquei a cabeça para fora da janela para encontrar meu amigo acariciando o coro cabeludo me olhando com raiva, é acho que pisei forte demais nele, mas ele meio que mereceu por chamar meu namorado de babaca.
— Te odeio.
Revirei os olhos para o drama dele e logo voltei minha atenção para o quarto notando que ele estava vazio. E meus amigos jurando que ele seria capaz de me trair, mereço.
Eu o Nate estamos juntos vai fazer maravilhosos seis meses daqui alguns dias, e estava tudo incrível entre nós! Não havia o que reclamar, Nate era carinhoso, gentil, prestativo, não havia nada de errado no nosso convívio..., mas como nem tudo é perfeito, fazia algumas semanas que meus amigos começaram a vir com umas conversas estranhas para perto de mim.
Caleb e Drake juram de pé junto que ouviram uma das garotas da aula de dança deles falar que está saindo com o Nate, sendo que ele está comigo e existe outros Nate’s naquela universidade, não apenas o meu namorado.
Mas eles tinham certeza de que ela falava sempre do meu namorado, então hoje eles ouviram que ele ia fazer um jantar romântico para ela na casa dele e cá estou eu... Perseguindo meu namorado na própria casa dele, isso não é certo! Eu confio nele, não deveria estar investigando algo que é impossível de acontecer.
O Nate me ama! Ele jamais iria me trair!
Eu havia mandado mensagem para ele há algumas horas e ele me disse que iria passar o final de semana na casa de uma tia que estava doente, então falei para ele que iria para casa do meu pai em outra cidade, mas ao invés disso estou aqui.
Isso me torna uma namorada r**m? Uma namorada insegura? Ele vai me odiar quando descobrir isso? Espero que não, eu gosto do que nós temos e não quero estragar isso por ser uma i****a Maria vai com as outras, que acredita em tudo que os outros falam.
Sai do quarto dele em passos lentos e foi quando ouvi barulhos vindo da sala no andar de baixo que travei no corredor, c*****o, será que a bruxa da mãe dele está em casa? Meu Deus, ela não pode me ver! Desci as escadas devagar e travei no meio delas quando meu olhar caiu sobre os dois indivíduos deitados no tapete da sala... Não... Impossível! Ele não está mesmo fazendo isso?! Não! Não inferno, não!
Nate estava deitado no chão sobre o tapete enquanto uma garota de cabelos curtos quicava em seu colo, quicava em seu colo, ESSE FILHO DA p**a ESTÁ MESMO ME TRAINDO!
Dei um passo para trás sentindo minhas mãos tremerem, pisquei várias vezes tentando entender se aquilo realmente estava acontecendo ou o meu subconsciente estava tentando ferrar comigo. Mas não! Era real, aquele era mesmo o meu namorado! O namorado que eu defendi com unhas e dentes que não estaria me traindo e olha nossa situação agora.
Céus, o que eu faço? Mato ele? Mato ela? Me mato? Céus! O QUE EU FAÇO?
(...)
— É porque meus p****s são pequenos. — falei limpando o ranho do meu nariz com a manga da blusa mesmo e o Caleb fez uma careta de nojo encarando meu braço — É porque quando eu estou deitada eu pareço um menino.
Eu sou tão covarde que quando vi a cena do meu namorado transando com outra garota, eu simplesmente voltei para o quarto dele e pulei a janela sem ao menos pensar, caindo com tudo em cima do Caleb.
E acho que o barulho da queda chamou a atenção dos dois já que eu vi as luzes da casa sendo acessas então eu e o Caleb saímos correndo de lá e paramos em uma pracinha perto da casa do Nate.
Agora eu estava sentada em um dos balanços chorando enquanto o Caleb estava sentado em um outro ao meu lado me olhando preocupado. Eu não deveria ter sido covarde! Deveria ter arrancado ela de cima dele e falado poucas e boas para o Nate, mas eu simplesmente travei como um coelhinho assustado.
— Ele não te traiu porque seu peito é pequeno, ele te traiu porque ele é um escroto. — Caleb resmungou e puxou um guardanapo do bolso e me alcançou — Sem contar que a sua b***a da de mil a zero nela. Quem liga para s***s?
Encarei o guardanapo com estranheza me perguntando por que caralhos ele tinha um daqueles no bolso. Já ouvi em falar de guardar lenços..., Mas guardar guardanapos? Essa é a primeira vez.
— Mas ele estava com a Suzy! A Suzy! Você viu os melões que ela tem? — resmunguei voltando a chorar ao me lembrar da cena dos dois naquele tapete.
Comigo ele era sempre tradicional, só faziam amor na cama, nesses meses juntos, nunca saímos da rotina e com aquela vaca ele fez sexo até no chão! Será que foi por que eles já usaram todo canto da casa que podiam usar?! Ahhhh! Que ódio!
— Você acha mesmo que eu fico reparando no peito de mulher? Eu sou um homem respeitoso.
— Você é um homem que morde a fronha e não admite. — revirei os olhos com tédio. Por mais que eu saiba que o Caleb fique tanto com homem quanto com mulher, eu jamais perdia a oportunidade de zoar ele.
Perco o amigo mas não perco a piada... Na verdade ganho até um chifre.
Ao me lembrar disso, voltei a chorar enquanto levava as mãos até o topo da cabeça. Corna! Corna! Corna! Será que é por que eu sou careta demais? Mas a culpa não é necessariamente só minha! Ele que nunca quis experimentar coisas novas, para ele, estava bom daquele jeito... Ou ao menos ele fingiu que estava. Nate nunca demonstrou que queria fazer algo diferente comigo, eu achava ele até careta demais no quesito “cama”, porém nunca tive coragem de falar sobre isso com ele.
Agora me pergunto se o problema esteve sempre em mim.
— Fica quieta, mula. — Caleb tentou me acalmar se levantando do balanço e se agachando na minha frente deixando um carinho nos meus braços — Não chora por esse maldito!
— Fica quieto tu, jumento. – falei ente soluços e o Caleb me puxou para o abraçar e eu chorei ainda mais em seus braços — Eu amo aquele maldito, como ele pôde fazer isso comigo?
Será que eu nunca signifiquei nada para ele? Será que a Suzy foi a primeira? Ou ele já havia me traído com outras garotas antes? Por que? O que há de errado comigo?
— E se a gente se vingasse dele? – Caleb perguntou acariciando minha cabeça e eu fiz uma careta.
— Não sei, acho isso tão vibe quinta série. — falei entre soluços — Eu não seria imatura por fazer isso? Eu já passei dos 21 anos, Caleb! Não sou e nem sei ser uma menina vingativa. Não vou fazer isso! Não vou me vingar do Nate.
— Os p****s da Suzy dão o dobro do seu. – ele sussurrou e eu senti meu sangue começar a ferver ao me lembrar da cena dos dois transando.
— Vamos nos vingar desse babaca de merda!
(...)
— E se a gente colocasse fog...
— Se você falar fogo, eu vou matar você! – interrompi o Caleb me virando séria para ele e ele pareceu lembrar de algo e tampou a boca com as mãos.
— Ih, foi m*l, eu esqueci. – fez uma careta e eu voltei minha atenção para o carro preto na nossa frente tentando não olhar para a cicatriz de queimadura na minha mão, o carro que eu sei que é como um filho para meu namorado, se antes eu tinha dúvidas, agora eu tenho certeza que ele ama mais esse carro do que um dia me amou, se é que amou.
— Eu vou no clássico mesmo. – resmunguei balançando o pedaço de madeira nas minhas mãos e apontei para o outro lado do estacionamento — Fica de olheiro, se a polícia chegar me dá um sinal.
Estávamos no estacionamento do condomínio do Nate, não havia nenhum guardinha ali por perto então criei um plano rápido. Eu estava usando um conjunto de moletom do Nate, escondendo meu cabelo e rosto com o capuz. Meu plano era apenas quebrar o que eu conseguir do carro dele sem deixar que a câmera pegasse meu rosto e depois fugiria dali com o Caleb.
Obviamente ele iria me reconhecer pelo seu conjunto, mas no momento eu estava pouco me lixando para isso. Eu só queria que ele sentisse a mesma dor que me causou.
— O que? Mas e a emoção? Eu sempre quis quebrar um carro! – Caleb exclamou me olhando indignado — Estou me sentindo a Chun—Li na fase bônus de Street Fighter pronta para quebrar esse carro.
Dito isso ele ergueu a perna e começou a chutar o ar enquanto soltava uns sons de luta.
Ah não! Esse jumento não vai estragar meu momento de vingança! É a minha vingança! Meu momento! Meu chifre! Merda, eu realmente não precisava lembrar dessa última parte. Odeio minha vida de corna!
— Quebra o seu.
— Quebrar que carro, sua mula, se a gente é tão pobre que nem dinheiro para o Uber a gente tem? Ou esqueceu que o nosso veículo de fuga é a bicicleta antiga do seu irmão?
— p***a, esqueci disso. – resmunguei escorando o pedaço de madeira no chão. Esse troço é pesado demais! — Por mais que eu adoraria compartilhar esse momento de vandalismo com você, é a minha vingança.
— Ok, você tem razão! Quebra o carro do babaca! Eu fico de guarda! – Caleb resmungou se rendendo e deu alguns passos para trás me deixando ter meu momento.
— Você vai me pagar, Nate. – falei me virando para seu carro o olhando com ódio — Me pagar bem caro.
Eu estava com ele no dia que ele comprou esse carro então sei o quanto ele é importante para ele. Se isso é uma atitude infantil? Com certeza! Se eu corro o risco de ser cancelada pela geração t****k por fazer isso? E o f**a-se?
Nate havia me machucado demais e merecia também sentir alguma dor. Como ele pode ter feito isso comigo? Conosco? Eu o odeio a partir de hoje!
— Ele quebra meu coração e eu quebro a p***a do carro dele! — reclamei logo antes de bater com a madeira em uma das janelas do carro fazendo um barulho alto no processo.
Sorri encarando o resultado e me preparei para bater no capô quando uma voz rouca e alterada me parou.
— QUEM É VOCÊ E POR QUE ESTÁ QUEBRANDO MEU CARRO? – ouvi alguém gritar e me virei assustada, mas fiquei confusa quando ao invés de ver o Nate ali, eu encontrei Finnick Miller me olhando tão indignado quanto eu.
Seu carro?
— SINAL! SINAL! — Caleb começou a gritar balançando os braços no ar.
SÓ AGORA ESSE JUMENTO ME DÁ O SINAL?