Capítulo 3

4034 Words
— Como foi sua noite? — Caleb perguntou se sentando ao meu lado em um dos bancos que havia pelo pátio da universidade. Eu estava sentada ali há pelos menos uns 15 minutos, criando coragem para ir para a primeira aula. Minha noite havia sido horrível, eu sinceramente não sei se vou conseguir me concentrar em algo hoje. Ontem a noite eu chorei tanto que quando acordei essa manhã, parecia que eu tinha levado um soco nos dois olhos, o que só me dava mais raiva ainda, além de ser corna, eu ainda preciso enfrentar a humilhação de estar no "fosso pós término" mas eu não conseguia controlar, eu estava tão triste e zangada com tudo que havia acontecido que nem pentear o meu cabelo eu havia penteado hoje. O que não foi uma boa ideia levando em conta que meu cabelo é ondulado. E aí que vemos o quão no fundo do poço eu cheguei, eu sempre fui muito vaidosa quando o assunto é o meu cabelo, só a ideia de sair com ele bagunçado já me incomodava e hoje, eu estava tão sem ânimo que ao menos havia me olhando direito no espelho... Que merda havia acontecido comigo?! — Como você acha que foi? — perguntei irônica passando a manga do moletom pelo meu nariz depois de dar uma fungada. Merda, eu estava realmente deplorável. Nate havia ferrado com tudo! Eu ainda não consigo acreditar que ele me traiu e por que? O que eu havia feito de errado? Faltou algo em mim? Eu não consigo entender, o que levou ele a me trair? E por que eu me sinto culpada sendo que obviamente a culpa disso não é minha? Eu estou me sentindo tão inferior, tão baixa, e olha que foi ele que fez a merda toda! Ele que me traiu! Ele que mentiu para mim! Mas de uma forma estranha que eu não entendo o porquê... Eu estava me sentindo culpada. Isso não faz bem sentido! Eu não havia tido coragem para falar com ele ainda, Nate não fazia ideia de que eu havia descoberto sobre a traição, ele tinha até me mandado uma mensagem perguntando se eu queria almoçar fora do campus hoje, como se nada tivesse acontecido. O que quase me fez arremessar meu celular pela janela, babaca i****a! Covarde! Mentiroso! Nossa, que ódio que eu estou dele! Não sei se ainda estou pronta para encarar ele ainda, preciso de mais tempo, muito mais tempo, ainda não digeri tudo corretamente. — Acho que você deveria passar um corretivo. — Caleb sorriu fraco tentando amenizar o clima "depressão na pista" e tirou do seu bolso um frasco de corretivo e eu encarei aquilo com as sobrancelhas franzidas. Lenços, corretivos, o que mais aquele garoto tinha no bolso? E por que ele andava com essas coisas como se isso fosse normal? Ok, definitivamente o meu melhor amigo era um cara excêntrico, sem contar que o nosso tom de pele não era o mesmo, se eu usasse aquele corretivo para tentar amenizar minhas olheiras, iria ficar muito estranho. Preciso mergulhar minha cabeça no gelo, quem sabe assim não congelo meu cérebro também para não pensar mais no que eu vi ontem. — Não precisa, obrigada. — Eu tenho que ir para a minha aula, quando você precisa encontrar o Finnick mesmo? — Caleb perguntou guardando o corretivo de volta no bolso mágico e eu fiz uma careta para a sua pergunta. Merda! Eu tinha esquecido disso! Fiquei tão envolvida nos meus pensamentos de ódio para o Nate que esqueci que no momento havia alguém me odiando também. Min Finnick... O que eu sabia sobre ele? Nada! Absolutamente nada! Somente que ele jogava no time de basquete da universidade, não sabia qual era o curso dele aqui e talvez ontem tenha sido a primeira vez que havíamos conversado. Ele sempre pareceu mais fechado e até mesmo meio rabugento, nunca vi ele interagindo com os meninos do time ou até mesmo participando das festas de comemorações... Ele era esquisito. Mas eu precisava conversar com ele, tentar me desculpar por ter quebrado seu carro e implorar para ele não me denunciar para polícia. Só de pensar no dinheiro que vou gastar no concerto, já fico triste. Tudo culpa daquele maldito do Nate! Que ódio! Que ódio! — No primeiro intervalo, atrás do ginásio. — resmunguei me levantando do banco junto com o Caleb. Eu precisava ir para aula, mesmo sabendo que tudo que eu ouviria hoje iria entrar por um ouvido e sair por outro. Sorte minha é que o curso de artes visuais do Nate era quase que do outro lado do campus, então não havia risco da gente esbarrar um no outro nesse primeiro horário. Eu não saberia nem o que fazer se visse ele. Eu choraria? Gritaria? Jogaria uma pedra na cabeça dele? Sinceramente, eu não sei e nem quero saber, prefiro evitar. — No covil dos sêmen? — Caleb perguntou com uma careta e eu concordei fingindo uma ânsia de vômito. — Sim, que nojo, de tantos lugares nessa faculdade, eu não sei porque aquele i****a quer me encontrar logo lá. — E se ele quiser que você pague com sexo? Parei de caminhar na hora e me virei séria para o meu melhor amigo. — O que?! — É, tipo, se ele disser que não vai te denunciar se você t*****r com ele, você transaria? — Caleb perguntou com tanta naturalidade que eu apenas continuei o olhando abismada. Ele perguntou aquilo como se estivesse me perguntando qual era a minha cor favorita, com uma tranquilidade invejável, será que era tão comum assim as pessoas fazerem trocas por sexo? Bom, se é comum eu não sei, mas eu jamais faria isso! Eu não vou t*****r com Min Finnick só para não ter que pagar o concerto do vidro, nem ferrando! — Mas é claro que não Park Caleb! Eu jamais transaria com aquele rabugento! Ainda mais para "pagar uma dívida". — cruzei os braços me sentindo irritada com aquela pergunta dele. Eu? t*****r com um cara que eu nem conheço para quitar uma dívida? Ele está achando que isso é uma série teen americana por acaso?! — Quero só ver. — Caleb debochou e eu o olhei ainda mais irritada o que fez ele comprimir os lábios para esconder um sorriso. — Você vai ver um soco na sua cara isso sim! — Esquentadinha, esquentadinha. — ele cantarolou me balançando pelos ombros enquanto me empurrava para eu começar a caminhar — Até depois, não esquece de usar camisinha. Virei para trás pronta para dar um soco naquele i****a loiro mas ele foi mais rápido e saiu correndo de mim enquanto ria. i*****l! Eu não vou t*****r com Min Finnick! Isso eu tenho certeza! (...) Fiz uma careta enquanto me aproximava do covil dos sêmen depois de olhar em volta e me certificar de que ninguém havia me visto vindo até aqui. Deus me dibre de ficar com fama de universitária que fode no covil. Covil dos sêmen era um vestiário abandonado que havia atrás do ginásio principal da universidade, muitas pessoas iam ali só para trepar, já que havia bastante cabines ali e como era abandonado, nenhum professor ia até lá, somente alunos. Me arrepio só de imaginar o quão nojento esse lugar é e a quantidade absurda de camisinha que deve ter jogadas por lá. Ainda estou tentando entender porque o Finnick quis me encontrar logo ali, se o Caleb tiver razão e ele só estiver aqui para tentar se dar bem comigo, usando o incidente do seu carro como uma desculpa, eu vou fazer questão de castrar ele. E só de pensar nele, o encarei séria quando notei que ele me esperava escorado na parede do ginásio, nem quis olhar para o vestiário que tinha a porta quebrada, certeza que veria uma b***a ali por acidente. — Demorou hein. — Finnick resmungou assim que me viu e eu me aproximei parando na sua frente com os braços cruzados, mas deixando uma boa distância entre nós dois. — Desculpa. — De boa. Finnick franziu o cenho me encarando e eu senti meu coração acelerar quando ele se aproximou de mim e ergueu a mão tocando meu cabelo, me fazendo arregalar os olhos quando ele chegou perto demais. Socorro, o Caleb estava certo! Ele vai tentar me beijar! Não! Não mesmo! Pode ir tirando o cavalinho da chuva, Min! Minha primeira reação foi chutar sua canela com força o que fez ele gemer de dor e se afastar de mim rápido batendo suas costas na parede do ginásio. O olhei abismada erguendo minha mão em um punho, pronta para quebrar aquele nariz bonitinho que ele tem. Merda, Melanie! Se concentra! Esse cara tentou te beijar sem seu consentimento! Você não pode achar o nariz dele bonitinho! Você tem que quebrar a cara dele sem notar essas coisas! Merda, quem eu quero enganar? Por mais que ele seja um i*****l completo, eu não era cega, sabia reconhecer que o garoto era bonito, mas isso não muda o fato de que ele iria me agarrar sem permissão alguma minha. — Au, por que você fez isso sua maluca? — Finnick exclamou levando sua mão até a canela. Ele massageou ela e me olhou parecendo estar confuso e com raiva. Qual o problema dele?! Eu sou a única que tenho que estar com raiva aqui! — Por que você me tocou? — perguntei o olhando com ódio — Esse era seu plano? Me trazer aqui para isso? Quem você pensa que eu sou, seu tarado de quinta categoria?! — Que papo é esse mulher? Sua i****a, eu não te toquei! Eu tirei a folha que estava presa no seu cabelo. — ele exclamou e ergueu a mão me mostrando uma folha ali — Já ouviu falar em uma coisa chamada "escova de cabelo"? Como é que é? Tá bom, eu sei que não escovei o cabelo hoje e sei que ele deve estar todo embolado a ponto de coisas prenderem nele com facilidade, mas quem esse i****a pensa que é para falar dele? Só eu posso falar do meu cabelo! Bom, pelo menos agora eu sei que ele não estava querendo me agarrar, mas ainda não estou entendendo porque ele quis me encontrar logo aqui. — Ah. — murmurei cruzando os braços sobre o peito e o Finnick me olhou parecendo chocado com a minha resposta. — "Ah"? É só isso que você tem a me dizer? "Ah"? — O que mais você quer que eu fale? Eu achei que você iria me beijar! — exclamei e o garoto ficou me olhando em silêncio por alguns segundos até que para a minha surpresa ele começou a rir, rir não, ele começou a gargalhar mesmo — Por que você está rindo, i*****l? Eu achei que esse i****a nem sabia o que era sorrir já que está sempre de cara fechada, mas agora ao ver ele rindo a ponto de se inclinar para frente, me pergunto se eu apenas não vi essa sua versão antes. Bufei cruzando os braços irritada esperando o Finnick parar de rir. — Eu? Beijar você? — ele perguntou depois de se acalmar mas ainda tinha um sorriso nos lábios — Não me leve a m*l, mas eu tenho bom gosto. — Como é que é?! Espera aí! Esse surto de riso foi por causa disso?! "Bom gosto"? Ok, agora ele me irritou! Me irritou mesmo! Quem esse projeto de homem pensa que é? Ele acha mesmo que eu ficaria com um i*****l como ele? Eu não ficaria com esse babaca nem se ele fosse o último homem do mundo! — Você até que é bonitinha. — ele me examinou de cima a baixo e eu abri a boca chocada com a audácia dele. Bonitinha? — Mas não estou interessado nisso no momento, não foi para isso que eu te chamei aqui, então por favor, nem perca seu tempo, isso... — sinalizou para nós dois — Jamais vai acontecer, desista. — Que babaca cretino! — deixei escapar alto mas cobri a boca com as mãos quando o garoto me olhou sério. Merda, acho que da mesma forma que ele me irrita, eu provavelmente também irrito ele, mas quer saber? Que se dane! — Eu também não estou interessada em você! Na verdade, você é o último cara por quem eu me interessaria, não achei minha boca no lixo pra me deixar ser beijada por qualquer um como você. Dessa vez foi ele quem abriu a boca parecendo surpreso com a minha resposta mas não demorou muito para sua expressão se fechar, ele se aproximou de mim me olhando sério, mas eu não me afastei ou me encolhi, sustentei seu olhar tão séria quanto ele. Se ele acha que pode falar essas coisas para mim e eu vou ficar quieta apenas ouvindo ele está bem enganado! Aqui funciona assim, me mordeu, eu mordo de volta. — Que bom, então estamos em um consenso. — ele falou sério e eu concordei mas logo dei dois passos para trás quando percebi que passamos tempo demais olhando um para o outro e só agora eu notei o quão próximo estávamos. Ele me deixa tão irritada a ponto de eu até mesmo perder a noção das coisas ao redor. Espero mesmo que ele só aceite as minhas desculpas e o dinheiro para o concerto daquele vidro e me deixe em paz. — O que você quer de mim então? — perguntei séria cruzando os braços — Eu pago o vidro do seu carro, só quero que você não leve isso adiante, quero que deixe esse incidente entre nós. — Eu tenho uma proposta, se você aceitar, não precisa pagar o concerto, eu pago ele e também não vou contar para ninguém o que aconteceu. — ele falou sério e eu o olhei surpresa. Como é que é? Ele não vai querer meu dinheiro? — Uma proposta? Que tipo de proposta? — Quero que você seja minha babá. — O que? — foi a minha vez de rir agora, ele só pode estar zoando com a minha cara — Você não está grandinho demais para ter uma babá não? — Não é exatamente minha babá. — Finnick revirou os olhos e me encarou com tédio — Olha, você provavelmente nunca deve ter me visto em nenhuma das festas que o time dá na universidade, o motivo de eu nunca ir nelas ou sair para qualquer lugar com eles, é porque preciso ficar com a minha irmãzinha. — Você tem uma irmãzinha? — perguntei surpresa. Bom, está aí uma coisa que eu não esperava dele. — Tenho, eu não moro na fraternidade como os meninos do time, eu moro em um apartamento não muito longe daqui, somos só eu, minha irmã e meu pai, ele trabalha viajando então quase nunca está em casa, então não tem outra pessoa para ficar com ela, por isso eu fico. — concordei ouvindo sua história. Senti vontade de perguntar sobre sua mãe mas logo me conti, se ele não falou é porque isso não é da minha conta. — E você quer que fique com ela para você ir nas festas? — perguntei o zoando — Que irmão responsável. Agora faz todo sentido, ele quase não sai de casa porque precisa ficar de babá para sua irmãzinha, para ele poder ter uma vida social, vai ter que empurrar essa responsabilidade para alguém e é aí que eu entro. Bom, pelo menos ele não está me pedindo sexo em troca do concerto do vidro. — O que eu vou fazer não é da sua conta. — o garoto me respondeu rude e eu revirei os olhos. Não sei se nosso acordo irá dar certo se continuarmos nesse ritmo — Só preciso que fique com ela nos próximos finais de semana durante a noite, até o meu pai voltar da viagem. — Quando ele volta? — Em um mês, eu acho. Ok, um mês, ele quer que eu tome conta da irmã dele por um mês. Não parece tão difícil assim, e vai ser somente no sábado a noite, então eu acho que compensa, ainda vou poder guardar meu dinheirinho, ok, acho que posso fazer isso. — E você está confiando em mim, uma estranha, para ficar com a sua irmã? — perguntei curiosa. Ontem mesmo ele me disse que eu precisava ir para uma clínica psiquiatra e agora quer que eu cuide da sua irmã? Ele só pode ser bipolar. — Você não é uma estranha, é irmã do Chris, eu não sou i****a, perguntei sobre você para ele antes mesmo de ter essa ideia. — o olhei surpresa. Ele falou sobre mim com o meu irmão? Ele contou para meu irmão? Se meu irmão souber vai querer me perguntar o motivo do meu surto e eu vou ter que falar sobre o que aconteceu com o Nate. Meu irmão nunca gostou do Nate, se ele souber sobre a traição, vai ser a carta branca que ele precisava para fazer da vida do Nate um inferno. Mas por que eu me importo com isso? Nate quebrou meu coração, eu não deveria ficar preocupada com ele, eu sou tão patética! — Você contou para o meu irmão? Que eu quebrei seu carro? — perguntei assustada com a possibilidade de ter que contar tudo para meu irmão. Ainda não, ainda está cedo para ele saber. — Não exatamente, eu inventei que precisava da sua ajuda para um trabalho do meu curso como desculpa para ele me falar mais sobre você. — ele falou e eu fiquei confusa. Eu nem sei qual curso ele faz — Eu não iria te pedir para ficar de babá, iria fazer você ficar encarregada de lavar meu carro por no mínimo três meses. Ah tá! Ele sonha que eu lavaria o carro dele por três meses! Eu iria pagar o concerto do vidro e nunca mais iria querer ver ele na minha vida! — E o que te fez mudar de ideia? — perguntei o olhando com tédio, não ia discutir novamente com ele, vou deixar o iludido pensar que realmente existia alguma chance de eu ter aceitado a proposta de lavar seu carro. — Ele me disse que você está cursando pedagogia e que quer se tornar professora infantil. — fiz uma careta, merda, meu irmão contou até isso para ele? O que mais ele falou? — Bom, para minha sorte e a sua, eu tenho uma criança para você já ir treinando. — Deixa eu ver se eu entendi então. — respirei fundo olhando para cima mas logo voltei a encarar seus olhos — Você não vai me denunciar se eu ficar com a sua irmã durante os finais de semanas desse mês? — Isso. — ele sorriu e eu continuei o olhando desconfiada — Relaxa, minha irmã é tranquila, eu só preciso de alguém para certificar de que ela não vai incendiar o apartamento. Tremi com a menção do "incendiar". Encarei minha mão direita e fiz uma careta quando notei a cicatriz ali, merda, eu preciso mesmo esquecer desse dia! — É por isso que você nunca vai nas festas então, porque você precisa ficar com a sua irmã. — falei puxando a manga do moletom para esconder melhor minha mão — Isso explica porque eu nunca vi você antes. — Precisava até ter você. — ele falou e me estendeu sua mão e eu o encarei perdida — Meu acordo é esse, você fica de babá da minha irmã até meu pai voltar de viagem e dai não precisa nem me me pagar pelo vidro e ninguém além de nós vai saber sobre isso. — Só esse mês? Nos finais de semana? — reafirmei só para ter a certeza mesmo daquilo. — Isso. — Ok, eu aceito. — falei por fim e apertei sua mão. Senti um arrepio quando a nossas mãos se tocaram, como se uma corrente elétrica tivesse passado por nós. Finnick me olhou e eu rapidamente soltei nossas mãos. Merda, será que ele também sentiu isso? — Então temos um acordo? — ele perguntou depois de coçar a garganta. — Sim, temos um acordo. — falei apressada e logo olhei em volta fazendo uma careta quando notei uma movimentação suspeita vindo do vestiário — Agora vamos sair daqui antes que eu acabe engravidando ou pegando alguma doença. — Por que pegaria uma doença? — Finnick perguntou confuso e eu o olhei desacreditada. Sério que ele está me perguntando isso? — Você não sabe? — Não. Continuei o olhando achando que ele estava me zoando mas o garoto ainda parecia confuso. Será que ele realmente não sabe sobre covil do sêmen? Será que ele me chamou para cá sem saber a história por trás desse lugar? Ele não pode ser tão desligado a esse ponto! — Olha para minha direita, atrás de mim. — falei baixinho ainda com a expressão séria em meu rosto. Finnick me fitou parecendo ainda mais confuso mas fez o que eu mandei. Ele inclinou o rosto para o lado e ficou alguns segundos procurando algo atrás de mim até que eu vi sua expressão começar a mudar, bingo, ele achou. — O que eles estão... — Sexo. — interrompi o garoto que parecia surpreso e eu ouvi o barulho de passos se aproximando e fiz questão de sair rápido dali puxando o Finnick pela manga do seu casaco — E provavelmente o casal que está chegando ali também está procurando um lugar para trepar. Merda! Será que esse era o horário de pico de sexo? Eu não posso ser vista com o Finnick aqui! Ainda mais agora que os casais estão brotando do chão para ir até lá. — Que merda. — Finnick exclamou atrás de mim ainda parecendo chocado com o que havia visto. Eu ainda puxava ele enquanto saia dali sempre olhando em volta, parecia que estávamos fugindo da polícia. Eu só lembrei de soltar ele quando demos a volta no ginásio e paramos perto da entrada dele. Ok, agora cada um por si. — Pois é, aquele é o ponto de sexo da faculdade. — resmunguei e meu corpo tremeu só de lembrar das diversas bactérias que deve ter por ali, eu preciso urgentemente de um banho! — Por isso você achou que eu iria te beijar? — Finnick me olhou surpreso parecendo ter encaixado as peças somente agora — Eu nem sabia que a faculdade tinha um ponto de sexo, isso explica sua reação tão assustada. O garoto riu e escondeu o rosto entre as mãos, se ele não fosse tão babaca, eu até poderia jurar que ele estava sem graça. — Pois é, tanto lugar nessa faculdade e você quis me encontrar logo no covil dos sêmen. — resmunguei rindo também ao lembrar do medo que eu senti por achar que ele queria t*****r comigo lá, mas então me lembrei das suas palavras e deixei meu sorriso morrer aos poucos — Ainda bem que eu não faço o seu tipo. Finnick me olhou e eu vi quando novamente ele me mediu de cima a baixo mas tentou disfarçar fugindo que estava olhando algo atrás de mim. Ele é patético se acha que eu não percebi seu olhar. — E nem eu o seu. — ele falou por fim e eu notei seu tom de voz mais rouco. — Exatamente. — falei por fim e olhei em volta, pelo visto já havia acabado o intervalo, não havia ninguém por ali — Tchau Finnick. Dei as costas para ele sem esperar uma resposta, mas o garoto logo falou alto para eu ouvir. — Até depois, Melanie. Ok, por mais que eu não esteja nem aí para a opinião desse i****a, não vou mentir dizendo que ele não atingiu meu ego. Afinal, por que ele não me beijaria?! Merda, esquece isso Melanie! Você nem quer ser beijada por ele de qualquer forma, não precisa pensar nisso. Como ele mesmo disse, ele não faz seu tipo! Só preciso pensar em como vai funcionar esse nosso acordo, eu adoro crianças, acho que ficar com a irmãzinha dele vai ser mais tranquilo do que lavar seu carro por três meses.
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