"A verdadeira afeição na longa ausência se prova." — Luis de Camões
— Moisés deve ter pego uma lista e tanto com a minha mãe. Essa dispensa e geladeira estão entupidas com tudo que eu adoro comer! — E o que você não adora comer? Comentei após enfiar uma boa garfada de Salmão na boca. Athos serviu mais um pouco de vinho.
— Na verdade, querida Flor, eu fiz a lista.
Saboreou o vinho com ares de sr. Sei Tudo Sobre Você. Eu não fiz qualquer comentário, mas deixei escapar um sorriso.
— Vou tomar como um elogio. — Comentou sobre meu sorriso silencioso.
— Também não é tão difícil assim descobrir o que eu gosto de comer... afinal, eu como tudo e mais um pouco. — Diminua sua bola aí, Garanhão!
Jantamos praticamente em silêncio, não me senti muito confortável em estar sozinha com ele naquela casa depois de tanto tempo afastados. Athos de fato estava diferente... mais centrado, menos irritado, mais aberto ao diálogo. Não sabia como lidar com isso porquê não sabia se era uma mudança real ou apenas uma estratégia de conquista.
— Athos... — brinquei furtivamente com minha taça.
— Hum... — ele continuava a devorar seu Salmão.
— Você vai mesmo demitir Gabriel? — Me entupi de pão italiano com antepasto de berinjela.
Athos soltou os talheres na mesa e passou asperamente o guardanapo pela boca. Acho que não é uma boa hora para falar sobre isso!
— Não sou homem de duas palavras. — A meia luz sobre nós deixa seu semblante um tanto sombrio para a ocasião.
— Athos, não é justo. Ele apenas me cumprimentou e você vai colocá-lo para fora por isso? Desse jeito terá que demitir todo o departamento de estágio! — Continuei comendo enquanto falava, para não ter que encara-lo.
— Se todos te devorarem com os olhos como ele... não vejo problemas! — Deu os ombros.
— Me devorar com os olhos? Por favor Athos, não julgue as pessoas por você.
— Meu amor, eu sei como um homem olha uma mulher... no caso dele é bem pior, por ser tão juvenil, o pobre aprendiz não consegue conter os seus hormônios perto de uma garota. O que deixa explicito nas calças dele o quão e******o está! — Colocou os cotovelos sobre a mesa e cruza as mãos para apoiar o queixo. — Não me subestime!
— Tá, mas o que isso importa? — Cravei meus olhos nos seus. — O que você deveria levar em consideração é o que eu penso sobre isso e não o que ele pensa a meu respeito!
— Eu sei que neste momento ele não tem a menor chance com você... — sorriu como se fosse o dono da razão.
E ele não é?
— Será? — Tentei afastar o risinho de seus lábios.
— Tenho certeza! — Athos sentia-se seguro e como sempre, fazia questão de não esconder. — Ele não tem o seu perfil. É um molecote, ainda cheira a leite e você não se interessa por meninos! Você é muito à frente de seu tempo para perdê-lo com esse tipo de rapazinhos!
O tom com que ele falava de Gabriel o faz parecer um bebê de fraldas.
— Mas então...
— Ele continuará tendo sonhos eróticos com você. — Sua expressão era de mais profundo de nojo. — Eu não quero saber desse rapaz tendo fantasias eróticas com a minha mulher, nem investindo em você bem debaixo dos meus olhos!
— Eu sei me colocar no meu lugar. Você mesmo acabou de dizer com todas as letras que ele não faz o meu tipo e realmente não faz... — concordei me inclinando em sua direção. — E por último e não menos importante: eu não sou sua mulher! Nem sua, nem de ninguém.
— Vejo que você se importa mesmo com ele, isto é bom. Sinal de que vai acatar minha decisão, entenda como uma forma de evitar o sofrimento de um coração partido.
— Sua decisão? Achei que houvesse uma hierarquia séria a ser seguida naquele lugar. — Remexi minha salada. — O que a sra. Vilagrán irá achar disto? E o presidente, não precisa ser consultado?
Athos fecha os olhos e respira fundo. Acho que meus questionamentos o estão incomodando!
— Sinceramente não a trouxe aqui para discutir minhas decisões. — Falou com impaciência. — Podemos jantar em paz?
— Você acabou de me fazer perder a fome... — empurrei o prato.
— Mas que m***a, Esther! — Soltou o peso da mão sobre a mesa, — Desculpe. — Pressionou as mãos contra rosto. — Deixa pra lá, certo?
— Tudo bem! — Levantei da mesa improvisada no balcão da cozinha e retirei meu prato.
Fui até o dispenser de lixo e raspei meu prato com desgosto.
— Tudo bem, p***a! — Ele me seguiu.
— Tudo bem, o quê? — Ensaboei meu prato como se estivesse ensaboando sua cara. Vontade é o que não me falta! Athos segurou cada um de meus ombros.
— Vou considerar suas palavras. — Senti sua respiração contrariada — se isto a fará feliz!
Virei para ele o encarando.
— Promete que não irá manda-lo embora? Poxa, eu posso mudar de lugar ou cortar papo com ele, mas por favor... — fiz minha melhor cara de pidona. — Não me faça carregar este peso. Não quero entrar todos os dias naquela sala e saber que alguém perdeu uma p**a chance profissional por minha causa... ainda mais por um motivo tão ridículo!
Athos sorriu calidamente.
— Está dizendo que meu ciúme é ridículo?
— Você sabe que é.
— E você tem o maior coração do mundo! — Colocou uma mecha do meu cabelo atrás de minha orelha. — Vai ser difícil me acostumar com ele assim, tão curto. Mas não posso negar que esse novo visual a deixou exalando sensualidade.
Segurou meu rosto entre as duas mãos.
— Não se aproxime mais! — Minha rouquidão estava mais evidente do que sempre.
— Vai me estapear como já fez outras vezes? — Tive certeza que estava me desafiando.
— Se for preciso...
— Acho que quero correr o risco.
Sem dar tempo para que me afastasse, Athos puxou meu rosto para si e invadiu meus lábios com fervor. Tentei evitar que sua língua fizesse contato com a minha, mas ele era mais forte que eu, ou minha vontade de o afastá-lo... forçou minhas pernas, enfiando-se entre elas, ele me ergueu sobre a pia molhada e segurou meus braços para trás. Me debati e ele jogou o peso de seu corpo contra o meu. Minha respiração começou a ficar ofegante como se eu estivesse correndo uma maratona.
— Gosto quando você reage! — Assumiu, entre meus lábios. — É sinal de que ainda mantenho algo acesso em você.
Porra. Vai ser difícil ganhar essa!
Mudei de estratégia e amoleci o corpo, deixei meus lábios frouxos e não fiz um movimento sequer, nem contra, nem a favor de suas investidas. Athos parou de tentar me segurar e se afastou. E agora? O que você causa em mim? NADA! Minto para mim mesma.
— Você acha que eu não sei que está tentando medir forças comigo? — Athos estava bem frustrado. Ponto para a Esther!
Não respondi, mas também não sei se tinha coragem de descer de onde estava. De mansinho, ameacei sair de cima da pia. Fui me esquivando enquanto ele seguia-me apenas com os olhos. Alguns centímetros de distância eram o suficiente para me encorajar a correr para longe dele. m*l consegui atravessar a porta da cozinha e o deus Grego prendeu-me em seus braços, jogando meu corpo nos ombros com toda facilidade do mundo. Soquei suas costas com raiva e ele me devolveu uma p*****a ardida na b***a.
— Isso é pelos velhos tempos! — Sorriu malicioso.
— Coloque-me no chão seu troglodita. — Gritei.
— Oh, veja só quem voltou a se sentir afetada por mim... — seguiu em direção ao hall para os quartos.
— Athos, me coloque no chão! Eu vou m***r você! Que ódio... — gritei e serpenteei. Você quer isso! Admita! Quero. Mas não do jeito dele. Não com suas regras. Eu é quem vou fazer as regras aqui! Athos empurrou a porta do quarto com o pé e poucos passos depois, me deixou cair sobre a cama.
— Nem tente sair daí!
Tirou a camisa e a arremessou longe. Me apoiei nos cotovelos enquanto o observava, sem qualquer reação. Athos subiu na cama, me beijou sensualmente. Eu o beijei! Ok, sr. Todo Poderoso! Vou lhe dar um ponto de vantagem. f**a-se quem iria abrir o placar. Este jogo estava apenas começando! Me agarrei em seu pescoço e deixei que ele explorasse minha boca com seus lábios macios, carnudos e língua voraz. Não tinha noção de quanto tempo ficamos ali, nos beijamos, apenas nos beijando... sem provocações, joguinhos, indiretas... não me importava com isso, o tempo. Para mim parecia eterno.
Sentia saudades do tempo em que nos amávamos com paixão. Ele puxou minha camiseta para cima e segura meus s***s, com firmeza massageava cada um deles, mordi seus lábios, mas ele não se incomodou. Continuava investindo em meu corpo, avido, não media seus atos e me tocava por cada pedaço que lhe convinha. Athos deslizou seus lábios molhados por meu pescoço, me arrepiei inteira, delicadamente ele mordeu o lóbulo da minha orelha. Gemi. Aproveitando meu momento de entrega, ele me segurou pela nuca, deixando os dedos escorrerem entre meus cabelos. Hummm... Isso é bom!
Fechei os olhos, deixei os lábios entreabertos. Isso é realmente muito bom!
Delicadamente juntou uma boa mexa dos meus cabelos entre os dedos e os puxou para trás, deixando meu rosto exposto, totalmente livre para ele. Vagarosamente Athos plantou beijos em meu colo e então passeou com sua língua traçando um caminho reto por meu pescoço, mandíbula, queixo até encontrar minha boca receptiva. Mas não me beijou, ao invés disso, lambeu meus lábios de baixo para cima.
Estremeci.
— E então? — Murmurou — você ainda pretende fugir de mim?
Abri os olhos e fui fisgada por seus olhos de águia.
— Hoje não! — Gemi.
Era a deixa que ele precisava para arrancar de vez minha camiseta e lançar longe dos meus olhos. Faminto, retirou meu tênis e meias de qualquer jeito, desabotoou minha calça sem o menor cuidado e a grosso modo, puxou pelas minhas pernas.
Ri de sua pressa.
— Você acha isso engraçado? — Estreitou os olhos para mim. Engoli saliva. Ele beijou a ponta do dedão do meu pé e depois o chupou maliciosamente.
Porra, Athos! Todos meus terminais nervosos estavam ativados. Prendi a respiração. Com olhar desafiador, novamente colocou sua língua deliciosa para agir, passando-a pelo peito do meu pé, levando-a por minhas pernas, coxas, virilhas... Santa Mãe de Deus! Não consegui conter a agitação inesperada.
— E isso? Também é engraçado? — Mordeu minha calcinha e com a boca recebendo a ajuda dos dedos começa a desce-la.
Seu nariz roçou em minha v****a, a respiração dele me causou vertigens. Se ele continuasse nesse ritmo, eu acabaria gozando antes mesmo de ser penetrada. Mas chegando no meio das minhas coxas, ele arrancou o pedaço de pano com força.
— Vamos ver o quão engraçado eu consigo ser... — Seus olhos estavam negros, sua expressão, sedenta.
Ele não está sendo nada engraçado! Mergulhou entre minhas pernas e saboreou meu s**o. "E com muita, muita fome também!" Ele avisou Esther!
Deixei minha cabeça cair para trás assim como meu corpo. Entregando-me a sensação prazerosa que ele me proporcionava. O deus Grego perdido em mim, intensificava o trabalho bem feito com sua língua conforme minha respiração começava a pesar e meus gemidos aumentavam. Ofegante, senti meu peito subir e descer descompassadamente, me segurei ao lençol e mordi os lábios. Ele beijou, mordeu, assoprou e lambeu meu c******s com tamanha maestria que comecei a sentir minha cabeça girar. Descontrolada, pressionei meu quadril em seu rosto e por sua vez, ele agarrou cada lado das minhas nádegas para que eu não fugisse de sua boca deliciosa.
Sem condições de domar meu corpo, senti minhas pernas adormecerem e uma corrente elétrica subir desde os dedos dos pés, passando pelas coxas, explodindo na minha v****a e se espalhando por todo o corpo. Junto com essa corrente minhas forças se foram e minha boca secou. Prendi a respiração e a soltei em um grito involuntário.
— Qual o seu problema? — Zombou maliciosamente. — Achei que fosse morrer de rir!
Abri meus olhos, alguns segundos depois de me certificar que minha alma havia voltado para o corpo e o vi limpando os cantos da boca com a ponta do polegar e indicador. Depravado, enfiou um dedo de cada vez na boca, chupando com vontade, tirando o suco do meu g**o.
— Não tenho fôlego suficiente para risos! — Ofeguei, tentando recobrar o juízo.
— Uma pena! — Desabotoou a calça. — Porque eu estou apenas começando.
****
Com o corpo encharcado de suor, respiração entrecortada e coração acelerado, Athos desmoronou sobre mim após chegar ao o*****o pela segunda vez. Seus cabelos estavam molhados e seu cheiro de vinho mais acentuado.
— Você é uma delícia. — Disse cansado — e continua apertadinha como da primeira vez. É difícil me controlar quando estou dentro de você. — Beijou meus lábios.
Athos deitou-se ao meu lado, me puxando para recostar em seu peito. Ficamos alguns minutos apenas ouvindo nossas respirações.
— Eu amo você, Flor! — Rompeu o silêncio.
— Eu sei... — resmunguei, exausta.
— Sabe? — Me forçou a olhá-lo.
Entreguei um sorriso atrevido.
— Eu também te amo Athos, não é nenhuma novidade! — Deitei minha cabeça em seu peito.
— Mas poder ouvir diretamente dos seus lábios é muito melhor!
Me dei conta de que não éramos mais um casal. Uma vontade de chorar e me agarrar a ele começou a aflorar em meu peito. Não desmorone agora, Esther! Athos acariciou meus cabelos, estava certa de que ele também pensava o mesmo. Que falta sinto desse carinho! O massagear da ponta de seus dedos começou a me deixar relaxada. Me desapeguei de qualquer pensamento. Tudo que queria era senti-lo enquanto podia.
****
Algo faz cócegas em meu nariz e isso me incomodou. Cocei o nariz e acabei despertando. Os cabelos rebeldes de Athos estavam soltos em meu rosto. Ainda dormindo, jogou o peso das pernas e braços sobre meu corpo, sua cabeça estava enfiada em meu pescoço, parecia uma serpente enrolada em sua presa. Tentei sair de baixo de seu corpo, mas fui flagrada por seus olhos astutos.
— Onde você vai? — Perguntou.
— Preciso ir! — Sussurrei como se pudesse ser ouvida por outro alguém.
Sem tirar seus olhos dos meus ele sentou-se na cama.
— Ir? Para onde? — Levou alguns segundos para entender o que eu disse.
— Para onde mais? — Ergui meu corpo e encostei na cabeceira. — Para minha casa! — Me encolhi.
— Mas, eu pensei que...
— Como você mesmo disse, nossa melhor parceria é na cama... — Oh, querido, não. Não se trata de uma reconciliação! — Só que fora dela, não estamos tendo tanto sucesso assim.
— Você só me usou! — Tapou a boca com a mão, quando percebeu que havia sido sexualmente usado, eu sabia sua indignação não passava de uma encenação. Ele parecia apavorado embora sua reação tenha sido um tanto cômica. Segurei o riso.
Nada de provar o quão engraçado ele é!
— Achei que você tivesse gostado! — Dei os ombros.
Athos apoiou os cotovelos nos joelhos e segurou a cabeça com as mãos.
— Não acredito que isso esteja acontecendo. — Ele achava graça da própria sorte. — Nunca imaginei em toda a minha vida que uma mulher iria me querer apenas para uma noite de s**o. — Fechou os olhos e rui com escárnio — principalmente que essa mulher fosse exatamente aquela por quem estou perdidamente apaixonado! — Jogou o corpo para trás, caindo sobre os travesseiros.
— Athos por favor, sem dramas, ok? — Me enrolei no lençol e sai da cama — em nenhum momento falamos que haveria algo a mais do que aconteceu ontem!
— Quando foi que você se tornou tão fria e c***l? — Me observou espantado.
— A vida me ensinou...
— Mas, você disse que me amava! — E você não sabe o quanto!
— Disse... só não disse que voltaria para você! — Sorri vangloriando-me.
Entrei no banheiro e ao fechar a porta, abafei um gritinho de "Yes", comemorando como fazem os goleadores. Eu disse que essa partida seria minha!
Entrei no box e liguei o chuveiro. Athos apareceu como veio ao mundo, abriu a porta de vidro e se colocou na minha frente.
— Eu já disse...
— O quê? — Ele se aproximou até que a ducha molhasse todo seu corpo másculo. — Eu só vim tomar um banho! — Minha boca encheu d'água.
Fizemos amor mais uma vez e eu me senti extremamente tentada a ficar.
****
— Vou ver com Moisés pode me ajudar a levar essas roupas para a casa de Al... — enquanto visto uma calça limpa, comento sobre as peças que ainda estão nos armários de Athos.
— Se está tentando ferir meu ego, vá em frente, depois de me dispensar essa manhã, não restou muita coisa para você machucar!
Athos estava encostado na porta do closet com o corpo coberto apenas por uma pequena toalha branca enrolada a sua cintura.
— Eu estou apenas dizendo que preciso das minhas roupas... — sentei no pufe de couro para calçar o tênis.
— E que vai leva-las para a casa do seu ex, com quem está morando? — Continuou com o ar pensativo. — Não sei como me sinto sobre isso. Mas tenho que parabeniza-lo. Com seu jeitinho de bom moço, rapaz educado e gentil, acabou te colocando novamente em baixo das asas... bela jogada inglesinho de m***a! — Desdenhou, observando as unhas.
— Athos! — Fui até ele. — Al está em outra! Você sabe... tem namorada e eles parecem bem apaixonados e felizes, por sinal!
— Então por que você não os deixa curtirem a felicidade lá e vem morar comigo? — Suas sobrancelhas caíram.
— Você sabe porquê... Por favor, não vamos estragar esse momento harmonioso e bonito que tivemos depois de tanto tempo! — Dei um selinho rápido.
— Eu não vou aceitar te perder, Flor. Só uma noite para mim não significa nada, você não é mulher de uma noite... eu quero você para vida toda! — Me abraçou pela cintura.
— Eu não fechei as portas para o amor! — Assegurei.
— Nem seja louca de pensar nisto... não para mim. Ou eu pulo a janela! — Sorriu sabendo que seu drama exagerado me fazia rir.
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Athos estacionou o carro em frente ao portão da minha mãe.
— Obrigado pelo jantar! — Jantar? Athos sempre com suas frases dúbias!
Ele afastou meus cabelos dos olhos.
— Me diz... você realmente não vai mandar Gabriel embora, vai? — Insisti no assunto da noite anterior.
— Eu disse que iria pensar, não disse?
— Isso significa que não? — Estreito os olhos.
— Você vai voltar para mim? — Tentou me pressionar ou mudar o foco.
— Athos! — Não misture as coisas!
— Ok! — Ergueu as mãos — eu vou dar uma chance para aquele fedelho! — Revirou os olhos e espremeu os lábios em uma linha reta.
Abri um sorrio largo, sentindo um alívio gigante. Em agradecimento, abracei Athos e lhe dei um selinho apertado e demorado.
— Deduzo que você vá passar o dia todo com sua mãe! — Tentou esconder o rubor da surpresa que lhe causei.
— Vou sim! Estamos fazendo os últimos ajustes para a chegada da minha irmãzinha.
Ele assentiu e algo me ocorreu.
— Só por curiosidade... desde quando você sabe sobre Olga? — Fiz um ar investigativo.
— Olha, para que você não me chute as bolas, quero que saiba que sempre fui contra manter isso como se fosse um segredo.
Recostei minhas costas no banco.
— Como eu posso não ter desconfiado de nada?
— Você estava ocupada, cuidando da minha mãe! — Suas palavras saíram como um pedido de desculpa. — E depois de mim e minha família! — Ele demonstrou uma tristeza repentina.
— E você cuidando da minha! — Passei a mão em seu rosto. — Ninguém precisou me dizer, mas, eu sei que aquele monte de sacolas que Moisés carregava ontem, é coisa sua... — ele me olhou de esguelha — assim como o berço, carrinho, andador, cadeirão, penico, ursos, pares de sapatos e roupas de grife para os próximos dois anos... — enumerei alguns de seus exageros — sem contar o excelente médico que está acompanhando a gestação da dona Lurdes. O plano de saúde dela não cobre um dos mais renomados ginecologistas do País.
O queixo dele está caído e sei que o deixei sem palavras.
— Você deve está equivocada Flor, eu não entendo nada de crianças...
— Por isso mesmo que sei que tudo isso só pode ter vindo de você. — Dou um soquinho em seu queixo. — Minha mãe jamais compraria penico, andador e três tipos de cadeirinhas de segurança para um bebê que nem mesmo nasceu. E por favor, as nossas finanças melhoraram consideravelmente, mas não ao ponto de esbanjarmos com vestidinho que pagariam um mês da minha faculdade. Minha mãe não enlouqueceu a este ponto.
— Bom... eu... — Sem argumentos, sr. Todo Poderoso?
— Relaxa. — O tranquilizo. — Se eles aceitaram, eu não me oponho!
Ele pareceu voltar a respirar. Athos não estava disposto a comprar uma briga comigo, não em relação a minha família.
— Já que eu te roubei de sua mãe ontem, não vou atrapalhar vocês hoje. — Mudou de assunto novamente. — Vou aproveitar para passar o dia no hotel, irei me reunir com Sandra para me inteirar das coisas que tem acontecido por lá.
Athos se interessando por seus negócios?
— "O olho do dono engorda o gado", já dizia sua mãe!
— E parece que ela estava certa. — Dá os ombros, fingindo não dar importância aos aprendizados herdados de dona Oletta. — Chega de brincar de menino rico. É hora de cuidar do meu patrimônio.
— Enfim caiu a ficha! — Concordei, orgulhosa.
— Que tipo de pai eu quero ser se não souber ao menos administrar o que é meu?
Athos quer ser pai? Que rumo esta conversa está tomando?
— Bom, preciso realmente ir! — Percebi que já era hora de saltar daquele carro e daquela conversa que já começava a ir por um caminho do qual não queria tomar tão cedo.
— Nos vemos amanhã então! — Ele sorriu esperançoso.
****
Mamãe e Moisés estavam tomando café da manhã. Me juntei a eles e tivemos uma conversa agradável sobre banalidades. Moisés, prestativo como sempre, nos deixou a sós com a desculpa de ir lavar a louça.
— E então, querida? — Mamãe cochichou assim que se sentiu que estávamos completamente sozinhas na sala.
— Então?
— Ah, Esther! — Ela dá um leve t**a em minha mão. — Athos não entrou, mas eu sei que ele te trouxe. Sei também que passaram a noite juntos.
— Mãe! — A repreendo sentindo minhas bochechas arderem.
Não estava acostumada a falar sobre minha vida íntima, no sentindo s****l da palavra, com minha mãe como se ela fosse simplesmente uma amiga qualquer, ainda mais com o namorado dela presente, sem contar o agravante dele ser motorista do homem com quem tive uma noite ardente. Não. Eu não tinha nenhuma vontade de dividir com ninguém, principalmente com dona Lourdes.
— Também não acho a coisa mais natural do mundo, que minha filha more fora de casa e tenha uma vida sexual... — provavelmente as mães, além de todos os outros poderes, também conseguem ler a mente dos filhos.
— Mãe! — Fechei os olhos e enfiei a cabeça na mesa, na tentativa inútil de desaparecer.
— Tudo bem! — Olhou para a cozinha mais uma vez.
Moisés continuava alheio, concentrado na pilha de louça. Esperava que não estivesse apenas sendo discreto, mas que de fato estivesse ignorando aquela conversa constrangedora.