CAPÍTULO 4

2289 Words
O dia foi produtivo, conseguimos rechear o guarda roupa da minha irmã, algumas coisas não couberam no quarto pois um certo alguém e seu exagero sem fim, fez o favor de comprar tudo que um bebê recém-nascido não usará tão cedo. Tive a ideia de guardarmos no meu quarto, mas mamãe estava hesitante. Ela tinha medo de que parecesse que eu estivesse sendo colocada para fora. Mas eu já estou fora, mãe! E porque eu quero! Moisés não dormiu em casa, dona Carmem chegaria cedo ao aeroporto na manhã seguinte e Diógenes precisaria de seus serviços, assim sendo, ele preferiu dormir no trabalho e estar a postos no primeiro horário. Madrecita e eu aproveitamos para ficarmos de pijama, assistir filmes românticos, comer pipoca e chorar enchendo a cara de refrigerante. Meu pai ligou e batemos papo por cerca de uma hora. Thaty e ele estavam bem e felizes, o que me deixava muito mais feliz também. Minha boadrasta lamentou quando eu disse que Athos e eu ainda estamos separados e fez torcida pró deus Grego. As mulheres se derretem por este canalha! **** Dormi cedo pra compensar a noite anterior que praticamente não preguei os olhos. Na faculdade, terminei minha prova ciente de que fui bem, não porque eu fosse uma aluna "sabe tudo", mas porque gostava da matéria e tinha tido facilidade com a parte filosófica do direito. Corri para o escritório, querendo chegar cedo para me desculpar com Gabriel pelo m*l-entendido de sábado, com Athos me distraindo e mamãe organizando as coisas do quarto de Olga, acabei não ligando para ele. Estive um pouco ocupada, transando com nosso patrão! Era o que eu deveria dizer ao ligar me desculpando, e esse pensamento me faz sentir como uma grande v***a. Tratei de afastá-lo antes de entrar no setor de estágios. Animada, cumprimentei meus colegas de sala. Mas alguém em especial não estava presente. — Gabriel ainda não chegou? — Perguntei a uma jovem gordinha que devorava um lanche cheio de colesterol. — Ouvi dizer que ele foi chamado... — ela olhou para teto, após dar uma boa dentada no hambúrguer. — Na sala do homem! — Concluiu com a boca cheia. — Sala do homem? — Athos? — Bem, quando eu cheguei aqui, falaram que foi avisado na recepção. — Mordeu outro pedaço de seu sanduíche — era pra ele subir direto! — Mas não disseram o porquê? — Athos com certeza deve ter repensado e o chamado para desfazer a m***a. — Você não sabe? Acho que ele foi chutado! — Uma loira que não é muito profissional, entrou no assunto. — Ei, você não é tal noiva daquele gato raivoso? — Doutor Gonzalez, o seu patrão! — Corrigi, deixando claro que não lhe dei i********e. — Acho que minha vida amorosa não interessa aqui dentro, não é mesmo? Afinal, sou tão estagiária quanto você! — Vá para o seu poleiro, sua franga depenada e mantenha suas asas longe do meu deus Grego! — Ok. Eu só estava comentando... Ignorei antes que ela terminasse com o quer que quisesse dizer e me voltei para a estagiária comilona. — Você sabe alguma coisa sobre isso? Athos não pode ter voltado atrás. Ele sempre cumpre com sua palavra. — Bem, não vejo Gabriel desde sexta... é tudo que eu sei! — O catchup escorreu de seu lanchinho sobre o teclado. — m***a! Isso não é verdade! Athos deve apenas ter dado um susto nele. Voltei para minha mesa e contive minha ansiedade. Tomei um copo d'água... revirei minha bolsa, carteira, fichário... onde infernos, enfiei o maldito pedaço de papel que Gabriel deixou para mim? Ia ter que apelar. Digitei o ramal de Athos. — Vice-presidência, secretaria Silva falando, em que posso ajudar? — Sra. Silva — limpei a garganta — por favor, gostaria de falar com o dr. Gonzalez? — A quem devo anunciar? — Esther... — bati na testa. — Estagiária srta. Guimarães. — Srta. Guimarães, só um minuto por favor! — A voz dela se tornou mais harmoniosa ao saber com quem estava falando. Odeio quando pensam que estão tratando com a 'mulher do dono'! Menos de trinta segundos depois ela puxou a ligação de volta. — Desculpe srta. Guimarães, sinto muito, mas o dr. Gonzalez não poderá atende-la no momento! — Ela parece realmente sentir! E por sua voz trêmula desconfiei que recebeu um belo pito. — Sra. Silva, apenas por curiosidade... — cuidado com o que vai perguntar! — O dr. Gonzalez está reunido com alguém neste momento? — Tentei ser sutil. — Não senhorita. — Me respondeu de pronto. — Mesmo assim, neste momento ele não poderá atende-la! — Reforçou. Não está com ninguém, certamente não está em uma ligação... mas também não pode me atender. Estranho. Não que eu estivesse me gabando, só que eu sabia... se o Papa estivesse em sua sala, ele o deixaria esperando para me atender. — Sra. Silva, uma última pergunta, não quero tomar o seu tempo... mas eu preciso saber... — preciso desta resposta para ter certeza do que desconfio. — O estagiário Gabriel esteve com Athos, digo, com o dr. Gonzalez ainda hoje? — Fechei os olhos e balancei a cabeça, já me arrependendo do que havia perguntado e temendo pela resposta. Como imaginei, ela hesitou e não sabia o que podia me dizer... se é que conseguia me dizer algo. Seu silencio já me bastou. — Eles brigaram? — Engoli seco. — Srta. Esther, eu peço desculpas novamente... — Ok, sra. Silva eu entendi. Obrigada. — Desliguei de forma grosseira, ela não tinha culpa, mas eu não estava em condições de ser simpática. Minha cabeça estava borbulhando. Mas que d***a! Athos mentiu pra mim. MENTIU!! Aquele maldito manipulador me fez acreditar que não demitiria Gabriel apenas para me levar para cama. Isso não ia terminar assim. Não adianta me evitar agora sr. Gonzalez, eu vou m***r você! Sai pisando pesadamente do elevador, meus olhos estavam em chamas, minha nuca ardia. Passei por todas as recepcionistas, elas sabiam quem eu era. Não tentaram me deter, apenas me observaram e se entreolharam. Deviam estar estranhando o fato de eu estar ali. Não sou do tipo que faz visitinhas românticas ao namorado. A sra. Silva saiu de sua sala apressadamente, tentando seguir meus passos largos. — Srta. Guimarães! Srta. Guimarães? — Fique tranquila, sra. Silva... — não parei — serei breve! Eu prometo! — Senhorita, o dr. Gonzalez foi enfático... ele... Empurrei a pesada porta de madeira com as duas mãos. Athos estava em pé, amparado pela grande parede de vidro. Ele olhava a cidade lá embaixo, segurando um copo de uísque. — Achei que fosse demorar menos, srta. Guimarães... — ele bebeu todo o líquido de seu copo. — Doutor, eu tentei... — Eu não lhe pago para “tentar”. Você tem que fazer! É para isso que eu lhe pago. — Mirou a secretária com olhos ardentes e cruéis. — Perdão dr. Gonzalez, mas... — Se você não foi capaz de impedi-la de entrar, não há motivos para ficar se desculpando. — Colocou o copo sobre o aparador de bebidas. Acompanhei seus passos com os olhos. — Ela já está aqui, não está? Os olhos da mulher começaram a marejar. m***a Esther, quantas pessoas você fará perder o emprego nessa empresa? — Ela não tem culpa. — Pousei as mãos na cintura e finquei meu corpo na frente do dela. — Ela estava apenas fazendo o seu trabalho. Eu invadi a sua sala... se quer alguém para barrar a entrada, contrate um segurança, não uma secretária! — Fui ríspida, assim como ele foi com ela. — Bela defesa, srta. Guimarães. Abriu o paletó e com as mãos nos bolsos, caminhou lentamente desviando de mim indo até minhas costas até ficar bem próximo da sra. Silva. — Hoje é seu dia de sorte... já tive meu momento de fúria! — Ele olhou de forma mordaz para a mulher de meia idade. — Mas, se mais alguém entrar nesta sala sem minha autorização... eu juro que te jogo por aquela janela! — Seus olhos pulverizaram os dela. A mulher se encolheu inteira e eu me empertiguei. — Agora pegue esse traseiro velho, dê meia volta e suma da minha frente! — Sua voz foi crescendo até terminar em um urro. Antes que ele pudesse fazer nova ameaça, ela já estava do outro lado da porta. Athos deixou escapar um meio sorriso, orgulhoso do que acabará de fazer. Como alguém pode se divertir assustando outras pessoas? — Ela pode te processar se quiser, você sabe disso, não sabe? — Cruzei os braços. — Pois que processe... eu estou pouco me lixando! Como se nada estivesse acontecendo, seu rosto transformou e momentos depois ele era calma e tranquilidade. — Diga-me pequena Flor, o que a traz até aqui? — Recostou-se a mesa. Pisquei incrédula para ele. Só pode ser brincadeira! — Que pergunta mais i****a é essa? — Me aproximei — você sabe muito bem, porquê estou aqui. Tanto que não teve a decência de me atender ao telefone. — Não. Eu apenas achei prudente não ser indelicado com você por telefone! — Sua expressão era altiva. — Indelicado? — Cínico! — Ha ha ha... e o que me diz de mentiroso, sem palavra e traiçoeiro? — Cuspi as palavras. Seus olhos se estreitaram. Seu rosto endureceu. Ainda acha r**m? — Mentiroso? Sem palavra? Traiçoeiro? Eu? — Ergueu o corpo e vagarosamente chegou até mim. — Mas não foi eu quem a seduziu e levou para a cama apenas para tentar salvar a pele do coleguinha apaixonado. Eu o seduzi para salvar Gabriel? Ele está invertendo as coisas e jogando a culpa em mim! Athos me rodeou feito um leão cercando o coelho que pretendia devorar. — Como pode dizer isso? Eu nem queria ter dormido com você! — Ah, não? — Continuou me cercando. — Pois engana muito bem! É. Você engana muito bem! — Coçou a barba que estava por fazer. — Athos pare com seus joguetes. Você mandou Gabriel embora, sim ou não? — Tranquei a cara. — Tirar aquele pivete da empresa é tão importante assim, que é capaz de mudar algo entre nós? — Não se responde uma pergunta com outra, lembra? — Prove do seu cinismo! — Sabe Flor... — passou os dedos por meus cabelos. — Eu sei quem sempre jogo limpo quando se trata de algo que quero muito. Mas eu nunca escondi que sou capaz de tudo para ter o que desejo. Você me desafiou e eu topei, mas sempre deixando claro que usaria todas as minhas armas para tê-la de volta. — Sem rodeios... — estava impaciente. Estalei os dedos. — OK! — Ergueu as mãos. — Vamos direto ao ponto: você me fala sobre cinismo, falsidade, traição... então me fale mais sobre isso! Por trás de mim, Athos esticou a mão, passando um pedaço de papel. O Guardanapo que Gabriel deixou para mim! — O que é isso? — Perguntei já sabendo a resposta. — Eu esperava que você pudesse me responder... — colocou-se a minha frente. — Afinal, caiu do bolso do seu jeans! — Senti que ele me fuzilava, esperando uma explicação. Não sabia o que responder. Nem mesmo tinha certeza do conteúdo dentro daquele guardanapo. Leia sua i****a! Abri o papel dobrado em quatro e passei os olhos rapidamente pela letra pequena de Gabriel. ** Você me pediu o telefone, mas esqueceu de anotar (524-5241). Bem, agora acho que não temos mais problemas para nos encontrarmos. Como não se pode ter tudo... perdi a vaga de estágio, mas não a esperança de ter um encontro com você. Beijos, Biel** Cobri a boca. Abusado! Apesar de tudo, consegui me surpreender. — Você e esse rostinho angelical! — Passou os dedos por meu queixo. — Eu quase caio feito um patinho! Não consegui dizer algo por que também estava passada. — Agora você já tem o telefone dele. — Athos estava magoado. Ele entendeu tudo errado. — Eu... pedi por pedir... — gaguejei. — Não tinha intenção de ligar. Eu estava p**a com você... — o remendo saia pior que o soneto. — Vou deixar uma coisa bem clara entre nós... — inclinou seu rosto ao meu. — Eu aceito suas regras e seus desafios infantis... eu deixo você fazer essa ceninha ridícula de gato e rato... — suas pupilas dilataram. — Mas eu não admito dividir você! — Rosnou entre os dentes. — Esse jogo não se joga a três! Desafios infantis? Ceninha? Ele estava achando que era tudo uma brincadeira. Athos acaba de demonstrar o quanto te subestima querida. Só provando que ele acredita que você é uma boneca, que ele tem a hora que bem desejar! — Sabe de uma coisa? — Enfiei o papel no bolso da minha calça social preta. — Não me interessa o que você aceita ou deixa de aceitar... — ele ameaçou dizer algo, eu o calei com o dedo em riste. — Mas eu agradeço suas palavras. De repente tudo ficou bem claro para mim e eu acabo de lembrar que há alguém esperando por uma ligação minha! Ele tentou me puxar pelos braços e eu fui mais rápida. Sai da sala do mesmo jeito que entrei. Pisando duro, desfilei com meu salto agulha novamente na frente as recepcionistas. Athos me seguiu, chamando por meu nome. As funcionárias permaneciam imóveis de queixo caído, havia algumas pessoas entrando no elevador, então corri para não perder a "carona". Ouvi os passos rápidos de Athos atrás de mim e consegui alcançar o elevador, antes que eu me virasse de frente as portas já se fechavam nas minhas costas. Athos gritava e esmurrava a porta do outro lado. f**a-se, cretino!
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