NARRAÇÃO CATARINA Quinze dias. Esse foi o tempo que se arrastou como uma eternidade torturante, sufocante e estéril desde o momento exato em que deitei naquela maca fria de laboratório e deixei a ciência injetar o meu destino no fundo do meu próprio ventre. A minha rotina dentro daquela mansão faraônica havia se transformado em uma verdadeira prisão de luxo, impiedosamente ditada por horários clínicos rigorosos, refeições milimetricamente pesadas e monitoradas por nutricionistas particulares, e a humilhação diária e exaustiva de abaixar a calça para receber as agulhadas grossas, doloridas e profundas de progesterona que a enfermeira aplicava sem piedade em mim. As minhas coxas e os meus glúteos estavam completamente tomados por hematomas roxos, endurecidos e latejantes, mas eu engolia ca

