Mudança de Hábito

1744 Words
Três meses se passaram, Sonja havia ido morar na casa da família de Gustaaf e Kestra agora estava sozinha. Ela tinha apenas a mãe para conversar, mas não se sentia à vontade em perguntar tudo o que desejava saber. Ela também não conseguia olhar para Dael sem recordar o que viu debaixo da escada na noite do casamento de sua irmã, de igual modo que a empregada sempre quis saber quem havia visto ela com Levi De Vries. Alguns pretendentes de Kestra também começaram a visita-la, mas a jovem não demonstrava interesse por nenhum deles e fazia coisas mirabolantes para espantá-los. Um deles se chamava Albert Vandur. Esse chegou à sua casa a convite de Hendrick, um jovem bonito e de boa família, porém quando Hendrick chamou Kestra para apresentá-la ao rapaz, ela desceu as escadas vestindo uma camisola branca suja com sangue. O rapaz arregalou os olhos quando viu a cena e para piorar, Kestra estava toda despenteada, descalça e segurando uma faca. ― Quem é você? ― ela perguntou olhando para Albert. ― Quem são vocês? ― dessa vez olhando para seus pais. As empregadas não se aguentaram de rir enquanto Hendrick exigia da filha uma explicação. ― Kestra, o que significa isso? ― Ora! Sangue novo. ― ela comentou enquanto caminhava ao redor do rapaz. ― Obrigada papai por me trazer mais um. Dessa vez eu vou fazer diferente, quero ver o sague desse aqui escorrer pela correnteza. ― Kestra, pare já com isso! ― exclamou Hendrick com raiva. ― Peço desculpas pelo comportamento infantil da minha filha. Prometo que vou corrigi-la. ― Hendrick voltando-se para o rapaz todo envergonhado. ― Me desculpe senhor Vandeberg, mas eu lembrei que preciso voltar para casa. ― Albert falou se tremendo todo. ― Lembrei que preciso ajudar meu pai e eu nem deveria ter vindo aqui. Até mais ver! Albert caminhou depressa em direção à porta esquecendo-se até mesmo de seu chapéu. Ele montou em seu cavalo e saiu em disparada. Kestra se jogou no sofá dando gargalhadas enquanto seu pai a chamava de irresponsável e que agora toda a região iria dizer que ele tinha uma filha louca. Kestra respondeu dizendo não se importar com que os outros pensassem dela, mas que não iria se casar sem amor. A jovem foi para o quarto enquanto Hendrick foi investigar de quem saiu à ideia estapafúrdia de Kestra e, Joana, uma das empregadas revelou que a garota lhe havia pedido o sangue de uma galinha que ela havia matado para o almoço, porém desconhecia para que fim fosse servir o sangue. ― Pois da próxima vez que minha filha fizer um pedido estranho desses, eu demito quem ceder. ― ameaçou Hendrick e foi para o seu quarto conversar com Helena a respeito da rebeldia de Kestra. Naquele mesmo dia em Amsterdã, Luuk recebeu uma carta nada animadora de uma de suas filiais, no mesmo instante ele chamou Willy que conversava com Levi a respeito do legado da família. ― Aconteceu alguma coisa, meu pai? Parece nervoso. ― Willy perguntou preocupado. ― Sente-se ai, pois o que tenho a dizer é grave. ― disse Luuk com expressão abatida. ― Então eu vou saindo, pois de assuntos graves eu não gosto muito. ― disse Levi e em seguida deixou seu pai e irmão. Luuk baixou a cabeça em sinal de decepção pelo filho mais velho. ― Ele era quem deveria estar aqui, no entanto tudo o que sabe fazer é beber e se deitar com as empregadas durante a noite. ― falou com decepção. ― Ainda bem que Deus me deu você, Willy. ― Esquece o Levi, pai. Um dia ele toma jeito. ― Willy falou segurando na mão do pai. ― Mas me conta o que está acontecendo de tão grave. Luuk contou ao filho que devido à estranha seca que assolava o Norte da Europa, duas de suas maiores fazendas haviam pegado fogo e os prejuízos foram gigantescos. Segundo o patriarca, as outras fazendas menores não teriam produtos o suficiente para custear as despesas e pagar as dívidas dos anos anteriores. ― Mas isso é uma tragédia. O que vamos fazer agora pai? Onde vamos arranjar dinheiro? ― Willy preocupado. ― Podemos recorrer ao banco. Com certeza nos empresta. Luuk se levantou de sua cadeira e caminhou devagar até próximo à janela. Ele colocou a mão no bolso e olhou para o alto suspirando. ― Pai, por que o senhor ficou calado de repente? O que mais tem para me contar? ― Willy aproximando-se do pai. ― Nós não temos como pedir empréstimos ao banco meu filho. Você se lembra daquela vez que perdemos três navios em uma tempestade? Pois é, eu pedi dinheiro aos bancos para comprar outros navios, mas por algo que eu não entendi até hoje, não conseguimos pagar e agora querem tomar nossas terras. Nossa única saída era a colheita desse ano, mas como as duas maiores fazendas queimaram, eu não sei mais o que fazer. ― Luuk falou e retornou para sua cadeira. ― Mas pai, como que o senhor deixou isso acontecer? Depois que eu me formei, sempre verifiquei os lucros da empresa e afirmo entrou muito dinheiro. O que foi que o senhor fez para falir a gente assim em tão pouco tempo? ― perguntou Willy indignado. Luuk não teve outra saída senão explicar o real motivo de ter saído tanto dinheiro de sua empresa, mas a explicação aumentou ainda mais a indignação do filho mais novo. ― Levi. ― disse Luuk.                    ― Levi? Mas o que O Levi tem haver com isso? Nem se ele vivesse vinte e quatro horas por dia na bebedeira e com prostitutas conseguiria gastar tanto. ― Willy rebateu. ― O problema é que naquela viagem que ele fez ao Oriente Médio no ano passado, eu não te contei, mas seu irmão se envolveu com a filha de um sheik. Ele se deitou com ela e por causa disso o sheik quis mata-lo. Mas para nossa surpresa o homem é mais ambicioso do que religioso, ele prometeu que libertaria Levi em troca de muito dinheiro e eu sem ter alternativa, paguei pelo resgate e por isso estamos nessa situação. Willy levantou-se e deu socos na mesa. Visível era sua indignação. ― Aquele irresponsável! Eu vou acabar com a raça dele! ― Willy exclamou e saiu correndo até o jardim onde Levi se encontrava fumando um charuto. ― Qual o problema? A conversa deve ter sido estressante pela sua cara de tédio. ― Levi falou após soltar a fumaça pela boca, em seguida sorriu com de deboche. ― Seu infeliz! Willy avançou contra o irmão dando-lhe um soco sem que o mesmo estivesse esperando. Luuk chegou logo em seguida e pediu a Willy que ficasse calmo, mas o jovem não conseguia dominar sua raiva. ― Por que você me bateu? Por acaso ficou louco? Isso não vai ficar assim! Levi avançou contra o irmão agarrando-o pela cintura dando socos nas costelas de Willy, enquanto este dava cotovelada em suas costas. A mãe dos jovens, Maria, ouviu aquela confusão e ao chegar ao jardim viu seus dois filhos atracados um no outro. Ela desmaiou logo em seguida enquanto isso os dois irmãos rolavam pelo chão agredindo-se mutuamente com socos e puxões de cabelo. Luuk não sabia se separava os filhos ou se socorria a esposa caída no meio do jardim, até que os empregados se aproximaram e dois deles separou os irmãos jogando cara um para um lado. ― Eu vou embora daqui e não mais pisarei os pés nessa casa maldita novamente! ― Levi gritou, em seguida limpou a boca ensanguentada com as costas de uma das mãos. ― Pois não tarde em fazer isso, seu irresponsável! Por sua culpa, por culpa desse seu comportamento profano agora estamos falidos! ― Willy desbocou arrancando ainda mais espanto de sua mãe. Luuk pediu que uma das empregadas levasse Maria para dentro de casa enquanto chamou os dois filhos para conversar. Luuk explicou a Levi que por conta de sua aventura no Oriente Médio ele teve de pagar uma grande quantidade em dinheiro ao sheik e assim ele pudesse retornar com vida para casa. Levi se sentiu envergonhado, pois até então não sabia que tinha sido libertado a custa da empresa de seu pai. Ele via que Willy já não mais o queria ali e por isso baixou a cabeça e depois de se despedir de sua mãe, Levi deixou a mansão dos De Vries. ꙳꙳꙳ Seis meses se passaram e a situação dos De Vries ficava cada vez mais insustentável, foi quando Luuk por acaso encontrou Hendrick na entrada de um banco em Amsterdã. Hendrick notou que a expressão de Luuk estava abatida e perguntou se havia algo que o mesmo pudesse fazer. ― É muito difícil falar a respeito do que está acontecendo comigo, meu caro. Mesmo assim vou contar. Acontece é que eu estou falido, eu perdi tudo o que tinha e agora até as minhas fazendas eu terei de entregar aos bancos. ― Luuk contou emocionado. ― Meu Deus! Como uma tragédia dessas foi acontecer, Luuk? Você sempre foi tão seguro em tudo o que faz, muito do que sei aprendi com você. ― lamentou Hendrick segurando a mão do empresário. Hendrick o convidou para que o acompanhasse num café e ali Luuk contou o que o havia levado à falência. Hendrick ficou pasmo em saber que um de seus filhos havia feito aquilo e mencionou que estava tendo problema com uma de suas filhas. ― Suponho que seja a mais nova, pois me lembro do casamento da mais velha. ― disse Luuk. ― Mas o que uma jovem tão doce poderia fazer para deixar seu pai tão perturbado? ― Doce? De longe até que dá para enganar, mas de perto... Hendrick contou que estava com dificuldades em casar sua filha, pois a mesma espantava das piores formas os pretendentes. Luuk sorriu e disse que gostaria que seu filho Willy conhecesse uma moça que lhe fizesse jus à sua inteligência e carisma. Hendrick ao ouvir isso rapidamente pensou em Kestra e recordou que a filha havia olhado com bons olhos para o filho de Luuk. ― Escuta Luuk, eu tenho uma proposta para fazer a você. ― disse Hendrick com olhar sorrateiro. ― E qual seria? ― perguntou Luuk desconfiado. ― Eu ajudo você a recuperar as suas fazendas e em troca você convence seu filho a se casar com minha filha Kestra!
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