Devaneios

1993 Words
No dia seguinte Luuk retornou para sua casa. Ele percebeu que Willy e Maria conversavam, mas antes de ir até os dois, ele foi ao seu quarto guardar sua pasta. Na sala, Willy tentava confortar sua mãe que estava aflita por ter de a qualquer momento deixar a casa que tanto cuidou com zelo e dedicação e onde deu à luz e criou seus dois filhos. ― Escuta mãe, não precisa ficar preocupada se a gente tiver de sair desta casa. Eu estive com Selina e vamos nos casar. O pai dela tem uma pequena fazenda perto de Haia e depois do casamento ele vai me dar ela para que eu possa cultivar. Eu vou levar você e o papai para morar com a gente, já falei com Selina e ela concordou, disse que será uma honra morar junto com vocês ― ele falou sorridente. ― Meu Willy! ― ela falou tocando com carinho o rosto do filho. ― Sinto falta do Levi, mas agradeço por ter você comigo. Nesse momento Luuk entrou na sala com um largo sorriso no rosto. Maria e Willy não entenderam o motivo de tanta alegria, mas ficaram felizes pelo pai e marido. Luuk contou que encontrou um antigo colega de escola, o mesmo no qual eles compareceram ao casamento de uma de suas filhas, Hendrick Vandeberg. Willy e Maria recordaram-se do homem e Luuk completou dizendo que o mesmo lhe ofereceu ajuda pagando todas as dívidas dele. ― Mas isso é ótimo! ― Willy exclamou com alegria. ― Finalmente alguém que vai nos emprestar o dinheiro que precisamos. E como nós vamos pagar? Quais as formas de pagamento exigidas por ele? ― perguntou. ― Na verdade ele não vai nos emprestar esse dinheiro, ele vai nos dar. ― falou Luuk pausadamente. ― Como assim dar? ― Maria perguntou. ― Essa história está começando a ficar estranha, senhor meu marido! ― Sim, ele vai nos dar. Mas ele vai fazer isso com uma condição e a decisão final está em suas mãos Willy. ― Luuk olhou para o filho franzindo os lábios. Willy olhou espantado para o pai. ― De mim? E por que isso agora? ― ele perguntou sem entender. ― Hendrick Vandeberg propôs pagar todas as nossas dívidas e me devolver às fazendas e os navios e em troca você deve se casar com a filha mais nova dele, Kestra Vandeberg. ― Luuk sendo concreto. Nesse momento descaiu-se o semblante de Willy. Luuk tentou animá-lo dizendo que Kestra era uma moça muito bela e que ele seria feliz com ela. Willy por sua vez pediu ao pai um tempo para pensar no assunto, pois aquela não era uma decisão a ser tomada sem um tempo para reflexão. Luuk concordou e Willy deixou a sala cabes baixo e foi para o seu quarto. Seu pai não entendeu o motivo do filho ter ficado tão triste, já que ele mesmo sempre dizia almejar uma solução para a família, foi então que Maria revelou ao marido que Willy havia pedido Selina casamento e que inclusive o pai dela daria a ele o direito de cuidar e cultivar a fazenda da família que ficava ao Sul de Haia. Ela revelou também que o plano do filho era leva-los, ela e Luuk para morar com eles. Luuk ficou triste pelo filho. ― Eu não sabia que ele havia pedido a Selina em casamento. Então foi por isso que ele ficou triste daquele jeito. ― comentou seu pai. ― Eu também fiquei sabendo pouco antes de você chegar. Ele estava muito feliz. ― Maria comentou. ― Mas não tem problema. Hendrick me deu uns dias para enviar a resposta e eu vou enviar amanhã mesmo. Vou falar com o Willy que ele não precisa fazer isso. ― disse Luuk dando um beijo na testa de sua esposa. Luuk entrou no quarto de Willy e o rapaz estava de pé e com os braços cruzados em frente à janela. O quarto estava meio escuro e a cama um pouco bagunçada. Luuk então disse ao filho que Maria o fizera saber do noivado dele com Selina e que já não precisava mais pensar no assunto Kestra. Enquanto seu pai falava, Willy observava da janela sua mãe tristonha acariciando as rosas do jardim, era como se ela estivesse se despedindo do lugar, então Willy olhou para o pai por cima do ombro e falou. ― O senhor não vai fazer nada! Eu já disse que quero um tempo para pensar na decisão que vou tomar e lhe peço que respeite isso! ― falou Willy, imperiosamente. ― Mas filho! Eu vejo que você está triste e além do mais você ama a Selina. Sua mãe e eu vamos ficar bem, não precisa você fazer isso! ― Luuk tentando convencer o filho. ― Meu pai, por favor! Eu já disse que vou pensar no irei fazer. Um dia vou ficar no seu lugar como chefe dessa família. ― falou virando-se para o pai. ― E ser um líder às vezes implica em tomar decisões que não nos agrada e fazer sacrifícios que nos causará muita dor. Mas esse é o preço que deve ser pago por alguém na minha posição, agora, por favor, me deixa ficar um pouco sozinho! ― Está bem! Eu vou respeitar sua posição! ― Luuk dirigiu-se à porta, deixando o filho a sós. ― Você superou todas as minhas expectativas, Willy. ― falou consigo mesmo fechando a porta. ꙳꙳꙳ Alguns dias depois a situação na casa dos De Vrie estava cada vez mais caótica, pois eles já não tinham dinheiro mais para nada e todos os empregados haviam ido embora, exceto Betina, uma portuguesa que estava com a família desde em que Maria e Luuk se casaram. Maria havia dito a Betina que procurasse outro trabalho onde pudesse receber por ele, mas a mulher respondeu que não a deixaria por nada, pois a tinha como sua irmã. Maria emocionou-se e abraçou Betina chamando-a de amiga e que jamais poderia pagar pelo que ela estava fazendo. Na hora do almoço apenas uma sopa rala foi servida, mas Betina surpreendeu a todos trazendo carne para acompanhar. ― De onde você trouxe essa carne, Betina? ― Maria perguntou. ― Meu marido arranjou trabalho ajudando a abater bois e ele ganhou muita carne senhora. ― a mulher falou sorridente. ― Você trouxe a carne de sua casa para nó? ― Willy perguntou. ― Betina não faz isso. Mesmo que seja muito, você tem sua família para sustentar. E ainda mais agora que sua sobrinha veio morar com vocês. ― Quanto a Catarina, o menino não precisa se preocupar. Nós vamos ficar bem, agora vão comer que vocês precisam ficar fortes. ― respondeu Betina e em seguida retornou para sua casa. Betina havia deixado à casa dos empregados, pois a qualquer momento o banco executaria a hipoteca despejando a família dali. No dia seguinte ao acordar, Willy ouviu uma movimentação na casa, várias pessoas andando pelos corredores, então ele vestiu o roupão foi verificar o que estava acontecendo. Ao abrir a porta se deparou com vários homens carregando os móveis da casa, alguns de valor sentimental. ― O que estão fazendo? ― ele perguntou. ― O banco mandou confiscar, esses móveis vão para um museu. ― respondeu um dos trabalhadores. Willy correu até sua mãe e ela estava sentada em uma cadeira chorando muito. O coração do jovem se partiu ao ver sua mãe naquele estado sendo consolada por Betina, ele então fechou os punhos, mas respirou fundo e foi até sua mãe abraçando-a calorosamente. ― Isso tudo é culpa do Levi. ― resmungou com raiva. ― Filho, por favor, não odeie seu irmão. Isso me deixa mais triste ainda. ― Maria comentou chorando. ― Não, minha mãe! Estás equivocada, eu não odeio o meu irmão. ― afastou-se levemente e olhou nos olhos de sua mãe. ― Pode ficar tranquila quanto a isso e eu prometo que tudo vai ficar bem. Na noite daquele mesmo dia, a família estava reunida para o jantar, um guisado que havia sido preparado na casa de Betina. Willy e seus pais que outrora se sentavam a uma bela mesa e comiam em aparelhos de jantar sofisticados, agora estavam sentados em bancos velhos e comendo em pratos de metal. Entre um punhado e outro que Willy colocava em sua boca ele pensava no futuro que teria em suas opções, de um lado a mulher da sua vida e do outro uma verdadeira deusa da beleza pela qual não nutria sentimento algum, mas que poderia salvar sua família de uma vida da qual não estava acostumado. ― Pai, mãe. Eu tomei minha decisão! ― ele falou com firmeza. ― Diga a Hendrick Vandeberg que eu aceito me casar com a filha dele. ― Sério filho? ― perguntou Luuk assustado. ― Sim! ― Mas você tem certeza disso? Tem certeza que é isso que você quer? ― novamente Luuk perguntou. ― Envie a carta para ele. Essa vida de miséria acaba agora! ― respondeu olhando para frente friamente. ― Está bem, mas termine de comer, por favor. ― Maria pediu entregando o prato de volta para o filho. Willy fez o que sua mãe pediu e comeu o restante da comida. Ele se despediu de seus pais e foi para seu quarto. Willy despiu-se antes de dormir ficando completamente nu diante do espelho, ele olhou seu reflexo e começou a falar consigo mesmo. ― Um novo Willy nasce hoje. Kestra Vandeberg, não pense que irá se casar com o mais fiel dos maridos, ou com o mais gentil dos homens. Já que não poderei viver um amor verdadeiro, vou procurar proporcionar ao meu corpo o máximo de prazer que eu conseguir com quantas mulheres eu puder ter. Talvez Levi esteja mesmo certo, excesso de responsabilidades às vezes só nos destrói! Mas eu não serei destruído, vou me casar e recuperar a fortuna dos meus pais e não abrirei mão dos prazeres que tudo isso vai me proporcionar! ꙳꙳꙳ Na fazenda dos Vandeberg, Hendrick finalmente retornou de seus compromissos fora. Helena ficou feliz ao ver que o marido estava de volta, ele então chegou com uma notícia muito boa para a família, menos para Kestra. ― E o que de tão importante o senhor quer me contar? ― ela perguntou esperando algo extraordinário e era. ― Você vai se casar! ― Hendrick falou sem rodeios. ― Claro que vou. ― ela respondeu. ― Quando eu achar um pretendente que seja do meu agrado. Seu pai virou-se para ela e respondeu sem pestanejar. ― Quanto a isso não se preocupe, por que eu já providenciei um para você. ― disse com voz firme. Kestra fez menção de responder, Helena ficou de queixo caído. ― E nem pense em aprontar com este, pois mesmo que você saia voando pelo jardim montada em uma vassoura, você vai se casar sim! ― concluiu. ― Montada em uma vassoura? Dessa vez o senhor foi longe demais. ― retrucou Kestra, Hendrick e Helena franziram o cenho. ― Mas eu posso saber ao menos de quem se trata a criatura? Hendrick fez silêncio por alguns segundos antes de responder a filha. ― Eu poderia muito bem fazer como naqueles países radicais onde a noiva só conhece o noivo no dia do casamento e você bem que merecia isso. ― Kestra arregalou os olhos, seu pai prosseguiu. ― Mas você já o conhece, pelo menos conheceu. É Willy De Vries. ― Eu nunca vi essa pessoa, pelo menos não me lembro. ― respondeu sacudindo a cabeça. ― Lembra sim. Ele esteve aqui no dia do casamento de sua irmã. Um rapaz que você achou bonitinho, loiro, cabelos nos ombros. Filho de Luuk De Vries e irmão de Levi De Vries. ― concluiu Hendrick. ― Desse lembro-me muito bem. ― Kestra falou desconfiada, pois recordou da cena presenciada por ela e protagonizada por Levi e Dael embaixo da escada. ― E como eu me lembro!
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