CAP 4 - O LENÇO

5000 Words
Floriani coloca sua mão no lenço e questiona: - O que tem ele? Arthur fala incisivamente: - Ele evidencia seu trejeito. Deixa claro quem você é. Floriani afirma: - Quanto a deixar claro quem eu sou, concordo. Já disse: Não tenho trejeitos. - Ele em seguida solta uma piadinha: - Sou o Freddy do Scoobydoo. - Fala rindo. Rebeca ri junto. Arthur fica sério. Arthur desapontado diz: - Vocês prometeram que iriam me ajudar, mas tudo o que eu falo vocês retrucam e teimam. Rebeca se mete: - O nome disso é argumentar. Nós - diz, apontando com o dedo para ela e para Flor, continuando: - Somos seres pensantes e livres. Arthur mais uma vez demonstra desapontamento: - São sim e eram livres para não vir. Aceitando os termos então deveriam cumpri-los. Rebeca exalta-se: - Isso não é um contrato Arthur. Isso é nossa família. Floriani, fazendo gesto de pedindo calma, diz: - Meus amores não precisamos discutir. Rebeca diz olhando para Flor: - Discutir é bom Flor. Aceitar tudo que não é saudável. Arthur: - Lá vem você, implicar com o jeito do Flor e iniciar uma guerra, como se eu fosse um ditador. Rebeca arregala os olhos e, faz sim com a cabeça, concordando. Arthur olha para Flor perguntando: - Eu sou um ditador Flor? Flor responde: - Não mesmo! Está mais para um macho alfa. - Diz sorrindo. Rebeca vira os olhos e, revoltada, diz saindo da cozinha: ! Flor fala sussurrando para Arthur: - Deixa que vou acalmar o leão. Rebeca está em seu quarto e Precioso está com ela. Flor bate antes de entrar pela porta. Rebeca responde: - Pode entrar Flor. Flor entra suavemente e senta na cama. Ele pergunta: - Como sabia que era eu? Rebeca faz gesto de um com a mão e começa a dizer uma lista (contando com os dedos juntos): - Número um: Arthur nunca vem atrás de mim. Número dois: você sempre vem atrás de mim. E número três: Eu escuto a Gal, lembra? - diz apontando o dedo para cima. Floriani colocando a mão na perna de Rebeca, batendo, diz: - Verdade… Em um breve silêncio Rebeca exclama: - Não sei porque fico entre vocês. No final das contas eu sempre sou a errada. Flor aponta o dedo para cima, como querendo “dar de dedo”, em Rebeca gentilmente: - Isso não é verdade. Muitas vezes fico do teu lado contra Arthur. Aliás, não sou contra ninguém. Apenas fico do lado da razão, embora eu seja pura emoção. Vocês dois são dois desastres naturais. Juntos explodem tudo! Rebeca sorri e pergunta: - Eu sou o que? Terremoto? Arthur é o Tsunami com certeza. - Os dois riem juntos concordando. Floriani complementa: - Você pode ser um terremoto sim...nunca sabemos o que vai acontecer com um. O Arthur meio que desconfiamos ne? Quase sempre ele nos surpreende, negativamente. Tem a cabecinha repleta de medos, preconceitos familiares e sociais, futilidades para manter as aparências...Se ele se livrasse disso tudo e ouvisse o seu coração... Rebeca continua: - E discordar não é bom? Não é discutir. E não devemos isso para amestrar o Arthur? Floriani solta uma gargalhada e diz: - Amestrar é muito bom. Nosso macaquinho peludo. - Solta mais uma gargalhada e então continua: - É que discordo, de uma maneira não tão desafiadora. Rebeca: - Eterno diplomata. Floriani completa o pensamento de Beca: - E você eterna revolucionária. - Os dois riem juntos novamente. - Floriani continua: - Você bate de frente com Arthur, sempre. Ele não gosta. Porém, acho que é isso que alimenta o desejo dele por você. Rebeca sorri e abaixa os olhos. Floriani continua: - Eu acho que ele te admira muito e te acha muito forte. Eu posso ser o açúcar da vida dele, mas você é a pimenta. Rebeca mais uma vez sorri e deita a cabeça no colo de Flor. Ele afagando a cabeça dela diz: - Eu sei que você só quis me defender, mas o Arthur está certo. Rebeca levanta a cabeça e diz: - Certo como Flor? Ele quer tirar sua personalidade. Flor pega no queijo de Rebeca e afaga dizendo: - Bobinha...ninguém pode tirar minha personalidade. Ele pode escondê-la por uns tempos… Rebeca: - Como esconde a dele todos os dias? Flor: - Sabíamos que teríamos que fazer sacrifícios, para ficarmos do lado dele. Rebeca: - Será que escolhemos certo? Flor: - Estamos do lado dele, então só pode ser certo. Rebeca ainda questiona: - Mas até onde iremos com tudo isso? Flor: - Até onde o amor nos levar. Rebeca sorri e diz: - Isso é letra de música... Flor: Lembramos da mesma coisa. - Eles ficam em silêncio por uns segundos, se entreolham e começam a cantar juntos um trecho da música, Onde o amor me Leva, de Rosana: - "E hoje, vou por onde o amor me leva..." Flor complementa: - Precisamos ter paciência com o Arthur. Ele está perdendo a sua mãe, precisa negar quem é, para ter a aprovação dela, e receber o que é seu de direito. Pensa em como ele está se sentindo. Rebeca: - E como você vai se sentir sem o seu lenço? Flor deixando transparecer uma leve tristeza responde: - Vou me sentir nu. - Precioso, lambe o seu rosto. Flor, o abraça emocionado, já demonstrando um olhar melhor. Rebeca: - Você é sempre assim né Flor? Flor: - Assim? Como? Rebeca: - Não importa o quanto esteja tudo errado e h******l, você sempre sorri e espera o melhor. Flor: - A tempestade sempre passa Beca e o sol sempre brilha. - Ele diz isso e tira seu lencinho. Rebeca afaga seu rosto. Flor pega seu lenço e coloca no cabelo de Rebeca. Ele sorri e diz: - Amei. Esses cachos loiros deixam tudo perfeito! Agora você vai combinar sempre com Precioso usando meus lenços. Assim eles não mofam na gaveta! Rebeca: - Combinado! Ele levanta e dá a mão para Rebeca, que levanta também e a segura. Então ele começa a dançar com Beca e a cantar a música, o hino maravilhoso, para todos os momentos que precisamos nos superar I Will Survive: “I Will Survive At first, I was afraid, I was petrified Kept thinkin' I could never live Without you by my side But then I spent so many nights Thinkin' how you did me wrong And I grew strong And I learned how to get along And so you're back from outer space I just walked in to find you here With that sad look upon your face I should've changed that stupid lock I should've made you leave your key If I had known, for just one second You'd be back to bother me Well, now go! Walk out the door! Just turn around now 'Cause you're not welcome anymore! Weren't you the one Who tried to hurt me with goodbye? Did you think I'd crumble? Did you think I'd lay down and die? Oh no, not I! I will survive! Oh, as long as I know how to love I know I'll stay alive! I've got all my life to live I've got all my love to give And I'll survive! I will survive! Hey, hey! It took all the strength I had Not to fall apart And trying hard to mend the pieces Of my broken heart And I spent, oh, so many nights Just feeling sorry for myself I used to cry But now I hold my head up high! And you'll see me, somebody new I'm not that chained up little person Still in love with you And so you felt like droppin' in And just expect me to be free But now I'm savin' all my lovin' For someone who's lovin' me! Go on now! Go! Walk out the door! Just turn around now! 'Cause you're not welcome anymore! Weren't you the one Who tried to break me with goodbye? Did you think I'd crumble? Did you think I'd lay down and die? Oh no, not I! I will survive! And as long as I know how to love I know I'll stay alive! I've got all my life to live I've got all my love to give And I'll survive! I will survive! Oh Go on now! Go! Walk out the door! Just turn around now! 'Cause you're not welcome anymore! Weren't you the one Who tried to break me with goodbye? Did you think I'd crumble? Did you think I'd lay down and die? No, no, not I! I will survive! And as long as I know how to love I know I'll stay alive! And I've got all my life to live And I've got all my love to give And I'll survive I will survive! I will survive!” Como Sempre colocarei a tradução: “Eu Vou Sobreviver No início eu tive medo, fiquei paralisada Fiquei pensando que nunca conseguiria viver Sem você ao meu lado Mas então eu passei tantas noites Pensando em como você me fez mal E eu me fortaleci E eu aprendi a me recompor E então você reapareceu do nada Acabo de entrar em casa e encontro você aqui Com aquele olhar triste no seu rosto Eu devia ter mudado a maldita da fechadura Eu devia ter feito você deixar sua chave Se eu soubesse, apenas por um segundo Que você voltaria para me incomodar Bem, agora vá! Saia pela porta! Simplesmente dê meia volta agora Porque você não é mais bem-vindo Não foi você Quem tentou me machucar com o adeus? Você pensou que eu ia ficar aos pedaços? Você pensou que eu ia me deitar e morrer? Oh não, eu não! Eu vou sobreviver! Oh, enquanto eu souber como amar Eu sei que permanecerei viva Eu tenho minha vida toda para viver Eu tenho todo meu amor para dar E eu vou sobreviver! Eu vou sobreviver! Hey, hey! Foi preciso encontrar toda a força que eu tinha Para não desabar E tentando de tudo para juntar os pedaços Do meu coração partido E eu passei tantas noites Só sentindo pena de mim mesma Eu costumava chorar Mas agora eu mantenho minha cabeça bem erguida E você vai me ver, como um novo alguém Não sou aquela pessoinha acorrentada Ainda apaixonada por você E então te bateu vontade de fazer uma visita E achou que eu estaria disponível Mas agora estou guardando todo meu amor Para alguém que me está amando Agora vá! Vá! Saia pela porta! Simplesmente dê meia volta agora Porque você não é mais bem-vindo Não foi você Quem tentou me machucar com o adeus? Você pensou que eu ia ficar aos pedaços? Você pensou que eu ia me deitar e morrer? Oh não, eu não! Eu vou sobreviver! Enquanto eu souber como amar Eu sei que permanecerei viva Eu tenho minha vida toda para viver Eu tenho meu amor todo para dar E eu vou sobreviver! Eu vou sobreviver! Oh Agora vá! Vá! Saia pela porta! Simplesmente dê meia volta agora Porque você não é mais bem-vindo Não foi você Quem tentou me machucar com o adeus? Você pensou que eu ia ficar aos pedaços? Você pensou que eu ia me deitar e morrer? Oh não, eu não! Eu vou sobreviver! Oh, enquanto eu souber como amar Eu sei que permanecerei viva Eu tenho minha vida toda para viver Eu tenho todo meu amor para dar E eu vou sobreviver! Eu vou sobreviver! Eu vou sobreviver!” Terminando de dançar e cantar, eles vão até a cozinha. Arthur olhando Flor sem o lencinho diz: - Aleluia. Rebeca, contrariada, dá meia volta para sair de novo da cozinha. Flor, pega sua mão, e a segura. Olha para Arthur e, com os olhos, o repreende. Então vira-se para Rebeca e diz: - Vamos sentar juntos, como uma família. - Ele para olha para Arthur e continua: - Sem mais problemas nem discussões. Arthur olha para ele e com as mãos pergunta: - O que? Flor fechando os olhos faz não com a cabeça. Ele diz em tom de brincadeira: - Agora se o Terremoto - olha para Rebeca e virando-se para Arthur diz: - ... e o Tsunami deixarem, a Terra Santa aqui vai sossegar e tomar um café em paz? - todos riem. Flor esconde realmente como se sentiu. Talvez se Arthur falasse de outra forma, se tivesse mais cuidado com os seus sentimentos. Ele entendia a forma, até mesmo rude, às vezes, de seu amor. Porém tinha momentos que se cansava. Queria desistir de ser tão compreensivo e falar tudo o que não gostava, mas sempre se colocava no lugar de Arthur. Também se preocupava com Beca. Precisava acalmá-la. Ela sempre se doida demais por ele a ponto de brigar com Arthur. Ela literalmente escolhia sempre Flor. Ele sabia como Arthur se sentia por isso. Então engolia, seu orgulho e egoísmo, junto com seu amor próprio, pensando em todos menos nele. Na verdade, a música que queria cantar era Na Sua Estante da maravilhosa Pitty. Ele se imaginava todo poderoso, com roupa e maquiagem pretas, cantando, dançando e se sentindo superior à falta de valor que Arthur lhe dava. Deixo aqui a letra da música enquanto vocês entram nos pensamentos de Flor: “Na Sua Estante Te vejo errando e isso não é pecado Exceto quando faz outra pessoa sangrar Te vejo sonhando e isso dá medo Perdido num mundo que não dá pra entrar Você está saindo da minha vida E parece que vai demorar Se não souber voltar ao menos mande notícias Cê acha que eu sou louca Mas tudo vai se encaixar Tô aproveitando cada segundo Antes que isso aqui vire uma tragédia E não adianta nem me procurar Em outros timbres, outros risos Eu estava aqui o tempo todo Só você não viu E não adianta nem me procurar Em outros timbres, outros risos Eu estava aqui o tempo todo Só você não viu Você tá sempre indo e vindo, tudo bem Dessa vez eu já vesti minha armadura E mesmo que nada funcione Eu estarei de pé, de queixo erguido Depois você me vê vermelha e acha graça Mas eu não ficaria bem na sua estante Tô aproveitando cada segundo Antes que isso aqui vire uma tragédia E não adianta nem me procurar Em outros timbres e outros risos Eu estava aqui o tempo todo Só você não viu E não adianta nem me procurar Em outros timbres, outros risos Eu estava aqui o tempo todo Só você não viu Só por hoje não quero mais te ver Só por hoje não vou tomar minha dose de você Cansei de chorar feridas que não se fecham Não se curam (não) E essa abstinência uma hora vai passar essa abstinência uma hora vai passar” Flor está sonhando com sua revanche, e é despertado por uma voz ao longe de Arthur. Ele se assusta dizendo: - Ai gente, não precisa gritar. Arthur: - Estou te chamando já faz tempo. Está aí parece que dormindo e olhos abertos. Beca: - Nem faz tanto tempo assim vai. Flor - Arthur, sempre dramático. Beca gargalha. Arthur faz cara de nojinho. Logicamente não deixei Beca saber da narrativa sobre Flor. Isso era uma superação dele, se ela soubesse como ele se sentia realmente, iria tentar mudá-lo, desrespeitado por amor, o seu livre arbítrio. O mais incrível de tudo era que Beca achava Flor totalmente transparente. Nem sonhava o quanto ele também escondia sentimentos. Creio que dele mesmo. Vivia tentando sempre ser correto e compreensivo, que sufocava seu lado humano. Arthur levanta, dizendo: - E sabe o que vou fazer? Vou lá ver tuas roupas, florzinho. Daí já tiro o que é muito chamativo e não temos essa discussão de novo. Beca sai atrás de Arthur gritando: - Você não pode fazer isso não. Agora vai dizer o que Flor pode vestir? Arthur: - Normalmente não. Agora aqui em Chatville, conversamos antes de vir, e falei sobre isso tudo. - Ele então começa a tirar as roupas de Flor do armário e colocar na cama. Beca pega as roupas e segura. Flor entra com uma carinha triste. Sem conseguir disfarçar, faz para Beca com a mão, como que dizendo para deixar para lá. Beca olha com cara de não acredito e, coloca as roupas sobre a cama e sai, batendo com os braços do lado do corpo. Flor então começa a tirar tudo do cabide e a dobrar. Arthur nem se toca da tristeza dele. Só o que importa é seu ponto de vista. Flor puxa uma mala grande de cima do armário. Ele então começa a guardar tudo o que Arthur tira, dentro. Arthur: - Isso, florzinho, separa para não se confundir. - Ele coloca a mão no ombro de Flor dizendo: - É só por um tempo, amor. Prometo. - Fala e dá um beijo na testa de Flor, saindo. Flor deixa escorrer uma lágrima, mas a seca rapidamente, sem deixar de guardar as roupas. Beca está em seu quarto deitada. Vejo que está aflita pelo Flor. Eu puxo assunto: - Desabafe, querida. Beca: - Você viu a carinha do Flor? Eu respondo: - Vi sem meu amor. Beca: - Tem momentos que queria bater no Arthur, por ser tão i****a. Respondo: - Somos duas. Beca: - O que eu faço, Gal? Eu: - Querida, você não pode fazer nada. Isso, Flor que precisa aceitar ou não. Beca: - Ele não vai. Conheço. Eu: - Então não há nada para você fazer. Beca: - Fico aqui morrendo por dentro e ele lá morrendo também? Eu: - Tente apenas animá-lo. Não fique com carinha de enterro. Ele tem livre arbítrio, Beca. Beca: - Ele vai levar na cabeça porque é bom? Eu: - Se não souber se defender ... sim. Beca: - E Arthur? Eu: - Vai ter que aprender a ser menos egoísta por bem ou por m*l. Confie na espiritualidade. Beca: - O pior que se Arthur sofrer, nós dois também sofremos juntos. Eu: - Vocês precisam deixar cada um seguir seu caminho espiritual. Ninguém pode viver pelo outro. Beca: - Vou lá ver Florzinho. O que estou fazendo? Você vai estar junto. Falo como se fosse ficar aqui. - diz rindo dela mesmo. Em seu quarto, Arthur está se remoendo. Logicamente não deixo Beca saber disso. Tudo tem sua hora. Ele sabe o quanto Flor ama seus lenços. Sabe como foi difícil bancar o insensível tirando as roupas mais alegres de Flor do armário. Sabe tudo que pediu para que fizessem, se quisessem ficar do seu lado. Sabia que mesmo sendo escolha deles, tudo que pedira era muito. Não queria que tivessem que se submeter a tudo isso. Em seu íntimo escondido batia um arrependimento. Começava a se questionar do que realmente importava. Ele então resmunga para si: - Porcaria de dinheiro. Porque para fazermos tudo que sonhamos, precisamos tanto dele? Queria que ele me ouvisse, mas seria inútil. Ele possuía uma mediunidade, mas não se preocupava em desenvolvê-la. Estava adormecida, como a da maioria dos terráqueos. Se pudesse confortá-lo. Essa parte de Arthur ainda era escondida dos outros dois. Flor até conhecia por intuição, mas jamais tinha tido contato real. Seu coração apertava ao ver a carinha de Flor. Sim ele notara mesmo bancando o indiferente. Sabia o quanto Flor se fazia de forte e indiferente, mas que era sensível e meigo. Embora Beca fosse mais frágil e menos preparada para situações adversas. Tinha certeza que, em sua falta, precisando, Flor sempre seria mais forte que a Beca para ampará-la. Mesmo ela demonstrando ser muito forte, na hora dos sentimentos era a mais delicada das criaturas. Em certos momentos, quando precisava ser enérgico com eles, gostaria de sair dali correndo e voltar à vida que tinham antes. Jamais deixariam os dois saberem disso, mas constantemente ele se arrependia de sua decisão de ir para Chatville. No quarto de Flor, Beca entra sem bater. Ele olha para ela sem dizer nada. A mala está um tanto cheia. Beca senta em cima para ajudá-lo a fechar. Os dois começam a rir da dificuldade. Beca quase caí várias vezes. Flor faz força para fechar o zíper. Aos poucos vai fechando com os dois rindo. Terminando, Beca o ajuda a levantar a mala e colocar em cima do armário. De novo riem das tentativas, desequilíbrio e fracassos, mas enfim conseguem. Os dois então vão até a cama e se atiram juntos em um movimento coreografado. Beca me olha e não diz nada. Ela então estica a mão e pega a de Flor. Os dois viram um para o outro e sorriem. Ela diz: - Seria mais fácil se você fosse hetero. Flor: - Porque você ficaria comigo? Rebeca: - Ficaria. Não me leva a m*l, não sinto atração por você, mas é porque te vejo como um irmão. Sempre te vi porque sei que é homossexual, mas acho que se não fosse já teria te visto diferente. Arthur estava indo entrar no quarto, e escuta, estando a porta levemente encostada. Ele sai, triste. Flor responde Beca: - Isso ficou esquisito. Beca: - Não é? Arthur é meu amor, mas te conheci antes. Ficamos amigos antes. Do jeito que nós dois fechamos em tudo, teria sido mais fácil me apaixonar por você. Isso que quis dizer. Flor: - Agora entendi. Ainda bem que Arthur não ouviu isso. Beca: - Ah, tá do jeito que ele se acha nem ia ligar. Flor: - Você que pensa. Ele morre de ciúmes que você sempre fica do meu lado. Beca: - Eu sempre fico do lado certo. Tenho culpa se ele tá sempre errado? Flor solta uma risadinha tímida. Beca: - Você acha mesmo que Arthur sente ciúmes de mim com você? Flor: - Às vezes acho sim. Arthur está em seu quarto. Em sua cabeça as palavras de Beca ecoam. Sabia que ela preferia Flor...era evidente. Ele que, muito apaixonado, fingia não ver. Será que sempre seria a segunda opção? E de Flor? Seria possível que fosse só um objeto s****l de ambos? Que amor existisse entre eles? Poderia haver amor entre homem e mulher sem desejo? Sua cabeça dava voltas. Será que Beca intimamente desejava Flor? Ele nunca notara em floquinho o bissexualismo. Tinha certeza que da parte de Flor era amor de irmão. E se ele se descobrisse algum dia bissexual? Seria possível? Lembrara da comunidade e de pessoas que narraram se descobrirem bissexuais depois de anos de existência. Que com uma determinada pessoa do mesmo s**o sentiam desejo que nunca sentira por outras do mesmo s**o. E se fosse o caso de Flor e Beca? E se Flor estivesse escondendo isso dele? Será que já tinham dormido juntos? Não! Que bobagem! Eles teriam dito. Flor era a pessoa mais transparente do mundo. E se fosse um segredo entre ele e Beca? Não! Flor jamais permitiria. Ele estava transtornado. Visivelmente. O ciúme e a insegurança lutavam contra a confiança e o amor. Seu protetor, não visto, aproxima-se e lhe dá um passe. Imediatamente o coração de Arthur se enche de luz. Um calor invade seu peito. A paz invade seu coração. Finalmente perceberá as bobagens que pensara. Era Flor e Beca e não estranhos. Ele levanta-se e vai até o quarto de florzinho abraçá-los. O mentor fica ali. Eu então agradeço: - Obrigada, irmão. Ele diz: - Sabemos que, se Arthur não estivesse receptivo para receber o passe, pouco adiantaria. Foi o amor de almas que fez com que enxergasse a verdade. - O irmão então desaparece, mas não deixa Arthur desprotegido. Arthur nem bate já vai entrando. Encontra, Beca e Flor, ainda desmaiados, na cama, conversando. Ele então diz: - O que tanto fofocam? Flor: - Vem cá com a gente. Estamos conversando sobre nada e tudo ao mesmo tempo. Arthur deita no meio dos dois e segura na mão de cada um. Os três olham para o teto de mãos dadas. Precioso deita nos travesseiros. Arthur: - Desculpe ser tão duro com você, florzinho. Flor deita a cabeça no ombro de Arthur dizendo: - Sei que não teve a intenção... Arthur: - Às vezes sou muito duro. Tenho medo de se não for, vocês me convençam do contrário. Beca: - Você ser convencido por nós? Você só faz o que quer. Flor: - Nisso Beca tem bem razão. Beca: - Nisso, Flor? Flor: - Você me entendeu… Arthur: - Não é bem assim. Sempre escuto vocês. Beca: - Fala uma vez que te convencemos do contrário. Arthur: - Quando os dois me pediram em namoro. Beca: - Ah, tá que você não gostou da ideia de namorar os dois ao mesmo tempo? Flor: - Não lembra que ele ficou sem graça e até vermelhinho? Beca: - Lembro não. Arthur: - Pois fiquei mesmo. Flor: - Mas porquê? Arthur: - Confesso que pensei que queriam tudo junto. Beca: - Nós três juntos? Na cama? Arthur faz sim com a cabeça. Beca dá um t**a no ombro dele. Flor diz: - Mas que danadinho? Quem é o cabeça suja aqui? Arthur: - Vocês sabem que eu não tinha muito conhecimento sobre a comunidade LGBT+. Nos conhecíamos pouco tempo, achava que Flor fosse homossexual, mas não sabia ao certo se não era bissexual. E Beca poderia ser alguém com fantasias...vai dizer que isso não acontece? Flor: - Vendo sob esse ponto… Beca: - Mas nós fomos claros. Arthur: - Lembra o que me disseram? Flor: - Nós queremos te namorar. Arthur: - Não ficou meio evasivo? Beca gargalha: - Pior que, pensando agora um pouco… Arthur: - Daí fiquei sem graça. Flor: - E virou o copo todo de bebida. Beca: - E quando você perguntou: - Juntos? Ao mesmo tempo? Arthur: - Vocês falaram sim. Flor gargalha: - Verdade. Podia ser mesmo o que Arthur pensou. Arthur: - Daí começamos a conversar e entendi. Beca: - Mas ficou enrolando. Arthur: - É que gostava mesmo dos dois. Não queria uma aventura com vocês. Pensei que talvez, se não sentiam ciúmes, só queriam passar o tempo. Depois pensei: e se nos apaixonássemos e me pedissem para escolher? Beca olha bem para Arthur e pergunta: - Quem você escolheria? Arthur fica muda. Flor: - Agora a Beca pegou pesado. Beca: - Eu sei que Flor. Flor: - Com certeza a Beca. Arthur: - Vocês querem parar de ser bobos? Amo vocês da mesma forma. Flor: - Isso é coisa de mãe. E olha que sempre tem um favorito. Beca: - Concordo. A intenção pode ser amar igual, mas sempre tem um que a alma escolhe. Arthur: - Pois a minha alma é dividida no meio. Flor: - Que gracinha. Fingimos acreditar. Arthur: - Vocês dois me completam. Falou sério. Nunca pensei nisso. Sempre sonhei em ser monogâmico. Só não sabia se seria com um homem ou uma mulher. Flor: - Nunca fui poliamor e sempre sonhei com um relacionamento monogâmico. Beca: - Eu também. Arthur: - Agora o poliamor e poligâmino sou eu? Flor e Beca respondem juntos: - É. Beca brinca: - Seu pecador. Os três riem juntos. Arthur: - Então, como se não bastasse termos uma orientação s****l diferente, ainda demos esse relacionamento a três. Flor: - Que se formos falar a primeira coisa que vão pensar é no que você pensou. Beca: - O que acontece com todos? Porque é tão difícil pensar que você está dividido entre duas pessoas? Flor: - E o fato de termos nos casado legalmente, Beca, não ajuda muito. Arthur: - Nem me fala. Me arrependo. Deveria ter casado com a Beca, por causa da minha mãe. Flor: - Ah, é assim? Arthur: - Estou falando por causa daqui. Beca: - Flor, quero o divórcio. Arthur acaba de me pedir em casamento. Flor: - Pois não dou. Estou com inveja do bofe. Arthur ri sem graça. Ele diz: - Flor, não disse que estou escolhendo entre vocês. Seria pela sociedade. Flor: - Lá vem você com vergonha de me amar. Arthur: - Não tenho. Em nossa cidade não te assumi? Flor: - Eu e a Beca. Arthur: - Então… Flor: - Mas levou tempo. Arthur: - Mas assumi. Beca: - Verdade. Arthur: - Vocês sabem o quanto aprendi com vocês. Infelizmente nasci em um lugar com mentalidade pequena. Eu demorei a me permitir sentir o que sinto. Me culpava, me achava com defeito. A primeira vez que desejei um homem me assustei. Beca: - Você desejou primeiro um homem ou uma mulher? Arthur fica pensativo. Flor: - Hummm aí tem. Olha a carinha dele lembrando. Arthur: - Parem de ser bobos...estava tentando lembrar a primeira vez que olhei para alguém...foi uma mulher. Flor: - então supostamente você era normal. - Faz gestos de aspas. Arthur: - Sim. Quando me senti atraído por um homem, não entendi mais nada. O bissexualismo era tido como uma confusão para uns e, sem-vergonhice, para outros. Beca: - Ainda hoje. Arthur: - Mas naquela época, em uma cidade pequena… Flor: - Agora você está nos chamando de velhos. Arthur: - Novos é que não somos. Beca: - Estamos na melhor idade, vai. Arthur: - Na verdade, eu me sinto muito melhor comigo mesmo, hoje. Beca: - Sempre me senti bem comigo mesma. Mesmo sendo uma hetero meio diferente. Nunca fui barbie, ou menina da cor de rosa. Flor: - E eu sempre fui gay. Nunca fugi disso, mesmo apanhando surras. Mas hoje me sinto mais pleno, sim. Beca: - Eu também. Nosso relacionamento também me ajudou muito a crescer e me sentir inteira. Arthur e Flor falam juntos: - Concordo. Beca: - Tem gente que acha que amor desgasta com o tempo. Eu já sinto que aumenta. Conviver faz o amor crescer. Inclusive no s**o. quanto mais as pessoas se conhecem, mais fica incrível. Arthur e Flor, de novo, dizem juntos: - Concordo. Arthur: - Não que não tenha sido sempre incrível. Beca - Quis dizer que nos conhecemos, toque, o prazer, o corpo, fica cada vez melhor.
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