Laura
Dez anos atrás...
Edu ainda me seguia como um cachorro de rua depois da minha madrinha nos deixar no estacionamento do Colégio Liceu, aquilo estava me irritando, talvez por falta de costume em ser o centro das atenções e ser cuidada, era estranho já que geralmente era eu quem cuidava e descobri que não gostava de excessos de cuidado, sabia que ele não era muito dedicado aos estudos, mas acreditei que a definição de namoro escondido era bem óbvia, mesmo para ele.
— Já chega. — Parei abruptamente e ele tropeçou ao tentar desviar de mim.
— Que merda.
— Pois é. — Concordei e me virei furiosa para falar com ele. — Que parte de namorar escondido você não entendeu? — Sussurrei em meio a grunhidos apesar de saber que não seríamos ouvidos.
Não havia ninguém no estacionamento e o barulho que vinha da quadra garantia privacidade o suficiente, mas não queria me arriscar, não depois de vomitar até as tripas por causa do ciúme ridículo e sem fundamento de Bianca, Eduardo me encarou com uma carranca teimosa de quem não estava disposto a ceder, quando os lábios grossos se entreabriram eu sabia que ele iria começar uma discussão.
— Você precisa me dar um fora. — Emendei sem dar chance de ele explanar seus argumentos.
— O QUÊ?! — Respirei fundo me preparando para as lamúrias dele, mas Edu só ficou parado no meio do estacionamento cheio de carros com os olhos estalados, surpreso e esperando uma confirmação do que ouviu.
— Não sou bonita, nem popular o suficiente para insinuar o contrário, ninguém acreditaria que te dispensei, é melhor fingirmos que você me deu um fora e...
— Laura, que diabos você... — Praguejou erguendo e fechando um punhado de cabelo dentro do punho. — Não é disso que estou falando, a questão da sua autoestima é preocupante, mas lidaremos com isso depois. O quero que me explique é por que tenho que te dar um fora p***a!?
— Escuta Eduardo, aquela i*****l implica comigo há anos, ela não larga o osso e sabe ser bem odiosa de vez em quando, se Bianca notar que não está me atingindo vai começar a jogar baixo, o que irá impedir ela de sair correndo para espalhar fofocas sobre mim pela cidade inteira?
— Laura. — Chamou do jeito impaciente que me deixava ainda mais irritada.
— Pode parecer ridículo para você, mas meus pais não podem descobrir sobre esse namoro. É sério. — O encarei tentando disfarçar meu pânico, isso realmente não podia acontecer, não queria nem pensar no que aconteceria comigo se isso chegasse aos ouvidos do meu pai.
— É por que sou eu? — Perguntou claramente frustrado e magoado.
— Não... — Cocei a testa igualmente frustrada sentindo o suor escorrer pela minha pele oleosa, ele parecia realmente magoado ao me olhar e a expressão em seu rosto me fez engolir em seco. — Edu, o problema não é você, juro por Deus.
Ele não parecia convencido quando olhou ao redor com os lábios apertados, os olhos furiosos, tristes e confusos, odiava vê-lo assim, olhei ao redor e um pouco mais distante da quadra vi um pé de manga frondoso com o tronco grosso o suficiente para nos esconder de olhos bisbilhoteiros, agarrei sua mão e o puxei até lá, ele se permitiu ser arrastado, o empurrei contra a árvore e mantive minha mão em seu peito o mantendo no lugar ciente de sua atenção focada em mim.
— Avisei que era complicada, um monte de vezes, seria muito mais fácil você ficar com alguém como Bianca e...
— Você quer isso? — Perguntou bruscamente.
— O quê?
— Como reagiria se me visse com Bianca? Beijando-a, abraçando-a, passeando com ela na minha garupa?
Franzi o cenho e afastei a imagem da minha mente com uma repulsa ácida, o tipo de repulsa que apenas uma lesma gorda era capar de despertar.
— Não iria gostar nadinha. — Sussurrei nauseada com o m*l-estar que aquele pensamento me causou
— Então nunca mais mencione essa merda. — Grunhiu agarrando minha nuca e me puxando para perto. — É você que eu quero, com complicações e tudo. — Sussurrou contra minha bochecha, me beijando de um jeito delicado que não combinava com o agarre de sua mão em minha nunca, mas que pareceu perfeito para nós. — Quanto mais complicado fica, mais eu te quero...
Seu rosto se inclinou para alcançar minha boca e quase quebrei a espinha ao me afastar dele, além do suor provocado pelo calor úmido e infernal de Teresina, com certeza estava com cheiro de azedo depois de tanto vômito, mesmo depois de ter lavado a boca com um enxaguante bucal cedido pela minha madrinha, me pergunto se esse gesto dela foi premeditado, inferno... Será que ela sabe sobre nós? A ideia de que ela suspeitasse que poderia trocar beijos com seu filho me pareceu perturbadora.
— Não! Eu vomitei!
— E daí? — Soprou em minha orelha e me arrepiei quando meu corpo amoleceu refém do seu agarre.
Continuei me afastando, sua mão se fechou com mais intensidade em minha nuca e ele me puxou pela cintura com a outra mão, depois me girou e me encurralou contra o tronco.
— c*****o Laura, vi você lavando a boca. Não use isso como desculpa para me rejeitar.
— Não! Estou fedida! — Insisti tentando me afastar e empurrando seu peito, mas a mão em minha nuca me apertou tanto a ponto de imobilizar minha cabeça, me obrigando a encará-lo.
— Me beija p***a. — Grunhiu em meu rosto, mas não tive chance de responder porque seus lábios se chocaram contra os meus num beijo agonizante que minou minha resistência se é que ela realmente existiu.
Em segundos minhas mãos estavam apertando sua camisa o puxando para mim, mas por mais que estivesse grudada nele com todas as partes importantes se tocando, nunca estávamos perto o suficiente e aquilo era enlouquecedor, ele só se deu por satisfeito quando me deixou sem fôlego e de pernas bambas, então me apoiou contra a árvore quando seus lábios me deram espaço para respirar, pois meu nariz parecia incapaz de me fornecer a quantidade necessária de oxigênio, mas ele apoiou a testa na minha e uma felicidade infantil cresceu em meu peito quando percebi que ele também estava sem fôlego.
— Nós somos péssimos em descrição, sabia!? — Ofeguei e tentei censurá-lo de verdade, mas meu tom ofegante denunciou meu t***o reprimido.
Ele riu, uma risada tão gostosa que me deu vontade de abocanhar e engolir sua boca de novo.
— Gosto quando ri assim...
Sussurrei timidamente, ele abriu os olhos verdes e lodosos e me observou daquele jeito desconcertante, e por mais constrangida que ficasse com aquele olhar atento focado em mim, não consegui quebrar o contato, Edu me encarava com olhos gentis e sensuais, ele era tão bonito... não. Bonito parecia genérico demais, ele era cativante e charmoso de um jeito único, um jeito que me deixava toda boba quando ele ria ou quando me olhava assim, com os olhos levemente semicerrados, como se estivesse em dúvida se deveria segurar e beijar minha mão ou me chupar como se eu fosse um picolé, Jesus Cristo.
— Gosta é? — Perguntou com uma voz baixa e rouca que me deu arrepios.
— Uhum...
— Era para estarmos no apartamento. — Pontuou e senti a malicia das sua intenções, se estivéssemos lá provavelmente estaríamos fazendo mais do que assistir o jornal do meio-dia.
— Sua mãe também estaria lá. — Rebati como se mencioná-la fosse me proteger de suas más intenções.
— Já a tranquilizei o suficiente sobre nosso namoro. — Tentou me apaziguar e tive vontade de rir.
— Nenhuma mãe ficaria tranquila com você como filho, Edu. — Comentei com desdém.
— Acha que avançaria o sinal? — Ele me olhou com tanta intensidade que pensei que poderia pegar fogo a qualquer momento. — Jamais faria nada contra sua vontade, sabe disso, não é?
— Esse é o problema. — Respondi baixinho e ele inclinou a cabeça de um jeito adorável para ouvir meu esclarecimento, estava claro que aquela resposta era insuficiente. — Quem garante que eu não ia querer? Talvez seja eu quem sempre esteve tentada a avançar o sinal, não confio em mim mesma perto de você.
Ele ergueu as sobrancelhas espantado, me irritei quando vi que ele estava se divertindo com o que disse, como se tivesse acabado de elogiar ele, e não posso dizer com certeza que não foi isso que fiz.
— Você é uma má influência, mas isso não é surpresa. Agora me solta.
— É você quem tá me agarrando, Pitchula.
Fiquei b***a ao perceber que ainda estava segurando em sua camisa o mantendo colado em mim, soltei o tecido e o empurrei enquanto ele ria abertamente agora, ajeitei meu cabelo o máximo que pude e o encarei com raiva.
— Meu cabelo está uma bagunça, não é? — Perguntei resignada, ele sorriu.
— Você toda está uma bagunça, mas é minha bagunça. — Envaideceu-se e o estapeei com força no braço, ele riu ainda mais.
— Deixe os outros saberem que só ficamos uma vez e pronto — Soltei meu cabelo novamente e o amarrei no alto cabeça em um coque firme. — E a noite deixe a sua porta destrancada.
Avisei e me desvencilhei dele, dei dois passos quando ele tentou me agarrar novamente e desviei de seus braços tentadores, escutei ele puxar uma respiração profunda, não estava em condições de lidar com suas mãos agora.
Quase corri em direção a quadra, mas não resisti e olhei para trás, fiquei satisfeita ao ver o olhar predatório em seu rosto enquanto ele me observava, pisquei os olhos jogando charme e ele riu e sacudiu a cabeça claramente divertido e não menos e******o do que estava durante nosso beijo.
...
Não consegui entrar na partida, o jogo já estava quase acabando quando alcancei o técnico, por um milagre o primeiro adversário do nosso time não era tão forte e acabamos ganhando por 7x5, os meninos haviam ganhado é claro e se classificaram com uma grande diferença no placar, entramos no ônibus para voltar ao hotel, Edu não se sentou ao meu lado no trajeto e não me passou despercebido o sorrisinho vitorioso de Bianca, mas seus olhos estavam cerrados o suficiente para indicar que ela estava desconfiada.
Por enquanto minha maior preocupação era enfrentar o cheiro opressor de comida ao entrar no restaurante do hotel e me deixei ficar para trás quando chegamos, vi de esguelha Edu conversando com o técnico e ele se aproximou de mim com um sorriso paternal.
— Porque não se senta um pouco no corredor? Irei ver se tem uma coisa mais leve pra ti. Uma sopa ou uma carne em caldo?
Assenti desconcertada, Marina e Karen se aproximaram igualmente solícitas.
— Está com medo de ficar enjoada? — Marina perguntou preocupada.
— Sim, meu estômago ainda está dolorido de tanto vomitar, pensar que pode acontecer de novo me deixa apreensiva.
— De que suco gosta? — Karen perguntou timidamente.
— Suco de caju seria uma boa ou de acerola. — Sussurrei agradecida, Karen assentiu e levou Marina consigo, me surpreendi, elas estavam ligeiramente mais próximas e Karen parecia mais à vontade conosco.
Me sentei no banco de madeira e observei um quadro tosco de uma casinha a beira de um lago, fechei os olhos, estava sonolenta e exausta e amanhã teria um jogo de semifinal e a tarde seria a final, tinha que me preparar, dormir bem, me hidratar, comer bem... passos me obrigaram a abrir os olhos e me surpreendi quando vi Karen e Gabriel juntos, ele segurava um prato com o que parecia ser frango ao molho e um prato menor com alguns pãezinhos Karen segurava um prato com algumas fatias de abacaxi e um copo de suco amarelo claro que julguei ser de Caju e apesar da quantidade absurda de comida com eles, o que me deixou surpresa foi o rubor envergonhado e constante no rosto da loira.
— Vai nos deixar plantado o dia todo, vossa senhoria? Estamos com fome sabe?
Reprimi um grunhido diante da zombaria dele e olhei em dúvida para Karen, ela gostava de Gabriel? Era um par improvável e o sorriso insolente dele enquanto segurava os pratos servilmente com um garçom não denunciava nada, mas de certa forma essa atitude me lembrava de Eduardo, eles pareciam igualmente indecifráveis, ou talvez eu fosse péssima em ler as pessoas.
— Obrigada. — Agradeci pegando os pratos dele, coloquei os pãezinhos ao lado no banco e Karen apoiou o suco numa mesinha ao meu lado.
— Precisa de mais alguma coisa?
— Não, Karen. Obrigada, vá comer também deve estar cansada e faminta.
Ela sorriu e saiu em direção ao restaurante, eles caminharam próximos um do outro, não se tocavam, mas a proximidade deles transmitia certa i********e entre os dois, o que eu não estava sabendo? Sorri ao molhar um pãozinho no caldo e fiz careta ao lembrar que não gostava muito de Gabriel, mas não senti verdade naquele pensamento, quando isso mudou?
Não sabia, mas perceber que minha hostilidade com os amigos de Eduardo diminuiu me deixou desconcertada por que sabia que isso era influência dele, gemi quando abocanhei o pão ensopado, a carne estava bem temperada e me concentrei em comer, quando terminei juntei a louça, estava quase na porta do restaurante quando uma manada de alunos passou pela porta, Edu se destacava no meio deles, ele hesitou ao me ver, percebi que estava quase pegando a louça das minhas mãos e fiz uma careta o lembrando do nosso papel, ele pegou a deixa e baixou as mãos, mas percebi quando seus lábios se retraíram numa expressão contrariada quando ele passou por mim, Bianca vinha logo atrás e sua conversa se tornou mais animada e estridente quando viu Edu me ignorando, suspirei e fui em direção a mesa e me deparei com uma careta enfurecida de Marina.
— Que d***o é isso!? Esse moleque enlouqueceu?
— Depois te conto. — Suspirei ao deixar a louça na mesa e a puxei pelo braço. — Vamos, preciso de um banho antes do seu interrogatório. — Tentei apaziguá-la antes que ela fosse atrás de Eduardo.
— Se acha que vai me engabelar Laura...
— Você que sabe, posso explicar enquanto fica cheirando meu cheiro de azedo.
Ela fez uma careta enquanto segurava em meu braço, percebi que ela se inclinou para me cheirar e seu nariz pequeno se franziu enojado.
— Minha nossa senhora, precisamos tirar essa catinga de doença de você.
Sorri, ela sabia dizer uma verdade incômoda sem me fazer sentir m*l com isso, percebi que esse era o principal motivo de ter virado amiga dela, sorri quando ela entrelaçou o braço no meu e me arrastou pro quarto, no meio do corredor esbarramos com Karen que parecia desconfortável numa conversa com Gabriel, Marina a enlaçou com o braço livre e a resgatou, ela sorriu agradecida e Gabriel coçou a cabeça daquele jeito malandro e sumiu na direção oposta, começamos a rir e a risada de Karen nos surpreendeu, nunca tínhamos ouvido ela rir, e isso nos fez rir ainda mais enquanto entrávamos no quarto.
...
Horas depois quando todas já estávamos de banho tomado, cabelos lavados e sobrancelhas perfeitamente aparadas estávamos nos vestindo quando Cibele pegou suas coisas e foi se arrumar no quarto de Bianca, Karen trancou a porta e Marina me lançou um olhar criterioso quando me viu vestindo uma bermuda que ia até o joelho e uma camisa branca folgada.
— Ah não, se colocar uma camisa de político irá parecer uma senhorinha de 50 anos! Tira essa abominação que você chama de bermuda!
Suspirei, ela jogou um short jeans rasgado em minha cara, era curto, mas não indecente. Obedientemente fui até o banheiro me trocar, não gostava de ficar pelada na frente das pessoas, e o fato de Karen e Marina serem desinibidas em mostrar suas bundas perfeitas e sem estrias só me fazia sentir ainda mais incomodada com as minhas, coloquei o short que vestiu muito bem apesar de Marina ser mais larga que eu, ela tinha curvas suaves e era bem mais alta , enquanto eu tinha curvas acentuadas e era pequena e rechonchuda, o que faltava nela tinha em excesso em mim, ainda assim o short ficou um pouco folgado na cintura, mas ela me deu um cinto e colocou parte da camisa dentro do short na parte da frente o que destacou o cinto e evidenciou minha pouca barriga.
Ela sentou na cama e deu tapinhas no colo, insinuando que me aproximasse, ao seu lado estava um reparador de pontas, gel, escova e pequenos elásticos, percebi que seria seu projeto da noite. O professor permitiu que nos reuníssemos nas áreas de lazer do hotel, não poderíamos sair enquanto o campeonato estivesse em andamento, mas algumas garotas disseram que quando o campeonato acabasse ele permitiria que saíssemos do hotel e iríamos ao Teresina shopping já que só iríamos embora na segunda á tarde, isso nos dava um domingo inteiro para passear na capital, pelo menos na área perto do hotel.
Marina começou a trançar meu cabelo num modelo de tranças boxeadora, enquanto falava do meu plano para fingir um término com Edu, Karen não parecia surpresa com minha atitude, mas Marina protestou.
— Acho ridículo vocês terem que esconder isso por causa daquela vaca. — Bufei com sua fala. — O que o Eduardo disse?
— Obviamente ele não gostou.
— É claro que não, o cara passa parte do tempo te olhando e a outra parte tentando pôr a mãos em você.
Suspirei, ela amarrou um elástico na ponta da trança e passou um gel no meu cabelo deixando os fios bem alinhados, depois usou uma escovinha e penteou os cabelinhos na frente e ao lado da cabeça, ela segurou meu rosto e o virou de um lado para o outro admirando seu trabalho, mas estalou a língua e remexeu em sua nécessaire em busca de algo, sorriu ao sacar duas grandes argolas de prata e as pendurar nas minhas orelhas, ela passou um rímel nos meus olhos e penteou minhas sobrancelhas, depois passou um gloss da Avon em meus lábios e sorri ao sentir a refrescância do sabor de menta, sorri maliciosamente. Todas as meninas usavam esse gloss quando planejavam dar uns beijos.
— Sinto muito, vai ser muito difícil ele ficar longe de você hoje. Você tá gostosa pra c*****o amiga, nem bato bolacha, mas te comeria facinho, facinho.
— Marina! — Gritei constrangida apesar de não saber o que significa bater bolacha, mas conhecendo minha amiga coisa boa não deve ser. — Vamos logo, passamos a tarde inteira nisso!
Não era ingênua o suficiente para não perceber o impacto que minha aparência causou em todos, o grupo estava reunido num espaço próximo ao restaurante, o grupinho de Eduardo estava sentado em um murinho lateral que dava para um jardim interno, ele enrijeceu quando nossos olhos se encontraram, só tomei banho, penteei o cabelo e aparei a sobrancelha, a coisa mais extraordinária que compunha meu visual eram as argolas grandes, mas parecia que ele estava prestes a avançar em mim, gostei da sensação dos olhos dos outros em mim também eles não pareciam me notar até aquele momento, contudo fiquei apreensiva quando vi o menino novo se aproximar, Edu ameaçou pular de onde estava sentado, Bruno o seguro, mas Gabriel e Arthur tomaram á frente e se aproximaram de mim sorrindo e me puxando de lado.
— Uau, Marina... eu poderia beijar seus pés ou torcer seu pescoço agorinha mesmo, isso foi obra sua não é? — Arthur perguntou sorrindo, e me espantei com a careta de Marina ao responder.
— Sai pra lá seu encosto, só emprestei uns brincos pra ela.
— Conta outra. — Resmungou ainda com o braço ao meu redor, e estranhamente não me incomodei, sempre simpatizei com Arthur por que ele era primo de Marina.
— Estou tentando impedir que meu amigo cometa um homicídio, por que não me ajudam a ajudar nosso casal Romeu e Julieta? — Gabriel sussurrou abraçando as outras duas, mas ouvi tudo e senti uma sincera admiração da amizade deles.
— As coisas que tenho que aguentar por você, Laura... — Marina resmungou olhando enojada para braço de Gabriel em seus ombros.
Mostrei um sorriso de desculpas a ela, mas meus olhos desviaram novamente para Eduardo, ele ainda estava me olhando percebi apesar de ele usar um boné preto que escondia parcialmente seus olhos, vestia uma camisa preta, bermuda jeans, e uma havaiana branca, estava lindo e de longe senti o cheiro do Egeo blue que impregnava o ar, Deus, ele era tão cheiroso e queria me aproximar e cheirar ele até o consumir por inteiro.
— Vai ficar difícil de ajudar se continuarem se comendo assim.
Me virei espantada para Gabriel, ele me observava com minhas amigas, uma em cada braço e portando um sorriso desleixado que me deu vontade de arrancar da cara dele aos murros, as portas do restaurante abriram declarando que a hora do jantar havia chegado e me surpreendi quando eles entraram junto conosco, nos sentamos em uma mesa para quatro, eu estava ladeada por Gabriel e Arthur enquanto Karen e Marina se esforçavam para conter o riso do outro lado da mesa.
— Agora companheiras de crime, por que vocês não pegam seus pratos enquanto nós ficamos de guarda para nenhuma hiena rodear nosso filé?
— Ah que comentário escroto, Gabriel. — Karen lançou um olhar desagradável e ele se empertigou.
— Que seja, vão logo não tenho a noite inteira. — Disse com um gesto de dispensa, quando elas se aproximaram do buffet me virei para ele enquanto Arthur mexia distraidamente no celular.
— O que te faz pensar que irei ficar obedientemente ao seu lado? — Questionei ironicamente e ele ficou sério, eu nunca o havia visto sério.
— Nunca fui com sua cara, mas meu parceiro gosta de você. Ele faz de tudo para te agradar, até mesmo concordar com essa historinha ridícula de namoro escondido. Não acha que o mínimo que pode fazer é amenizar um pouco a barra dele? Ou você é mesmo uma c****a egoísta?
— Biel!
— Cala a boca, Arthur.
— O que foi que disse? — Sibilei.
— Não se faça de sonsa, comigo isso não funciona. Sabe bem que o garoto novo tá de olho em você, já impedi Eduardo de arrebentar ele umas duas vezes.
— E-eu não sabia...
— Você é do tipo que gosta de atenção não importa de onde vem? — Desdenhou e fiquei calada. — Não seria surpresa, você sempre foi invisível, mas nasceu uns peitinhos e agora ficou mais interessante.
— Tá falando merda demais. — Arthur disse entredentes e tentou agarrar a camisa dele, mas Gabriel se desvencilhou de sua mão.
— Olha, você ficou bonita e descobriu que gosta quando os caras olham pra você? — Ele se inclinou para mais perto de mim.
Minhas mãos tremiam de raiva e comecei a olhar ao redor, percebendo que os outros meninos realmente lançavam olhadelas em minha direção até agora, até mesmo alguns que estavam na mesma mesa que Edu.
— Já chega, Gabriel. Isso não é da sua conta. — Arthur disse tentando me puxar para longe, mas meu corpo não saiu do lugar, sabia que merecia ouvir aquilo e por isso fiquei.
— Você é inteligente e todo mundo sabe disso, mas eles estão te olhando diferente agora né. Todos eles te enxergam como mulher, a atenção é legal eu imagino, mas deixa eu te contar uma coisa, eles só querem te comer.
Meu corpo congelou, meu rosto doía de vergonha porque parte de mim gostou de receber os olhares, mas também porque sabia que ele só dizia verdades.
— Mas aquele cara ali — Continuou mais baixo e olhei para onde ele estava olhando, Eduardo encarava o garoto novo com ódio, e percebi que o garoto estava nos observando como se quisesse se aproximar. — Ele sempre te viu, sempre te achou bonita mesmo quando você usava roupas desleixadas, estava suja de trigo depois de ajudar na padaria e estava carregando montanhas de livros, então se está tentando sacanear ele fique sabendo que vou te arruinar até que tenha que se mudar pro ** do Judas de onde veio sua família, entendeu?
— p**a merda. — Arthur grunhiu.
— Você não gosta de mim mesmo. — Constatei com uma firmeza na voz que contrariava os tremores em minhas mãos. — É realmente tocante esse seu amor pelo Edu, mas isso não te dá o direito de se intrometer entre nós.
— Olha aqui...
— Cala a boca, aguentei todas as merdas que você disse e agora é minha vez. — Esperei para ver se ele iria me interromper, mas ele ficou calado. — Não sou do tipo que sacaneia alguém gratuitamente, tenho meus motivos e devo explicações apenas ao Eduardo, meu namorado é ele e não você. Agora se quer mesmo ajudar, porque não me acompanha até o Buffet? Ouvir suas porcarias me deu uma fome danada.
Me levantei e ele se levantou com um grunhido, Arthur deu uma risadinha e Marina e Karen estacaram no lugar quando nos afastamos da mesa aos risos.
Comemos muito, para minha surpresa estava mesmo faminta e talvez tenha sido o sermão de Gabriel que me fez esquecer o medo do enjoo, quando terminei de comer fui ao quarto escovar os dentes, realmente odiava ficar com comida enganchada no aparelho, deixei Marina e Karen conversando com os meninos e corri até o quarto, quando terminei minha higiene e abri a porta dei de cara com Gabriel no porta que dava para a varanda.
— Ele está te esperando no quarto, vou te ajudar a pular a nossa varanda. — Disse antes que fizesse qualquer pergunta e abriu a porta.
— Estamos no segundo andar.
— A distância é curta, você só precisa esticar as pernas para chegar ao outro lado, só vou fazer pezinho pra você subir no parapeito.
Como ele sabia disso?
— Irão dar falta da gente. — Protestei.
— Não se preocupe com isso, você não é a única que vai dar uma escapadinha.
Revelou com um sorrisinho malicioso, ele se abaixou e cruzou as mãos para me dar apoio, fiquei curiosa sobre quem ele estava falando, mas sabia que não iria dizer e ansiosa para ver Edu me apoiei no parapeito e subi na sua mão, me sentei no parapeito e estiquei as pernas para chegar a varanda ao lado, me preparei para impulsionar o corpo e pular, mas uma mão saiu da escuridão do quarto e me puxou, reprimi um grito quando meu estômago despencou nos segundos em que transitei de uma varanda a outra, estava rindo quando meu rosto se chocou contra um peito rígido.
— p**a que pariu, Pitchula. — Disse segurando meu rosto com as duas mãos e se inclinando para beijar minha testa. — Você não pode se arrumar assim e esperar que eu não queira te beijar e te tocar á noite inteira.
— Não era mesmo isso que esperava. — Sussurrei e joguei os braços ao redor do seu pescoço enquanto o puxava para um beijo.