Mavie
Odeio que eu esteja fazendo isso desse jeito. — Martin parece distante. Há vento no fundo como se ele estivesse dirigindo com as janelas abertas. Eu m*l consigo manter minha cabeça no lugar.
Pensando no que ele disse: Precisamos conversar, sinto como se minha espinha estivesse prestes a se soltar das costas.
— Fazendo o quê? Onde você está agora?
— Estou na estrada. Há algumas horas.
— Horas? Eu não entendo, você está pretendendo dar uma volta pela cidade ou algo assim?
— Não, sua louca, Eu vou estou dirigido para o oeste. Há um longo caminho para dirigir, e Espero que você não esteja chateada, mas eu peguei o Subaru.
— Você pegou o — espera aí, você está dirigindo para o oeste para onde? E por que você
— pegou meu carro?
— Você conhece meu Altima nunca chegaria à Califórnia. Sinto muito, docinho, mas você quase nunca dirige, então o que te importa?
Eu sacudo minha cabeça, meu cérebro em chamas.
— Você está indo para a Califórnia? Por quê você está dirigindo para a Califórnia?
E por que ele não mencionou as fotos sensuais que eu enviei há dois minutos atrás?
Há uma breve pausa. Mais vento através de uma janela. Por que diabos ele não pode fechar isso para que eu possa ouvi-lo? Isso é clássico do Martin — ele é completamente alheio a tudo ao seu redor. Confiável quando se trata de coisas grandes, mas ele está em seu próprio mundinho metade do tempo.
— Seu maluco, por que você está indo embora?
— Eu já fui embora.
Eu faço um som estrangulado.
— Você o que? Você está ficando maluco?
— Não vamos usar uma linguagem tão forte, ok? Estamos nos separando. Seguindo caminhos diferentes. Eu encontrei algo realmente emocionante, e se eu não perseguir essa oportunidade, nunca mais terei outra chance.
— Oportunidade? Na Califórnia? Terminando? E você pegou meu carro? Estou cambaleando e tenho que sentar na cadeira de Vanessa Snell para não desmaiar e bater a cabeça no canto da mesa dela.
— me fale. O que diabos está acontecendo?
Ele parece estar explicando matemática para uma criança e eu o odeio por isso. Isso é pior do que me abandonar pelo telefone, pior do que ignorar minha foto tentando ser sensual, pior do que roubar meu carro.
Eu o desprezo quando ele fica indiferente.
— Encontrei um grupo de pessoas com ideias semelhantes que acreditam em buscar a verdade — ele diz como se isso fosse completamente aceitável. — Toda a minha vida estive preso seguindo a mesma rotina. Acordar, trabalhar, dormir. Juro, nunca estou vivendo de verdade.
— Mas você é meu namorado há anos. Eu também estou nessa rotina, sabia.
— Eu sei, docinho, e você é ótima, mas você nunca entenderia. Você não pode correr riscos, certo?
Eu faço uma careta, segurando o telefone com força.
— Eu corri um risco hoje. Eu te mandei um maldita foto nua. — Eu odeio o quão pequena minha voz soa.
— E você está incrível. Sério, docinho, vou sentir sua falta, mas me mandar uma foto safada não é grande coisa.
— Talvez não para você! — Quase conto a ele sobre ter sido pega por Raylan, mas as palavras morrem na minha garganta.
Martin não é meu namorado não mais.
Eu não tenho que dar satisfação sobre o que acontece em minha vida. Não, ele não merece saber.
— Claro, docinho, claro, eu sei que é difícil para você sair da sua caixinha confortável normal, mas é exatamente por isso que eu tenho que ir embora. Você não entende? Estamos em uma rotina há um tempo, você sabe disso.
— Uma da qual eu estava tentando nos tirar. — Eu posso ouvir o desespero patético em minha voz e queria não ser assim. Por que estou com tanto medo agora? Por que eu me importo se o patético, Martin está me deixando?
Mas eu me importo, realmente me importo e isso está me matando por dentro.
— Você sabe que isso nunca vai mudar. Você nunca vai mudar. Depois do que aconteceu com você, eu realmente não posso te culpar por isso. Eu acho que qualquer um ficaria bem fodido.
— Não fale sobre isso — digo suavemente, uma raiva repentina e avassaladora crescendo em meu peito.
— Você está presa no passado, docinho. Se ao menos você pudesse se abrir para o divino… — Ele para de repente como se tivesse falado demais.
— O divino que- p***a-é-essa?
Martin parece irritado.
— Eu sabia que você não entenderia. É por isso que eu não ia te contar. Mas tanto faz, aqui está: estou deixando você para me juntar a um grupo de pessoas que acreditam no Divino, que acreditam no poder da energia.
— Você está me deixando por uma crença hippie? — Eu deixo escapar antes que ele termine de recitar mantras estranhos.
— Isso é algum tipo de piada?
— Minha fé não é uma piada — diz Martin, definitivamente irritado agora.
— É por isso que estou indo embora. Você tem uma mente do tamanho de um noz e eu não posso continuar preso aqui.
Eu rio, incapaz de me conter.
— E seu cérebro deve ser grande demais se você realmente acredita em coisas de hippie.
— Eu acredito, na energia, nos 7 Chakras.
— 7 Chakras? Em que diabos você se meteu, Martin ?
Ele revira os olhos para mim.
— Espero que você encontre o amor divino dele um dia, espero mesmo. Você precisa disso. Mas eu estou cheio do seu Santo Veneno agora, e não vou deixar você me arrastar para o fundo do poço por mais tempo. Estou livre.
— Espere, Martin, Eu estou ficando preocupada. Você está se mudando para Califórnia para se juntar a um culto de hippies? Imagino que você não tenha contado aos seus pais.
— Nós não estamos… — Mas ele se detém e respira fundo algumas vezes. — Sim, estou me mudando para a Califórnia para me juntar a um grupo de indivíduos com ideias semelhantes que acreditam no divino. Não, eu não contei aos meus pais, e é melhor você também não. Sinto muito por tudo, princesa, e realmente espero que você não sinta falta das coisas. Você precisa pelo menos tentar viver sua vida, ok? Você pareceu ótima naquela foto, será um consolo para mim, na minha jornada fria.
— É melhor você apagar essa merda? Apague essa foto, seu pervertido esquisito!
— Adeus, docinho.
— Martin. Martin! É melhor você excluir essa merda. Martin!!
Mas a linha cai.
Tento ligar novamente, mandar mensagem, mas nada funciona.
Eu me afundo na cadeira, tentando entender o que acabou de acontecer.
Meu namorado me largou logo depois de tirar a primeira foto nua que tirei em minha vida. Eu me aventurei muito, muito fora da minha zona de conforto, tipo tão longe que estou honestamente surpresa por ter sobrevivido, e a resposta dele foi: Temos que conversar.
Agora ele está dirigindo para a Califórnia — no meu carro — para se juntar a uma seita estranha do divino.
E ele ainda tem a foto.
Estou tão sobrecarregada, tão completamente assustada que não consigo nem chorar, mesmo que eu esteja perdendo a única coisa constante na minha vida. Eu deveria chamar a polícia e registrar um boletim de ocorrência, mas ainda não consigo fazer isso. Martin estava comigo desde a faculdade, e sim, ele não é excitante, ele é não o tipo de cara que acende fogos de artifício no meu estômago — mas ele sempre esteve lá.
Eu anseio por segurança.
Eu preciso de conforto, rotina, confiança. Martin me deu tudo isso.
Agora o que eu tenho?
Eu lembro do seu comentário final.
Tente continuar vivendo a sua vida.
— Oh, não, você não — Eu digo, pulando em meus pés.
— Martin. Você não.
Corro para minha pequena escrivaninha enfiada no canto do armário de suprimentos, pego todas as minhas coisas e corro para casa.
Coisas de viagem, eu sou tão desorganizada, talvez isso seja mentira.
Talvez isso seja uma piada.
Martin não iria fazer isso comigo, ele apenas não faria. Ele não é esse tipo de homem.
Exceto eu abro minha porta do apartamento, procuro as coisas dele por todo o lugar
— e ele definitivamente foi embora.
O apartamento está vazio.
As coisas grandes ainda estão lá — móveis, televisão, a maioria dos pratos e travessas, a estrutura da cama e o colchão — mas todo o resto se foi.
Eletrônicos, roupas, decorações, qualquer coisa que possa valer alguns dólares. Minha coleção de copos de leite vintage. Meus discos e o toca-discos. Meu equipamento de tricô. Meu maldito laptop e secador de cabelo.
Tudo se foi.
— Martin! — Eu grito com ele no correio de voz.
— Você roubou meu carro. Você roubou minha vida! Espero que suas novas e estúpidas amigas cobras envenenem você! Vou chamar a p***a da polícia, seu babaca!
Eu quero jogar meu telefone na parede, mas isso não ajuda.
O silêncio no meu pequeno apartamento permanece ininterrupto enquanto eu finalmente afundo no chão, com os joelhos puxados até o peito, e começo a chorar