Raylan
Coloquei a xícara de chá na frente da mãe e pressionei minha mão contra seu ombro. Ela olhou para cima, sorrindo para mim com seus olhos claros. — Você é um bom garoto, Raylan — ela diz, colocando suas mãos sobre meus ombros.
— Mas nós termos funcionários pra isso.
— Posso fazer chá para minha mãe. Sento-me em frente a ela, olhando para o relógio. São três da tarde e, embora ela ainda pareça ela mesma, isso vai mudar em breve.
— Giovanni me disse que seus compromissos foram bem.
— Ah, médicos, eles não fazem nada por mim. — Ela faz uma careta e acena com a mão. Minha mãe está magra e pálida agora, seu cabelo escuro está ficando grisalho, embora ainda longo — ela se recusa a cortá-lo, se recusa a se tornar apenas mais uma velha, essas suas palavras.
— É a mesma coisa toda vez. Estou saudável como um cavalo.
Ela não está em seus melhores dias, ela entende o que está acontecendo com ela. De certa forma, essas são seus piores dias.
Hoje não é um dos melhores dias.
— Eles estão ajudando. Você tomou seus remédios?
Ela bebe seu chá, fazendo uma cara de desentendida.
— Eu tomei os remédios, o que significa que ficarei bem?
— Você vai sim, mãe.
Ela olha para baixo, a xícara em frente dela.
— Você é um bom menino, Raylan, mas temos funcionários para isso.
Mantenho um sorriso estampado no rosto.
— Gosto de fazer chá para você, mãe.
— Nenhum filho jamais disse isso, na história do mundo. — Ela sorri para mim, os olhos enrugando. Na porta, Giovanni aparece, me dando um aceno firme. Ele se aproxima e beija a bochecha da mãe e ela dá um tapinha amoroso em seu rosto.
— Como vai, mãe? — ele pergunta.
— Eu sempre estou bem, você sabe disso. Olha isso, meus dois meninos no mesmo lugar. Com que frequência isso acontece?
— Todo dia. — Giovanni olha para mim. — Nós precisamos falar, irmão.
— Negócio de família — diz a mãe com um suspiro. Ela pega sua xícara de chá, toma um gole, e aperta seu nariz.
— Você é um bom garoto, Raylan, mas nós temos funcionários para isso. Você não precisa fazer chá para sua mãe.
— Eu sei, Mãe.
— Eu beijo bochecha dela.
Mando a cuidadora dela, entrar e me retiro para o meu escritório em casa atrás de Giovanni. Ele parece agitado, se mexendo demais, enquanto se senta em uma das cadeiras de frente para minha mesa. Eu me abaixo atrás dela, com a cabeça inclinada para o lado, já cauteloso com essa conversa.
Giovanni está mexendo em seu telefone. Ele não está olhando qualquer coisa — apenas deslizando a tela, trazendo as notificações e mandando-as embora, repetidamente. Seu joelho balança para cima e para baixo e ele continua passando a mão pelo cabelo.
Eu estava fora uma semana pensando no lindo corpo da mavie. É assim que estou marcando o tempo agora: antes de Mavie e depois.
Se passou uma semana, e ela está mais quieta que o normal, mantendo distância de mim e se escondendo sempre que estou andando pelo prédio.
Uma semana desde que ela entrou na minha corrente sanguínea, se contorceu no meu cérebro.
Uma semana desde que eu comecei a me masturbar no banho pensando nela. Estou fodido, eu sei, e não é algo que eu já tenha experimentado antes.
E agora meu irmão Giovanni está em meu escritório olhando como ele estivesse assustado ou com medo de me dar más notícias.
— Acabe logo com isso — eu digo entre dentes. Suas vibrações ansiosas estão começando a ser contagiosas.
— Certo. — Ele limpa a garganta.
— Eu estava falando ao telefone com Spire.
— O que ele estava falando com você? Vanessa supostamente estava lidando com eles.
— Ela estava fora de manhã e pedindo minha ajuda. — Eu me inclino para frente. Meu coração começa a disparar.
— Por que ela faria isso?
Giovanni apenas me encara. Ele não precisa dizer nada porque eu já sei. Vanessa é boa — ela é muito boa — e ela nunca, nem em um milhão de anos, pediria ajuda a Giovanni para fazer qualquer coisa. A garota despreza meu irmão e por um bom motivo. Ele tentou apalpá-la em uma festa do escritório uma vez, alguns anos atrás, e ela lhe deixou um olho roxo por isso. Em sua defesa, ele diz que ela flertou com ele a noite toda, mas em algum momento ele passou dos limites, e eles são inimigos desde então. Giovanni se meteu em muitos problemas por a agir de maneira estúpida e completamente bêbado.
— Prédio vendido — ele diz ao menos.
— Desculpe, irmão. Mas eles venderam.
Respiro fundo para me acalmar. Não funciona.
— Presumo que não venderam para nós, ou então você não pareceria estar subindo os degraus para seu próprio enforcamento. Para quem venderam então?
— Eu sou apenas o mensageiro, ok?
— Diga-me.
— Aslanov.
Eu o encaro. Uma batida. Duas.
— Filho da p**a — eu digo suavemente, sentando-me de volta a minha cadeira.
Giovanni relaxa um pouco.
— Você está tentando me sacanear?
— Não, irmão, não estou.
— Bem, merda, isso é r**m, mas vamos concertar as coisas.
— Vou caçar o pakhan comedor de merda do Aslanov e assassinar o velho filho da p**a na frente de toda a sua organização.
Giovanni faz uma careta.
— Provavelmente é pior. Você deveria jogar alguma coisa em vez disso.
— Como diabos isso aconteceu? Aslanov não é nada. Eles são uns peixes pequenos e nós somos uns tubarões. Por que diabos a Spire venderia para aqueles filhos da p**a da Bratva?
Não faz sentido. Vanessa vem trabalhando neste acordo há meses através da Famiglia que possuía a propriedade. o prédio quase abandonado, afundado em dividas.
No entanto, eles fecharam com a Bratva. É inconcebível, essa p***a de truque. Alguém tem que morrer hoje à noite — alguém da família Aslanov e alguém de Spire. Essa é a única maneira do nome Ferrari manter seu poder nesta cidade.
Se uma tripulação de segunda categoria como a Aslanov acha que pode nos ferrar, então qualquer uma das outras cinco famílias começará a tirar pedaços do meu império.
Não posso ter isso, não agora, não quando tenho tanto a proteger e tanto a perder.
— Estou tentando descobrir — Giovanni diz finalmente, parecendo desconfortável.
— Fiz meu melhor com o pessoal Pináculo, mas eles não estavam interessado em conversar. Eles apenas disse que os papéis foram assinados e o acordo foi feito e não há nada que eles possam fazer sobre isto.
Eu estou recebendo mais informação — Mas ele apenas faz um gesto incerto com as mãos.
— Estamos Fodidos — Eu digo, inclinando-me com um rosnado.
— Absolutamente fodido.
— O que você quer fazer.
— Convoque uma reunião dos Capos. Todos eles, irmão, e diga para eles trazerem seus melhores soldados. Tenho a sensação de que a Filadélfia está prestes a ficar muito sangrenta.
Seus olhos se arregalam. É raro reunir todos — colocar toda a estrutura de poder em um só lugar é perigoso e beira ao desastre.
E eu não sou o tipo de homem que fala de guerra sem saber que vou vencer.
Ele coloca suas mãos para cima.
— Você tem certeza do que quer fazer? Nós podemos continuar trabalhando, veja o que os filhos da p**a do Aslanov tem a dizer do que fizeram…
— Não. — Eu o interrompi com um movimento cortante no meu pescoço. — Já não podemos mais conversar. Os soldados estão entediados? Eles querem negócios? Nós daremos negócios a eles.
Giovanni se mexe na cadeira.
— Você está falando de sangue na rua, mano. Por causa de um acordo de terras?
— Sobre o nosso maldito acordo de terras. — Eu o encaro, m*l conseguindo me controlar. Não é do meu feitio, essa raiva fervente, essa necessidade de ir embora e esmagar. Mas Giovanni não entende o quão precária as coisas estão agora.
— Convoque a reunião. Nós conversamos hoje à noite.
— Tudo bem, Don Ferrari. O que você disser. — Giovanni afunda em si mesmo, parecendo nervoso.
— Quando foi a última vez que a Família Ferrari foi à guerra? aconteceu quando o papai estava no comando?
— Não quero ouvir você falar assim de novo. — Olho para meu irmão. Não quero ser duro com ele, mas ele precisa entender como as coisas estão agora.
— Papai se foi.
Ele assente lentamente.
— Eu sei disso. Você está certo. Mas, Ray, tenho mais notícias para você. Eu realmente não queria te contar agora, mas é importante.
— O que pode possivelmente ser tão importante que você iria trazer a tona de todos as vezes? Com a Famiglia à beira de um m******e?
— Sua noiva desapareceu. Isso me faz parar no meio do caminho.
A fúria fria que crescia em meu peito desaparece enquanto olho para o rosto pálido do meu irmão.
— O que aconteceu?
— Não sei os detalhes. Gian está cuidando dessa merda agora. Mas pelo que ele me contou, a garota comprou uma passagem de avião essa manhã, sacudiu seus guardas e desapareceu. Ela poderia estar em um voo para Austrália, ou ela poderia estar em um ônibus para Nova York York. Ninguém sabe.
Eu me sento, atordoado em silêncio. O acordo com a Spire é r**m, mas isso? Não consigo nem começar a processar.
Eu não sei como mudarei sem a garota. Eu a encontrei uma vez, apenas brevemente, e ela me pareceu apenas mais uma princesa da máfia, mimada. Imaginei que teria que acabar com alguns hábitos ruins dela se ela fosse ser uma esposa adequada. Tudo o que eu realmente queria era a aliança com sua família e um corpo quente na minha cama capaz de me dar filhos.
Mas se a garota se foi, não vejo como isso pode seguir adiante. Não até negociarmos um novo acordo, e levou meses para chegarmos a esse acordo. Há outras irmãs, primas, outras mulheres apropriadas.
Nenhum que eu pode ter direito agora quando Eu preciso de um cheiro de legitimidade ao máximo.
Eu me levanto e viro as costas para Giovanni. Uma enorme estante de livros sobe até a parede abordado com amplos volumes. — Meu pai se foi e eu não sou capaz de colocar tudo em ordem ainda.. Fotografias do meu velho quando ele era mais novo sorrindo com seus Capos originais me encaram. Acusando-me de fracasso.
A negóciação perdida para o Aslanov. A garota Rinaldo desaparecida.
Todos os meus planos cuidadosamente elaborados estão desmoronando aos meus pés.