Capítulo 02

1530 Words
Sorriso/ Dante narrando — cadê aquela filha da p**a da Lara ? Aquela p**a sumiu com a minha carga de droga, c*****o — eu jogo um copo longe estourando ele na parede Essa p*****a vive me dando prejuízo e eu já tô cansado dessa p***a. Minha voz sobe, carregada de ódio, enquanto eu ando de um lado pro outro, sentindo o sangue ferver e o maxilar travar. Eu olho em volta e vejo meus homens tensos, evitando meu olhar, porque todo mundo ali sabe que quando eu entro nesse estado não tem meio-termo, não tem conversa longa, só tem consequência. — Irmão, eu já procurei essa vagabunda por todos os cantos dessa cidade. — ele fala nervoso com os dois celulares na mão e eu tava bufando de ódio Eu paro no meio da sala, passo a mão pelo rosto e sinto a pele quente, irritada, como se o corpo inteiro estivesse pedindo descarga. — Ou ela foi sequestrada, ou mataram e desossaram o corpo em algum lugar, porque ninguém acha essa mina, completo, sentindo o gosto amargo da suspeita se espalhar, porque sumir assim não é normal nem pra alguém como a Lara. — ele fala tão puto quanto eu O foguete tenta abrir a boca pra falar mais alguma coisa, mas eu corto no olhar. Eu tô puto demais pra ouvir justificativa m*l amarrada. Não é a primeira vez que essa p***a acontece, mas dessa vez passou de todos os limites, e a lembrança da última merda que ela fez vem a toda na minha mente. Da outra vez, ela apareceu com aquele papo de que tinha sido presa, e por um momento até colou, porque realmente tinha rodado numa delegacia. O problema é que depois a gente descobriu a verdade: ela tinha entocado a carga em outro lugar, vendido por fora, achando que ia sair ilesa. Trabalhou cinco meses pra mim pra pagar a p***a daquela carga, cinco meses fazendo tudo que eu mandava, porque a culpa tinha sido exclusivamente dela, por ter feito um caminho diferente do que eu mandei e rodado feito amadora. Como ela conseguiu sair daquela situação viva até hoje eu não sei, mas sei que ali eu devia ter entendido o tipo de gente que ela era e ter eliminado da terra, mas a p*****a é boa no que faz, só me fode quando panca de droga e faz essas p***a, que aí irmão, essa é a última vez, eu não vou ficar no prejuízo por culpa dessa v***a não, mas não vou mesmo. Nunca conheci mina mais rata do que a Lara. Aquela ali quer subir na vida a qualquer custo, nem que precise passar por cima de todo mundo. A ganância dela não cabe no corpo, a sede de dinheiro não tem freio, e tudo que eu mando, até o mais improvável, até o que muita mulher jamais toparia, ela aceita sem pensar duas vezes, sempre perguntando quanto vai ganhar no final. Já deu pra gerente, já destruiu casamento, já se meteu com gente errada, já ficou até com meu sub, o foguete, e nem assim criou raiz. Tentou se relacionar, tentou ficar fixa, mas ninguém aguenta, porque ela suga tudo que pode e descarta quando acaba. Ela continua no morro porque faz o corre que ninguém quer fazer. O mais arriscado, o mais sujo, o mais perigoso. Ela não mede esforço, não mede risco, não mede consequência nenhuma. Só mete a cara e vai, como se fosse imune a tudo. Só que dessa vez o prejuízo é grande demais pra fingir que nada aconteceu. A carga que ela foi buscar não era pouca coisa. Era cocaína em volume alto, dinheiro pesado, compromisso fechado com meu nome envolvido. Presa, eu já sabia que ela não tinha sido, isso eu confirmei de tudo quanto é jeito, e se não estava presa, já era pra estar aqui no morro fazia pelo menos uma semana. Mas não estava. Não deu sinal. Não deixou rastro. E essa ausência começou a me tirar do eixo de um jeito que eu não sentia fazia tempo. — Ela pode correr o quanto quiser — eu digo por fim, com a voz mais baixa, mais perigosa, encarando cada um ali dentro. — Mas ninguém some de mim desse jeito e acha que vai ficar tudo certo. O silêncio que vem depois pesa, e dentro de mim a certeza se fecha como um nó: quando eu colocar as mãos na Lara, nada, absolutamente nada, vai sair barato. Eu saí da boca já sentindo que ia dar merda, porque confusão nunca avisa, ela chama no grito, no empurra-empurra, no barulho atravessado que corta o ar do morro. Tava um estresse do c*****o lá fora, vapor discutindo por conta de carga, por conta de dinheiro, por conta de ego, por conta de não sei que p***a mais, e eu já vinha de uma noite virada, baile tinha sido um salseiro do c*****o, ninguém dorme direito depois dessas noites, e de manhã cedo já tem n**o querendo testar limite. Tô puto pra c*****o, sem paciência nenhuma, porque vagabundo acha que vida no crime tem folga, tem sábado, tem domingo, tem horário, quando não tem p***a nenhuma disso. Aqui o relógio não manda, quem manda é o problema, e quando o p*u tora, nós tem que estar ali pra qualquer bagulho, custe o que custar. — Qual foi dessa p*****a aqui na porta da minha boca, c*****o? — eu chego gritando, a voz rasgando o espaço, o corpo avançando no meio dos moleques, deixando claro que a conversa acabou antes mesmo de começar. — Virou puteira essa p***a? Os moleques se afastam na hora, e o Dennis aparece vermelho de ódio, apontando com a mão trêmula, o corpo todo armado, prestes a explodir. — p***a, patrão, o Xereca, em vez de vender a droga dele e se preocupar com o ponto dele, tava mandando mensagem pra minha irmã, querendo comer minha irmã — ele grita bolado, cuspindo cada palavra, o ódio saltando do peito. — Tu sabe a idade da minha irmã? Eu ainda tô processando quando ele já vai pra cima do Xereca, os dois se embolando, soco pronto pra estourar, e antes que a porrada coma solta de vez, eu saco a arma e dou dois tiros pro alto, o barulho seco estourando no ouvido de todo mundo e fazendo a favela inteira congelar no lugar. O silêncio vem pesado, daquele jeito que só vem quando alguém lembra quem manda. É aí que eu olho pra frente. E vejo a Alice descendo. Ela vem andando firme, sem correr, sem abaixar a cabeça, com aquela postura que sempre me irritou profundamente, porque não tem nada de submissa nela. É ali que a comparação bate forte de novo, quase automática, porque essas porras se parecem só na cara, no mesmo traço, no mesmo rosto, mas são completamente opostas em tudo o que carregam por dentro. Onde uma é caos, a outra é contenção. Onde uma é fogo descontrolado, a outra é brasa firme e tá sempre pronta pra guerra sem nem levantar a voz. É claro que eu já reparei nela, principalmente em dia de guerra que ela vira 48h de plantão no posto mas cuida de todos do morro e não dá mole pra ninguém, abusada pra c*****o mas completamente diferente da irmã. — Foguete, resolve essa p***a — eu falo sem nem tirar o olho dela, sentindo o corpo já se mover na direção dela antes mesmo de pensar. — Agora. Eu chego nela rápido, grudo a mão no braço dela e empurro o corpo dela contra a parede de chapisco do beco, colando perto demais, perto o suficiente pra sentir a tensão dela inteira tentando se soltar, e a reação vem na hora. — Cadê a p*****a da tua irmã? — eu pergunto com a voz carregada de raiva, o maxilar travado, o sangue fervendo, porque naquele momento tudo o que eu vejo é prejuízo, desrespeito e sumiço. Ela tenta se desvencilhar, empurra meu peito, mas não consegue, e levanta o rosto pra mim com aquele olhar afiado que sempre me desafia. — Tá maluco? — ela responde sem medo, o tom seco, firme, desafiado, mesmo presa contra a parede. — Eu tenho a cara dela, mas eu não sou ela não. Quem faz negócio com você é ela, não sou eu. — ela responde afiada na ponta da língua Aquilo me estoura por dentro. Minha mão sobe no pescoço dela num movimento instintivo, apertando o pescoço dela com força mas não pra machucar, mas pra botar ela no lugar dela, como se fosse possível, porque ela me encara nos olhos sem nem desviar. — Tá achando que tá falando com quem nessa p***a? — eu rosno, me aproximando mais, a raiva vibrando no corpo inteiro, o olhar duro cravado no dela. — Ficou maluca? Eu peito ela, colado, sem dar espaço, sem dar fuga, porque naquele beco estreito só existe a minha sombra cobrindo a dela, e mesmo assim ela não abaixa o olhar. E a filha da p**a não se afasta, não recua, não desvia, e nem demonstra medo de mim, o que me deixa ainda mais puto.
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