A campanha publicitária foi um sucesso estrondoso. Em poucos dias, o rosto de Lucas Bueno estampava outdoors, vitrines e comerciais de TV. A marca de jeans que o contratou apostou alto na sua imagem de “beleza autêntica do interior”, e o Brasil inteiro quis saber quem era aquele rapaz de olhos verdes, sorriso tímido e 1,95 de carisma.
— Ele é diferente. — Diziam os produtores. — Não é só bonito. Ele tem alma.
As redes sociais explodiram. Entrevistas, convites, sessões de fotos. Lucas m*l conseguia respirar entre um compromisso e outro. Mas mesmo com toda a agitação, o seu coração continuava preso a Cedro do Abaeté, e a Gisele.
Certa noite, após um evento em São Paulo, Lucas se sentou com Paulo, seu agente, num camarim improvisado.
— Eu tô feliz, Paulo. Mas também tô dividido.
— Dividido como?
— Gisele. Ela é tudo pra mim. E eu sinto que tô me afastando. Que esse mundo aqui não tem espaço pra nós dois.
Paulo olhou para ele com empatia.
— Você tem que decidir o que quer, Lucas. Porque o mundo tá te chamando. Inclusive… chegou um convite hoje. Campanha internacional. Paris. Três meses.
Lucas arregalou os olhos.
— Paris?
— É uma chance única. Mas exige foco. E desapego.
Antes que Lucas pudesse responder, Margarete entrou no camarim. Alta, elegante, com olhar afiado e postura de quem não aceita “não” como resposta. Era a empresária responsável por cuidar da imagem de Lucas a partir daquele momento.
— Desculpem interromper. — Disse ela, com um sorriso frio. — Mas ouvi a conversa. E preciso ser clara.
Ela se aproximou de Lucas.
— Você é uma estrela em ascensão. E estrelas não podem se prender a romances de cidadezinha. Isso atrapalha. Enfraquece a narrativa. O público quer mistério, quer desejo. Não um noivo apaixonado por uma farmacêutica do interior.
Lucas se levantou, incomodado.
— Gisele não é um obstáculo. Ela é minha base. Sem ela, eu não teria chegado até aqui.
Margarete cruzou os braços.
— Então decida. Porque se quiser Paris, se quiser o mundo, vai ter que deixar Cedro pra trás. Inclusive… Gisele.
Paulo tentou intervir.
— Margarete, calma. Podemos ajustar a imagem. Não precisa ser tão radical.
— Ou ele é produto de desejo, ou é só mais um rostinho bonito com uma história rural, simples assim Paulo. — Disse ela, saindo do camarim.
Lucas ficou em silêncio. O convite para Paris estava sobre a mesa. O seu coração, dividido entre o amor e a carreira, batia mais forte do que nunca.
E naquele instante, ele soube: o próximo passo mudaria tudo.
Vozes Que Se Afastam...
O celular vibrou sobre a mesa da farmácia. Gisele atendeu imediatamente, o coração sempre acelerado quando via o nome de Lucas na tela.
— Oi, meu amor! — Disse ela, tentando soar leve.
— Oi, Gi. Que saudade da sua voz. — Respondeu Lucas, do outro lado da linha, com um tom cansado.
— Você tá bem? Parece exausto.
— Tô. Hoje foram três ensaios, uma entrevista e uma reunião com a equipe da marca nova. Mas tô aqui agora. Só queria ouvir você.
Gisele sorriu, mas havia algo diferente. As ligações estavam ficando mais curtas. As mensagens, mais espaçadas. E a voz dele, cada vez mais distante, mesmo quando dizia que a amava.
— E aí, como estão os preparativos pro nosso casamento? — Perguntou Lucas, tentando soar animado.
— Estão andando. Dona Lurdes tá bordando os guardanapos, Leonor tá cuidando das flores. A praça já tá reservada. Mas…
— Mas?
— Às vezes parece que eu tô preparando tudo sozinha. Como se você estivesse… longe demais.
Houve um silêncio do outro lado. Gisele sentiu o coração apertar.
— Gi… eu preciso te contar uma coisa.
— Fala.
— Recebi um convite. Uma campanha internacional. Paris. Três meses.
Ela fechou os olhos por um instante.
— Três meses?
— É uma chance enorme. A Margarete diz que pode abrir portas que nem imaginamos. Mas… o casamento é daqui a quatro.
— E você vai?
Lucas hesitou.
— Eu ainda não decidi. Mas… talvez eu precise ir, amor, a grana vai ser muito boa vai nos dar independência e podemos comprar a farmácia que você tanto ama.
Gisele respirou fundo, tentando manter a voz firme.
— Você sempre disse que faria tudo por nós. Que esse trabalho era pra ajudar sua família, pra garantir nosso futuro. Mas agora… parece que o “nós” tá ficando pra depois.
— Não é isso, Gi. Eu te amo. Você é tudo pra mim.
— Então por que eu sinto que tô te perdendo um pouco mais a cada ligação?
Do outro lado, Lucas não soube o que responder. O silêncio entre eles foi mais alto que qualquer palavra.
— Eu só queria que você estivesse aqui... — Sussurrou ela quase chorando.
— Eu também. Mais do que tudo.
— Então volta.
— Eu… eu não posso. Ainda não.
Gisele mordeu os lábios, segurando as lágrimas.
— Eu vou continuar preparando tudo. Mas, Lucas… se você for, só me promete uma coisa.
— Qualquer coisa.
— Não me deixa esperando por alguém que não vai voltar inteiro.
Lucas sentiu o peso daquelas palavras. E, pela primeira vez, percebeu que o amor deles estava sendo testado por algo maior do que a distância: o tempo.