capitulo 3 O Juízo Final do Ramos

1383 Words
— Fraco? — solto uma risada que parece o som de um caixão sendo arrastado no asfalto quente, um bagulho seco que faz o André travar o fuzil e os moleques da contenção sentirem o cu trancar. — Aqueles vermes do g**o não aguentam dez minutos de trocação quando eu resolvo descer pra cobrar os vacilos na pista, imagina dar suporte pra um lixo humano igual a esse aí, Ramos. Acreditou no papo torto dos alemão, achou que ia ganhar o céu vendendo o meu chão, mas esqueceu que eu sou a p***a do pesadelo que faz esses otários chorarem e pedirem perdão pra foto da coroa antes de virarem carniça no ralo. O final dessa fita vai ser um bagulho tão cabuloso, tão escroto, que nem o capeta vai ter estômago pra assistir essa p***a de camarote. Puxo a faca devagar, sentindo o peso do aço escuro, temperado no ódio e no sangue de cada miserável que já tentou me atravessar. Encosto a ponta gélida na bochecha do rato, bem embaixo do olho esquerdo, onde a pele tá fina e o medo tá saltando pra fora igual bicho acuado. Começo a retalhar essa cara de lixo. Não é um corte rápido pra terminar logo; eu quero sentir cada fibra rasgando, quero ouvir o som da lâmina vencendo o músculo e a cartilagem. É um sulco lento, cirúrgico, profundo, onde eu sinto o metal abrindo caminho na carne como se eu tivesse desenhando o mapa da minha fúria. O sangue escorre quente, viscoso, descendo pelo pescoço igual um colar de rubis macabro sob a luz dos blindados. O olhar tá vidrado, as pupilas dilatadas, o sistema nervoso entrando em curto-circuito total. — Eu avisei que traição no meu Império não tem perdão e nem p**a de desconto, arrombado de quinta. — sussurro no ouvido do verme, sentindo o calor do hálito desesperado. — No meu domínio, X9 morre como mercadoria estragada que nem urubu tem coragem de bicar. Virou carniça antes mesmo de o corpo beijar o chão. Mas eu ainda não terminei. Quero que a alma imunda veja o próprio fim antes de apagar de vez. Seguro o queixo do traidor com a mão suja de sangue e olho bem no fundo dessa alma sebosa. A ponta da faca sobe, deslizando pela carne aberta até parar na pálpebra. Usou esses olhos pra vigiar minha rotina e passar pros alemão, né? Então não precisa mais deles pra enxergar o buraco onde vai morar. Sem um pingo de hesitação, eu enfio o polegar com força no canto do globo ocular enquanto a ponta da faca faz o serviço por baixo. O som do rompimento é como uma uva esmagada, um estalo úmido que faz o André desviar o olhar. Um urro rasga a madrugada, um grito desumano enquanto eu arranco essa p***a fora e deixo pendurado só pelos nervos. O sangue espirra na minha bochecha, mas eu nem limpo. Eu quero sentir o gosto da derrota desse infeliz. — Endereço, p***a! Onde é a base que eles tavam pagando pra ser esse verme? — exijo, segurando pelos cabelos com tanta força que sinto o couro cabeludo descolar do crânio. Forço a cabeça pra trás até o pescoço estalar. — Rua das Palmeiras... galpão azul... atrás da transportadora... — o rato tosse, cuspindo uma mistura de água e sangue. O peito sobe e desce em espasmos de dor, o corpo todo tremendo no metal frio. — Quarta-feira... às três... ia ter reunião pros batedores... eles vão tar tudo lá, Feroz... juro pela minha vida... — Tua vida não vale um trago desse baseado, Ramos. — dou uma risada curta. — Quem mais do meu bonde tava fechado nessa fita? Não mente, senão eu vou atrás da tua coroa e faço ela assistir enquanto eu desmonto teus irmãos peça por peça. Vou transformar tua linhagem inteira em saudade. — Só eu... juro por tudo que é sagrado... só eu e o contato do Galo... — o infeliz soluça, a voz sumindo num ralo de fraqueza. Minto que acredito com um aceno de cabeça frio. Já tenho o que eu preciso pra mandar o g**o e o bonde dele pro quinto dos infernos amanhã. Hora de encerrar esse espetáculo e apagar de vez as luzes. O que tá na minha frente já não é mais um homem; é só um pedaço de carne que serve de aviso pros outros ratos que pensam que o crime é colônia de férias. Tirei a faca de novo da bainha. A lâmina tá sedenta, vibrando com a pulsação do meu próprio sangue. Olho pro meu conselho de guerra: André, Tuca, Pingo e Duda. Todos imóveis, rostos de pedra, absorvendo cada detalhe da lição. O recado precisa ser nítido: no Império, o trono é sustentado por mãos firmes, coração de gelo e chumbo quente. Eu não sou um homem, eu sou o juízo final dessa p***a de morro. Seguro a cabeça pela nuca com uma força que quase esmaga o osso, puxando pra trás de forma violenta pra expor a jugular. O pescoço fica esticado, a pele branca aparecendo sob o suor e o sangue que já secou. A pulsação tá visível, batendo desesperada como um tambor de guerra avisando que o fim chegou. A lâmina encosta na pele. Falo tão baixo que só o traidor e a morte conseguem ouvir: — Ramos, tu não é um homem. Tu é uma página suja que eu tô rasgando do livro da vida. O morro vai aprender a ler através do teu fim. Vai virar lenda, mas do jeito r**m. Pode ir pedindo desculpa pro capeta, que o teu lugar na caldeira tá garantido com o teu nome escrito em sangue. E então, eu corto. Não é um movimento com dúvida. É um traço profundo, decidido, de orelha a orelha, abrindo um segundo sorriso, vermelho e fatal, no pescoço do verme. Sinto a vibração da faca rompendo as cordas vocais, os músculos e a artéria principal. O sangue jorra em um arco violento, uma fonte escarlate que encharca o concreto, a cadeira e o meu braço até o cotovelo. O corpo estremece em espasmos frenéticos, os pés batendo no chão como se tivesse tentando correr pro céu, os olhos arregalados buscando um ar que agora só sai em bolhas de sangue pelo pescoço aberto. A luta dura uns segundos... e então o brilho se apaga. O corpo fica pesado de uma vez, a cabeça pende sem vida, o olhar fixo no nada absoluto. Eu solto o estorvo. O corpo desmorona pro lado junto com a cadeira de metal, fazendo um barulho seco e definitivo. O sangue se espalha pelo chão do pátio como um mapa de um império construído sobre a brutalidade necessária. Pego o que restou pelos cabelos e ergo essa cabeça pesada, sentindo o calor da carne que se esvai, pra que todos os meus soldados vejam bem de perto o fim de quem tenta brincar com o dono do morro. — ESTE É O PREÇO DA TRAIÇÃO NO MEU COMPLEXO! — minha voz ecoa pela favela inteira, firme e cortante. — Quem acha que o Império tá à venda, acaba comprando a própria cova de brinde! Se o g**o quer guerra, ele vai ter um m******e! Eu não perdoo, eu não esqueço e eu não erro! Aqui o papo é reto e o castigo é no chumbo! Jogo a cabeça no chão com um baque surdo que coloca um ponto final na madrugada sangrenta. O André me olha com um respeito que beira a adoração. Ele sabe que o jogo aqui nunca para e que a misericórdia morreu faz tempo. O Tuca já começa a isolar a área com lonas pretas, o Pingo traz o saco reforçado pro descarte lá no lixão da baixada e a Duda já apaga qualquer rastro digital de comunicação do Ramos. Tudo funciona como uma máquina de moer carne bem lubrificada. Limpo a minha faca na camisa ensanguentada do defunto e a guardo na bainha com um clique seco. — Hoje o Império aprendeu quem é que manda nessa p***a. Amanhã, a cidade inteira vai sentir o tremor quando a gente descer pra cobrar essa conta. Porque onde o Feroz pisa, o chão não só racha, ele sangra. E eu ainda tô com fome de alemão.
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