Atlas, percebendo a interrupção do irmão, deu um sorriso irônico. O álcool no seu organismo não o permitia pensar com clareza. Então, soltando Amanda das suas mãos, começou a caminhar na sua direção.
Sinceramente, Dante queria bater nele, socar o seu maxilar perfeitamente esculpido, mas, deduzindo que isso o colocaria em apuros com Nerio, optou por se esquivar do golpe que Nerio imediatamente desferiu na sua direção.
O ciúme absurdo de Atlas pelo medo de perder alguém que não era seu o estava levando a um território perigoso, então, antes de perder a pouca paciência que lhe restava, Dante deu o segundo golpe no ar, torceu a mão atrás das costas e o imobilizou numa chave de braço bastante dolorosa.
Xi*ngando profusamente, Atlas se recusou a manter a calma, inalando o cheiro que emanava dele. Foi então que seu irmão mais velho soube que ele estava bêbado.
— Atlas, estou avisando, é melhor se acalmar...
Na verdade, Dante não nutria nenhum ódio por ele, apesar de se agarrar a Amanda como uma sanguessuga. A sua presença o incomodava, é claro, mas ele não o odiava; não podia, já que compartilhavam o mesmo sangue.
Os gritos da discussão ecoaram por todo o andar superior da empresa e, correndo para socorrer o chefe, Melissa entrou no escritório, apavorada com a ideia da briga entre os Hackett.
— A senhora está bem, Sra. Granfort?
Amanda, por sua vez, um pouco atordoada com a cena que se desenrolava diante dos seus olhos, assentiu, permanecendo imóvel num canto do escritório, até que Atlas percebeu finalmente a confusão que havia causado e acalmou um pouco a sua raiva.
Ainda imobilizando Atlas, Dante não o soltou até que o acompanhasse até a porta e, vendo certa decepção nos olhos de Amanda ao sair, soube que havia cometido um erro.
— Dante, me solta!
Lutando com o irmão enquanto o arrastava para a saída da empresa, Atlas retrucou com raiva e, soltando o seu braço assim que se afastaram de Amanda, acrescentou: você enlouqueceu, Atlas? Que diab*os pensa que está fazendo?
Atlas arrumou o seu terno, todo desarrumado devido ao seu estado, e alguns segundos depois, cerrou a mão, tentando iniciar outra discussão entre eles. Infelizmente, desta vez, Dante não permitiu e, levantando a mão, bateu com força contra o nariz, fraturando-o.
— Eu avisei para você ficar calmo. Não vê como todos estão te observando, Atlas?
De fato, segurando a mão dele, tentando estancar o sangue que escorria do nariz, ele percebeu como algumas pessoas que trabalhavam na empresa o olhavam com certo espanto. Entendendo que não deveria ficar ali nem mais um segundo, Atlas assentiu algumas vezes enquanto recuava para sair.
Por outro lado, Dante permaneceu na entrada do local, imaginando o que teria acontecido com o irmão. Após perceber que não voltaria por pelo menos aquele dia, foi ver Amanda para se certificar de que ela estava bem.
Assim que ele entrou no seu escritório sem avisar, ela assustou-se, pensando que fosse Atlas, mas ao ver que não era, relaxou um pouco e suspirou.
— Amanda... me desculpe. Não sei o que aconteceu com Atlas.
Dante sentiu a necessidade de se desculpar no lugar do irmão. A última coisa que queria era envolver Amanda nas suas disputas com Atlas, ao que ela apenas assentiu, abaixando o rosto por alguns segundos.
Sinceramente, ele pensou que a machucaria, e não estava errado, pois o seu comportamento hostil demonstrava as suas verdadeiras intenções.
Amanda, um pouco mais relaxada depois de tomar uma xícara de chá que Melissa lhe ofereceu, levantou-se para finalmente começar o seu trabalho, mas quando ele mencionou o seu nome mais uma vez, ela parou.
— Deixe-me levá-la para casa ao anoitecer. Não sei o que está acontecendo com Atlas, mas quero ter certeza de que você está segura.
Amanda, ao ouvir essas palavras, franziu os lábios, sentindo uma mistura um tanto confusa de emoções. Por um lado, Atlas, que ela pensava ser seu protetor, havia enlouquecido, e por outro, Dante, seu marido, o miserável que a fizera sofrer, fora quem a salvara.
Girando as costas, ela sinceramente queria recusar, mas, demonstrando que ele não estava disposto a desistir, ela não teve escolha a não ser aceitar.
Por outro lado, e o mais preocupante, assim que Atlas deixou a empresa, ele recorreu à única pessoa que poderia ajudá-lo naquelas circunstâncias.
Erika...
Caminhando pelo amplo corredor de um dos hospitais mais exclusivos da cidade, ele tentava limpar o sangue quase seco que jazia espalhado por seu rosto. Pegando o celular bem no meio do hospital, discou o número dela.
— Preciso da sua ajuda... Perdi o controle. Agora não sei o que farei para ter Amanda de volta.
Falando como se ela realmente tivesse sido sua em algum momento, ele foi guiado por um dos funcionários do hospital até o consultório de Bennett e abriu a porta. Erika, com o rosto marcado pela irritação, perguntou sem rodeios: o que você fez?
Sério, o homem se sentiu estú*pido por perder a paciência daquele jeito. Depois de tanto esforço para se aproximar ainda mais dela, e agora que praticamente a tinha nas suas mãos devido ao desprezo que sentia pelo marido dela, ele jogou tudo fora por alguns drinques.
Sinalizando que podia prosseguir, a médica deu um passo para o lado para lhe dar acesso e, sentando-se do outro lado da mesa, acrescentou: fiz um escândalo na empresa, na frente de todo mundo e Amanda estava lá.
Esfregando o rosto, ele contou tudo o que havia acontecido e, depois de alguns xi*ngamentos, a mulher tomou o seu lugar na frente de Atlas.
— O que você está planejando fazer agora, Atlas? Como pôde arruinar anos de trabalho só por causa de um ataque? Você é...
A frase da mulher ficou inacabada devido à frustração que sentia com a separação de Dante e Amanda, três anos antes. Em parte, é resultado da colaboração deles, embora Bennett tenha sido o cérebro por trás de tudo.
A mulher inquieta mordeu levemente o lábio inferior e, após ter uma ideia um tanto extrema, mas eficaz, disse: o pior defeito da Amanda é a sua compaixão... Bem, vamos dar a ela motivos para sentir pena de você, Atlas... E eu sei como.
O homem, sem entender o que ela dizia, apenas franziu os lábios e, olhando rapidamente alguns resultados, elaborou o seu próximo plano.