Episódio 23

1690 Words
Dante permaneceu na empresa assim que a noite caiu para levar Amanda para casa em segurança. Parado do lado de fora do escritório dela, ele a esperou. Ao sair de repente, ela ficou ligeiramente surpresa ao encontrá-lo ali. Abaixando o rosto por um momento, disse: posso garantir que consigo chegar em casa sozinha. Naquela manhã, Dante notou que ela chegou à empresa sozinha, sem o motorista, então, depois do que aconteceu com o irmão, ele só queria ter certeza de que ela chegaria em segurança ao seu destino... Dante, um pouco irritado por ela se recusar a ser escoltada, colocou as mãos no bolso e, depois de fazer beicinho, respondeu simplesmente: eu sei disso, Amanda, e não estou questionando as suas habilidades. É só que isso deixaria a mim e ao próprio Erick mais tranquilos... Ou pelo menos eu acho que sim. Amanda, um tanto calma e sem outra opção, começou a caminhar até o elevador e, ao chegar ao carro de Hackett, ambos entraram. Ela o observou em completo silêncio enquanto ele levava as mãos ao volante, observando os detalhes dos seus braços fortes, que eram perceptíveis apesar do terno exclusivo, e notando, naquele momento, um relógio na sua mão que lhe era bastante familiar, o que a fez franzir a testa. Ela não o via há anos e, agora que o movimento da sua mão o revelava, certas lembranças lhe vieram à mente. O caminho até a mansão Granfort foi silenciosa. Ela, por sua vez, não pretendia saber nada sobre ele, nem por que ainda tinha o presente de aniversário dele, o último que ele lhe dera. Isso apenas quebraria as barreiras que ela havia criado para não cair na armadilha dele. E ele, bem, não queria incomodá-la, muito menos fazê-la pensar que estava se aproveitando da situação para assediá-la. Assim que chegaram à mansão Granfort, Dante não disse nada. Ele simplesmente saiu do veículo, abriu a porta do passageiro e fez sinal para que ela saísse. Amanda realmente achou que ele diria algo sobre o casamento deles, mas ao vê-lo ali parado esperando que ela entrasse na sua mansão, ela sentiu-se estranha. O que havia de errado com ele? Será que o interesse dele por ela havia desaparecido? Franzindo a testa, ela assentiu sem motivo e, virando-se, estava prestes a sair quando ouviu o seu nome sair dos lábios convidativos de Dante e parou. — Amanda... Virando-se para encará-lo, ela viu o homem que havia roubado os seus suspiros algumas vezes anos atrás, que abaixou o rosto por um momento, envergonhado, antes de dizer a ela: se precisar de uma carona amanhã, não hesite em me ligar. Só quero garantir que o que aconteceu em Atlas não aconteça novamente. Saber que o seu marido se importava com a sua segurança a encheu de alegria, o que a fez recuperar o fôlego. Depois de se virar, ela deu alguns passos para trás na direção dele. — Já que você mencionou... Sim, o meu motorista está de férias e, enquanto procuro um substituto, terei que ir trabalhar sozinha. Dante franziu os lábios por alguns segundos, após ficar satisfeito ao ver que, pela primeira vez, Amanda falava com ele sem começar uma discussão. Silenciosa e emocionada, ela imaginou que ele estava chateado por ela ter mencionado o seu irmão, então, envergonhada, acenou com as mãos para explicar. — Não me entenda m*al, Dante. Não é que eu tenha medo do seu irmão. É só que o comportamento dele realmente me assusta... Atlas nunca tinha feito nada parecido antes, e eu estava com muito medo. Honestamente, até Dante achou que seu irmão a machucaria, visto que ela se recusava a cair nos seus encantos, e foi por isso que ele interveio. Dante, em resposta, apenas balançou a cabeça e, sorrindo com certo desconforto, acrescentou: eu sei, Amanda, e realmente espero que ele reconsidere... E quanto ao seu motorista, se não se importar, posso vir buscá-la e trazê-la. Amanda engoliu em seco. Ficar sozinha por meia hora com Dante seria uma verdadeira tortura para ela, mas estava mais apavorada com a possibilidade de o incidente com o cunhado acontecer novamente, então optou por assentir. — Não tenho problema com isso, Dante. Sinceramente, você seria muito útil. Acenando com a cabeça mais uma vez em concordância, Dante simplesmente retornou ao seu veículo e, engatando a marcha, partiu da mansão Granfort. Naquela noite, por motivos óbvios, Atlas não voltou para casa e, cumprindo a palavra que haviam combinado, quando o sol se pôs, Dante foi à mansão Granfort encontrar Amanda, apenas para buscá-la e levá-la para o trabalho. — Como combinamos... Aqui estou. Observado de dentro da mansão por Erick, Dante estava ao lado do carro enquanto observava a sua esposa descer os degraus largos da porta da frente. Engolindo em seco, Dante se conteve para não tomá-la nos braços e beijá-la. Apesar de tudo o que havia acontecido entre eles. A discórdia de Atlas e a traição de Erika. O amor deles não havia diminuído. Ele entendia que havia cometido um erro e, por isso, lutaria todos os dias para reconquistá-la. Amanda, por sua vez, viu Dante parado à sua frente, vestido com um elegante terno escuro e gravata azul-choque, e engasgou. Dizer que um homem bonito como ele não despertava sentimentos nela seria uma completa mentira. Depois de abrir a porta para que ela entrasse no veículo, Dante virou-se para fazer o mesmo e, acenando para o sogro, que não estava feliz em ver a filha com o homem que a fizera sofrer, Dante foi embora. Naquele dia, tanto Dante quanto Amanda se concentraram no trabalho, ele substituindo o irmão, por motivos óbvios, o que o obrigou a trabalhar lado a lado com a esposa, que, por mais que se opusesse, não teve escolha a não ser ceder. — Você acha que escolhemos as modelos? Gostaria que a equipe começasse as sessões de fotos hoje. Entregando a Amanda o extenso portfólio, Dante sentou-se ao lado dela e, começando a folhear a pasta, concentraram-se no trabalho, esquecendo-se do mundo exterior por pelo menos um momento. Estavam ambos tão concentrados no que faziam que, enquanto folheavam as páginas, inclinaram-se para mais perto dele, examinando detalhadamente as características físicas das modelos. Quando finalmente perceberam que o que estava ali não atendia às suas necessidades, Amanda balançou a cabeça em ne*gação, sem se afastar, pois não havia notado a proximidade deles. — Isso é impossível... Teremos que mandar buscar novas modelos, desta vez com curvas. Parte do seu tempo havia sido desperdiçada numa seleção que elas não fizeram, e, ao desviar o olhar na direção de Dante para ver o que ele estava pensando, ela percebeu que estavam a poucos centímetros de distância. Desconforto e nervosismo imediatamente começaram a tomar conta dela, e, pigarreando, ela tentou se afastar, mas antes perguntou: por que você ainda o tem? Referindo-se ao relógio, ela disse isso, e franzindo a testa, perturbado pela proximidade, ele não sabia o que dizer. — Por que você ainda usa esse relógio? Desta vez, formulando a pergunta com mais clareza, ele baixou brevemente o olhar para o pulso, pensando que ela não havia notado. Permaneceu em silêncio e não respondeu, o que irritou Amanda um pouco. — Diga-me por que você o guarda? Desta vez, ele perguntou num chiado e, voltando o olhar para ela, respondeu. — Porque eu quero, eu gosto... Foi um presente que alguém especial me deu. Amanda, inconscientemente, soltou uma risada zombeteira e, virando a cadeira para o lado, fingiu se levantar, mas ele a impediu colocando as mãos em cada lado do braço. — Você ainda está hesitando, Amanda? Porque eu pensei que naquele dia, quando eu a restaurasse, eu esclareceria tudo. Com uma expressão completamente séria, Amanda sentiu-se um pouco desconfortável, e ele continuou, enfatizando: eu te mostrei que não estou mentindo, e mesmo assim você ainda tem dúvidas... Não sei mais o que fazer para que você acredite em mim. Preciso abrir o meu coração para você ver que a operação é verdadeira? Cada palavra era um movimento que Dante fazia para se aproximar dela, e quando os seus rostos se encontraram, ele continuou. — Mesmo que os seus olhos me digam o contrário... Eu sinto que você acredita em mim, mas seu orgulho não permite que você admita. O escritório estava ficando quente, e suas respirações, mais ofegantes. A sua mente começou a mergulhar num milhão de pensamentos, e quando finalmente estava pronta para responder, sentiu os lábios de Dante pressionarem os dela. Deliciosamente, deliberadamente, quase tão doces quanto ela tentava ser, mas devido ao aroma inebriante da sua fragrância, ele caiu na armadilha e respondeu de tal forma que os braços dela se envolveram no seu pescoço. Por um momento, o m*aldito mundo exterior desapareceu. Só aquele beijo importava, até que, de repente, o seu telefone começou a tocar, constante e irritantemente. Dante realmente desejou que o dispositivo inf*ernal derretesse naquele instante, então envolveu o corpo frágil de Amanda com as mãos, sem querer soltá-la. Por sua vez, ela praguejou interiormente, sem querer deixá-lo, mas quando viu que o toque não parava, não teve escolha a não ser parar. O peito de ambos subia e descia de excitação, e os seus lábios estavam inchados pelo beijo. Mesmo com as bochechas queimando, Amanda afastou-se de Hackett e, pegando o telefone da mesa, não pôde fazer nada além de atender. A voz do outro lado era completamente desconhecida para ela, então, confusa, afastou o telefone do ouvido e, vendo um número irreconhecível, perguntou: quem está falando? A mulher do outro lado da linha apenas disse "boa tarde" e, após ouvir o clique de um teclado de computador, acrescentou: Sra. Amanda Granfort, estamos ligando do hospital do sul para informar que o Sr. Hackett foi levado às pressas para o hospital com o que parece ser um ataque cardíaco." O olhar de Amanda se voltou para Dante, que ouviu isso e, pegando o telefone dela, falou. — Temos que ir. ‍‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌
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