Episódio 8

1073 Words
Olhando para a petição nas suas mãos, Dante não conseguia acreditar no que via. Será que Amanda havia entrado com o pedido de divórcio por abandono? Parecia uma piada de m*au gosto, algo que ele jamais imaginara que ela faria, e agora que finalmente tinha a prova em mãos, estava atordoado. Levantando-se, passou uma das mãos pelo rosto e, caminhando até a janela do quarto, viu os pertences da esposa sendo retirados da mansão Hackett. Com certeza, assim como ela havia dito a Atlas, ela partiria no dia seguinte ao amanhecer, e assim o fez. Antes de Dante se acomodar novamente na mansão do avô, ela mandou retirar todos os seus pertences para não cruzar o caminho dele. Amassando o papel nas mãos, irritado, Dante decidiu descer. Ao encontrar o patriarca da família, franziu os lábios, sabendo que o repreenderia pelo que estava acontecendo. — Ela vai embora. E a culpa é toda sua... Se você tivesse feito as coisas direito, ela não teria que sair daqui, e vocês dois seriam felizes. Repreendendo-o por Amanda, a garota que ele queria como neta, estar saindo de casa, Nerio demonstrou o seu descontentamento, algo que Dante só podia lamentar. E como ele poderia não amar Amanda? Eles a conheciam desde pequena. Na verdade, o seu casamento foi arranjado por seu pai e pelo próprio Nerio, que eram muito bons amigos. Dante desviou o olhar da janela principal, onde os meninos podiam ser vistos levando tudo, e caminhando até uma lixeira próxima, jogou fora o aviso do processo. Não havia como ele permitir que Amanda se divorciasse, e se isso significasse revelar a verdade sobre a sua partida, ele o faria de bom grado. Só para não perdê-la. Olhando para o papel na lixeira, ele permaneceu em silêncio e, ouvindo o seu avô chamá-lo atrás de si, girou nos calcanhares para olhá-lo. — Também ouvi falar do processo de divórcio... Tudo por não ter feito as coisas direito, por não ter dito a verdade... agora não só corremos o risco de perder parte da revista com o divórcio, como também a sociedade se desintegrará... Algo que Granfort deseja há muito tempo. Se Amanda e Atlas não insistissem em manter a sociedade, isso já teria acontecido. Ouvir o nome de Atlas irritou Dante e, com um bufo, sentou-se no sofá grande, pronto para continuar a conversa. — Atlas? Meu irmão e eu teremos uma conversa muito séria esta tarde. Ele tem muito o que explicar. Cruzando as pernas, Dante colocou a mão no joelho. Depois de ver o avô sentado ao seu lado, o homem respondeu: conversar sobre o quê? Sobre Amanda? Você sabe que ele não ouve a razão, nunca ouve, não ouviu em todos esses anos, muito menos agora que ela está prestes a se divorciar de você. Desde que Amanda e Dante se casaram, Atlas mudou completamente de vida, tornando o relacionamento entre os dois irmãos difícil de suportar. — Ele ainda não me perdoou pelo casamento... Ele tenta se dar bem comigo, mas eu sei que não me perdoou completamente. E como ele pode fazer isso? Sim, Nerio, em aliança com Granfort, decidiu o futuro dos seus sucessores, sem sequer se importar com os seus desejos ou sentimentos. Pelo menos da parte de Nerio, que, sabendo que Atlas amava Amanda, forçou Dante a se casar com ela, sendo o mais velho, e que assumiria a chefia da família após a sua partida. Balançando a cabeça levemente, Dante permaneceu em silêncio e, pigarreando, o patriarca Hackett continuou. — Agora, o que você vai fazer? Assinará o divórcio? Sem pensar duas vezes, Dante balançou a cabeça e, levantando-se, enfatizou a sua posição, uma que jamais mudaria. — Nunca... Cinco anos atrás, diante de um altar, nós dois juramos ficar unidos até que a morte nos separe, e assim será. Não havia como fazer o homem enxergar a razão, não quando ele se distanciara de Amanda por motivos mais urgentes e não dissera a verdade por medo de despertar a piedade dela, o que, na opinião dele, a ligaria a ele para o resto da vida. **** **** Atlas, com um sorriso enorme adornando o seu rosto perfeito, ergueu uma sobrancelha, aguardando a resposta de Amanda, que veio alguns segundos depois, afirmativa. — Ok... Mas estou esclarecendo que vamos jantar com colegas, sem amenidades, só porque estou morrendo de fome e quero finalmente sair daqui para me instalar na casa do meu pai. Levantando-se, Amanda foi até sua bolsa e, pegando-a, os dois dirigiram-se para a saída, rumo a um restaurante próximo. Atlas, sentindo que desta vez a sua insistência daria frutos, fez a reserva com antecedência e, parando o carro em frente ao estabelecimento de luxo, contornou o veículo o mais rápido que pôde para ajudar Amanda. E para ele, isso era uma grande conquista. Durante anos, desde que Dante abandonara a cunhada, ele se propusera a conquistá-la. Aos poucos, depois de tanto tempo, ela pareceu ceder um pouco. Pegando-lhe a mão delicadamente, Atlas caminhou de mãos dadas, com o queixo erguido, até a mesa designada. O casal sentou-se, alheio ao ambiente, pronto para saborear a refeição em boa companhia, sem interrupções, algo impossível na cidade grande. — Parece que você sabia que eu diria sim... Refiro-me ao lugar. Pelo que ouvi, é impossível conseguir uma reserva aqui em tão pouco tempo. Tomando um gole d'água após um dia um tanto agitado, Amanda fez esse comentário em tom de brincadeira, sentindo-se lisonjeada pela dedicação e esforço de Atlas em compartilhar uma refeição simples com ela. Sentindo-se exposto, o jovem Hackett lhe deu um pequeno sorriso e, erguendo o seu copo recém-servido, fingindo brindar, respondeu antes de beber. — Eu esperava que você... Não sei você, mas eu tenho muito o que comemorar, não acha? Como fogo em palha, o boato do divórcio de Amanda e Dante espalhou-se pela empresa, o que deixou Atlas muito feliz e o motivo pelo qual ele quis brindar. Amanda, um pouco decepcionada com as ações de Dante com o pedido de divórcio, mas mantendo a fé de que o processo de abandono daria certo, sorriu. E, assentindo, começaram uma conversa casual enquanto aguardavam os seus pedidos, que chegaram bem depois. — Mas olha quem temos aqui! Como se tivessem sido enviadas pelo próprio di*abo para estragar a noite, quem apareceu foram Maya e Erika, que m*aliciosamente, só para irritá-los, se aproximaram do casal. ‍‌‌ ‌ ‌ ‌ ‌
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