Com a boca entreaberta, Amanda olhou do juiz para Ibbie, que estava de pé ao seu lado, aos pés do tribunal.
O tribunal ordenou uma audiência sobre o divórcio, à qual Dante não compareceu.
O motivo:
A sua saúde. Embora já tivessem se passado dois dias desde o incidente do lado de fora do restaurante, ele estava na mansão Hackett sob os cuidados da família, pelo menos de Nerio e Georgia.
Mantendo-se firme, a advogada de Dante apresentou os seus motivos para não estar presente e, diante disso, a juíza simplesmente adiou a sessão.
— Doença cardíaca? Ele é um idi*ota! Eu tolerei tudo do Dante: ele indo embora, ele me fazendo de boba, até mesmo ele não me dando nenhuma explicação ao retornar. Mas isso? É a gota d'água.
Passando as mãos no rosto, furiosa com a desculpa absurda de Dante para não comparecer, Amanda saiu da sala o mais rápido que pôde e, seguindo-a de perto, Ibbie continuou chamando por ela.
— O que dia*bos você vai fazer agora, Amanda?
Ao alcançá-la, a morena conseguiu fazer a amiga parar.
— Confrontar aquele idi*ota do Dante só me prejudicou desde que entrou na minha vida, então preciso que ele pare... Que me deixe livre para que eu possa fazer o quiser, mas longe dele.
Ninguém sabia melhor do que Ibbie tudo o que Amanda havia passado desde a partida de Dante, e era por isso que ela não o suportava.
— E você tem razão, Amanda, mas já que está tão chateada, acho que não é uma boa ideia.
Tentando argumentar com a amiga, a advogada continuou falando com ela por um momento e, ao ouvir alguém se levantar atrás dela, silenciou-se.
— Olá Amanda... Olá Ibbie.
Um pouco envergonhado por ter que se aproximar da ex-namorada, o empresário Cristian Matheson abaixou o rosto por um momento e, quando se afastaram, pediu a Amanda alguns segundos para conversarem a sós.
— Sei que este não é o lugar, mas eu estava vindo aqui para tratar de um assunto jurídico quando te vi... Então, não queria perder esta oportunidade. O meu casamento com a Maya está chegando, e eu queria te perguntar se você poderia escrever um artigo sobre isso, Maya. Acredite ou não, ela não perde uma única edição, e eu pensei que seria uma ótima ideia.
Os lábios de Amanda se franziram por um instante diante de tal pedido e, depois de prender a respiração, ela olhou para a amiga de longe.
— Você não pode me pedir isso, Cristian. Você sabe que a Ibbie é minha melhor amiga, e o que aconteceu entre vocês a deixou arrasada... Eu não posso fazer algo assim. Eu a estaria traindo.
O coração do homem palpitou por um instante, vendo a mulher que ele ainda amava parada a poucos metros dele. O relacionamento deles não terminou por causa de problemas com Ibbie, mas por causa de uma armadilha lamentável armada por Maya, na qual ele caiu e ainda permanece.
— Eu entendo, Amanda. Eu nem sei por que te chamei. Acabei de ver Ibbie e queria me aproximar... Me desculpe.
Com uma expressão arrependida, o homem tentou recuar e, puxando sua mão, Amanda o deteve.
— Você ainda sente algo por ela, Cristian? Você ainda ama Ibbie?
Olhando na direção da morena que estava concentrada no celular, ele fez um barulho para sinalizar silêncio e, depois de esfregar as têmporas, acrescentou: sim, Amanda... mas meu lugar é com Maya.
Amanda imediatamente revirou os olhos, m*al ouvindo as suas palavras, e balançando a cabeça alguns segundos depois, disse: você é louco... Eu não entendo como você pode estar com alguém sem sentir amor.
Chateada por ver o idi*ota que a sua amiga ainda amava, Amanda passou por ele, decidida a deixá-lo para trás. Murmurando algumas palavras, ele a fez congelar no lugar.
— Não é isso que você está tentando fazer com Atlas? Vamos lá, Amanda! Não tente se enganar. Todos sabemos que você não o ama. É óbvio que você ainda ama o Dante.
Amanda, confrontada com essa verdade e com a desculpa absurda do marido, girou nos calcanhares, deixando a raiva transparecer em seu rosto.
— É melhor você ficar quieto. A diferença entre você e eu é que o homem que eu amava me tratou m*al, mas você... Você só está com Maya, por pena.
Cristian ficou sem palavras e, após ver o confronto entre os dois, Ibbie se aproximou de Amanda.
— Não discuta com ele Amanda, é inútil, ele nunca vai entender.
Puxando a amiga, Ibbie levou Amanda para fora do tribunal, deixando-a na porta da revista, de onde ela estava prestes a sair.
— Com licença, Ibbie, eu sei que o que aconteceu entre você e Cristian não é da minha conta, mas odeio que ele tenha sido tão cego... Além disso, desavergonhado, por ter me feito um pedido como aquele.
Com um sorriso triste, a advogada simplesmente balançou a cabeça e, abraçando Amanda em despedida, sussurrou: isso não importa mais. Agora eu só quero separar você de Dante para que nós duas possamos ser livres. Entendeu?
Amanda Granfort abriu um largo sorriso ao ouvir as piadas da amiga e, observando-a se afastar, parou na entrada do prédio da H&G.
— Melissa, peça meu carro. Sairei de novo. Desta vez, não sei se voltarei ao trabalho.
Assim que a sua assistente se aproximou, Amanda pediu que ela trouxesse o carro com motorista e, entrando, ordenou que ele a levasse até a mansão Hackett.
O peito de Amanda estufou assim que ela pisou no primeiro degrau da mansão e, apertando os lábios, alcançou a porta, que se abriu quase imediatamente.
— Senhora...
A mulher mais velha, perplexa ao ver a esposa do menino com quem crescera, abriu uma fresta da porta e, após assentir em resposta, Amanda perguntou:posso entrar?
Por mais que quisesse dizer não, sabia que não podia, não quando, possivelmente se Nerio descobrisse, a expulsaria sem hesitar.
Relutantemente, a babá não teve escolha a não ser deixá-la entrar e, de pé na sala enorme, Granfort perguntou novamente, com uma voz exigente.
— E Dante? Onde ele está? Onde está aquele covarde?
Georgia, parada ao seu lado, olhou ao redor enquanto pensava no que dizer. Vendo que ela não responderia, Amanda não esperou e subiu em direção ao quarto do marido, o mesmo que ele ocupava antes de ir embora.
Apesar de a mulher repetir o nome dela na tentativa de impedi-la, a irritação de Amanda aumentava a cada segundo e, finalmente chegando ao seu destino, ela agarrou a maçaneta e a abriu sem avisar.
Independentemente de o marido estar lá ou não, Amanda entrou no enorme quarto. Ao vê-lo deitado na cama de pijama, como se ainda estivesse dormindo, ela parou na frente dele, pegando-o de surpresa, pois ele estava meio adormecido.
— Sério que você está doente? Eu estava esperando por você no tribunal, e você não apareceu, porque, segundo o seu advogado, você é um homem moribundo... Dante cínico.
Dante, um pouco desconcertado com o estado dela e a entrada repentina em seu quarto, apenas franziu a testa ao ver como Amanda o encarava. Levantando-se, fez sinal para que Georgia, que a seguia, saísse.
Ele não esperava nada disso. Primeiro, ele estava convalescendo, em repouso enquanto outros exames eram realizados, e segundo, ele nunca esperava algo assim de Amanda, que sempre fora muito calma.
— Já suportei tudo de você, Dante. Agora só quero ser livre.
A palavra "livre" foi como um interruptor para ele, fazendo-o se aproximar dela. Ele a olhou de cima a baixo em completo silêncio, permanecendo ali enquanto as repreensões continuavam.
— Amanda, me escute!
Por mais que ele implorasse, ela não queria ouvir naquele momento. Ela só queria liberar tudo que estava preso ali, o que ele percebeu, e esperou a oportunidade de silenciá-la.
— Eu suportei ser o motivo de chacota de todos, você indo embora, ver as suas fotos com a sua amante... Seu bilhete idi*ota, mas isso... Era disso que você precisava.
Dante não queria ouvir mais nada. Já tinha ouvido o suficiente, mentiras suficientes, m*al-entendidos suficientes para continuar. Sem perder mais tempo, e aproveitando a oportunidade de ficar a sós com ela pela primeira vez desde seu retorno, ele a beijou.
Ele a beijou intensamente, agarrando-se a ela como se não houvesse amanhã.