Episódio 10

1024 Words
Sentindo que o seu coração estava prestes a sair do peito, Amanda observava a paisagem de dentro do veículo em movimento, com a mente ainda focada em Dante. O que havia de errado com aquele homem? Ele não tinha vergonha? Em sua mente, ela tentava encontrar uma desculpa para justificar o seu ciúme absurdo, e foi então que as lembranças a atingiram. Início do Flashback Amanda estava se olhando diante do enorme espelho em seu quarto, admirando a roupa que usara na festa de aniversário de Nerio, quando Dante apareceu atrás dela com um sorriso enorme no rosto. Ela achou que estava vivendo um sonho. Os primeiros meses de casamento não foram nada agradáveis, mas então, quando ela estava prestes a desistir, o seu marido pareceu interessado nela, e foi por isso que eles finalmente teriam a sua primeira noite juntos. — Devo dizer que você está linda? Com um meio sorriso, Amanda abaixou o rosto, pensando que isso não era um elogio. Aproximando-se dela, percebendo o desconforto que causava, Dante colocou a mão em suas costas, na altura da cintura. — Acho que não preciso. Só de olhar para você já é o suficiente para fazer qualquer um se apaixonar pela sua beleza... Há alguns meses, eu pensava que o vovô tinha se enganado sobre o nosso casamento, mas agora... Eu sei que não, Amanda, e agradeço de verdade a ele por me unir. Diminuindo a pequena distância entre eles, Dante depositou um beijo casto na pele nua das suas costas, fazendo-a formigar por todo o corpo. Girando-a sobre os pés, ele segurou o seu rosto entre as mãos. — Amanda... eu te amo de verdade. Lembre-se sempre disso. A minha alma e o meu corpo pertencem a você, então nunca duvide de mim. Amanda não queria mais ouvi-lo. Ela só queria se entregar a ele, exatamente como imaginara anos atrás. Ela levou o dedo aos lábios dele e percebeu o que tinha a dizer. — Não importa mais. O mais importante é que você percebeu que me ama tanto quanto eu te amo... Dante, vamos deixar tudo para trás, Erika, Atlas, tudo de Dante, e vamos ser apenas você e eu. Os lábios de Dante se franziram levemente, os seus olhos se cristalizaram e, aproximando seus rostos, ele a beijou apaixonadamente, ansiosamente, agarrando-se ao seu corpo como se não houvesse amanhã. Naquela noite, Amanda se entregou a Dante pela primeira vez, de corpo e alma, como sua esposa, consumando assim o casamento deles, que no dia seguinte, quando ela abriu os olhos, foi para o inf*erno após a partida dele. Fim do Flashback — Amanda, você está bem? Com as duas mãos ainda segurando o volante, Atlas estava preocupado com o silêncio dela. Ele, mais do que ninguém, sabia que, mesmo que ela tentasse fingir que não amava mais Dante, isso não passava de uma mentira. Bastava olhar para ela para entender que ela ainda o desejava, assim como o próprio Dante era louco por ela, e era por isso que ele não tolerava que o seu irmão a tocasse, pois sabia do amor que ele sentia por ela. Por um momento, Amanda desviou o olhar da estrada e, assentindo tristemente, voltou a olhar para a janela. O que ela poderia dizer quando o coração não manda? Como ela poderia pedir amor, se isso é impossível? Atlas engoliu em seco enquanto apertava o volante com mais força. Alguns minutos depois, parando no destino, ele desamarrou o cinto de segurança para se aproximar de Amanda. — Amanda! Olhe para mim! A sua voz soou triste, percebendo que, por mais que tentasse, ela não retribuiria. Levando a mão ao rosto dela, ele acrescentou: não mude de ideia agora... Não quando estou tão perto de conseguir, Amanda. Nunca se esqueça de que eu te amo tanto, ou mais, do que Dante, que a princípio apenas se afastou e te deixou. Apenas lembrar disso afundou profundamente em seu coração, reacendendo a dor, e removendo a mão de Atlas, Amanda saiu do veículo, seguida por ele. — Por que dia*bos você sente amor por ele de novo agora?! Você se esqueceu que ele foi embora com a Erika? Que ele te deixou? Não seja tão idi*ota, Amanda, e abra os olhos, o Dante não te ama. As palavras de Atlas saíram amargas, e ele não precisava que ela soubesse que os seus sentimentos pelo irmão estavam começando a reacender, algo que era inaceitável para ele. Amanda, com os olhos meio vidrados, prendeu a respiração para não chorar com a dureza das palavras dele. Assentindo, achando que ele estava certo, ela acrescentou: como posso esquecer isso, Atlas? É algo que sempre lembrarei. Como posso esquecer o jeito como o Dante zombava de mim, se você me lembra disso todos os dias? Não seja idi*ota, é normal que doa. Afinal, eu o amei como nunca amei alguém, mas acabou... Agora me deixe. Começando a caminhar para dentro da casa dos pais, Amanda deixou Atlas aos pés do carro, arrependido por ter cutucado as crostas dos ferimentos. Fechando a porta atrás de si, ele foi embora. — Amanda? Desviando o olhar do laptop, o pai observou a filhinha voltar para casa. Levantando-se, estendeu os braços para recebê-la. — Acabou, Amanda. Em breve você deixará Dante Hackett no passado. Colocando seus braços fortes em volta da filha, Granfort lamentou ter arrastado a filhinha para toda aquela confusão. Uma confusão que lhe partiu o coração em mil pedaços e da qual ele pensava que ela tinha se recuperado. — Ele voltou para ela. Entre soluços, Amanda admitiu o quanto estava sofrendo e, agarrando-se a ela, o seu pai acrescentou: eu sei, filha, eu sei de tudo, e repito... Dante Hackett é um id*iota que vai pagar pelo que fez. Longe de sentir alivio, ela caiu no choro, deixando escapar o pensamento de que estaria segura do marido na casa dos pais, o que era uma completa mentira, pois ele não descansaria até tê-la de volta. ‍‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌
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