Capítulo 2
O calor do toque de Breno no pescoço de Mel persistia como uma marca invisível, um contraste gritante com a temperatura amena do Quarto Vermelho. O coração dela martelava contra as costelas, uma tempestade de pânico, desejo e alívio financeiro guerreando dentro do seu peito.
A proposta era insana. Mas a alternativa — uma vida inteira sufocada por uma dívida de sete dígitos, abandonando o sonho que seus pais tanto apoiaram — parecia um castigo terrível demais.
— Eu... eu preciso pensar — murmurou Mel, recuando um passo. A voz saiu trêmula, mas a tentativa de impor um limite fez os olhos cinzentos de Breno brilharem com um brilho de puro fascínio.
— Pensar? — Breno deu um passo à frente, fechando a distância sem esforço e encurralando-a contra o batente da porta de madeira escura. Ele ergueu a mão, não para contê-la com força, mas para traçar a linha da mandíbula dela com o polegar. — Você já tomou sua decisão no momento em que não correu quando eu toquei em você, Mel. O medo é natural, mas a hesitação é apenas o seu orgulho tentando lutar contra o inevitável.
Mel prendeu a respiração, o perfume amadeirado dele dominando novamente seus sentidos.
— O senhor está chantagista, Sr. Albuquerque.
Um sorriso lento e perigoso surgiu nos lábios de Breno.
— Sou um homem de negócios. E sei identificar uma oportunidade imperdível. Amanhã à noite, às oito. Esteja aqui, no meu quarto. Não como governanta, mas como minha convidada para o jantar. Teremos um contrato formal para assinar. Se recusar, a porta estará aberta e você poderá continuar limpando meus corredores até quitar sua dívida. Mas se aceitar... sua vida muda para sempre.
Ele se afastou, libertando-a do seu espaço pessoal. O ar pareceu voltar aos pulmões de Mel de uma só vez.
— Agora vá — ordenou Breno, a voz retornando ao tom firme e corporativo. — E tranque a porta ao sair.
Sem dizer mais uma palavra, Mel girou sobre os calcanhares e quase correu pelo corredor, o som do aspirador de pó esquecido no canto parecendo uma lembrança distante de outra vida.
A noite de Mel foi um tormento de pensamentos desconexos. No pequeno quarto de funcionários nos fundos da propriedade, ela encarou o teto até o amanhecer. A imagem dos olhos cinzentos de Breno, a lembrança do veludo das algemas e a promessa de liberdade financeira se entrelaçavam em sua mente. Ela não conhecia o mundo b**m, mas o pouco que vira naquele quarto secreto despertara algo adormecido em sua pele — uma curiosidade perigosa que a assustava tanto quanto a atraía.
Às sete da noite do dia seguinte, Mel estava parada diante do espelho do pequeno banheiro. O uniforme de governanta fora substituído por um vestido simples de tecido fluido azul-escuro que guardava desde os tempos de faculdade. O contraste da peça com a simplicidade do quarto só reforçava o divisor de águas em que sua vida se encontrava.
Faltando dois minutos para as oito, seus passos a levaram até a porta do quarto principal de Breno. A porta estava entreaberta.
Com a mão sobre o peito para acalmar a respiração, ela deu duas batidas leves no batente.
— Entre, Mel — a voz dele veio do interior do aposento.
Diferente do Quarto Vermelho, o quarto pessoal de Breno era sóbrio, elegante, dominado por tons de cinza, madeira nobre e uma vista panorâmica para a cidade iluminada. No centro, uma mesa redonda posta para dois, iluminada por velas.
Breno estava sem o paletó do terno, com as mangas da camisa social branca dobradas até os antebraços, revelando pulsos fortes e um relógio discreto. Ele servia duas taças de vinho quando a viu. Seus olhos varreram o corpo de Mel com uma lentidão calculada, detendo-se nos ombros desnudados pelo vestido azul.
— Pontual. Uma qualidade excelente — disse ele, caminhando até ela e estendendo uma das taças. — Beba um pouco. Ajuda a relaxar.
Mel pegou a taça, seus dedos roçando levemente nos dele, enviando aquele mesmo eletrochoque pelo seu braço.
— O senhor preparou tudo isso sabendo que eu viria?
— Eu não preparo nada sem ter certeza do resultado — respondeu Breno, indicando a cadeira para que ela se sentasse. — Sente-se. Primeiro jantamos. Os negócios ficam para o final.
O jantar transcorreu em um silêncio carregado de tensão s****l implícita. Breno fazia perguntas pontuais sobre a faculdade de Medicina, demonstrando um interesse genuíno por suas ambições acadêmicas que pegou Mel de surpresa. Sob a fachada do homem dominante e controlador, havia uma inteligência cirúrgica e um respeito velado pelo intelecto dela.
Quando os pratos foram recolhidos, Breno retirou um envelope pardo de couro da pasta sobre o aparador e o colocou sobre a mesa, empurrando-o na direção de Mel.
— O contrato — disse ele, a voz baixando de tom. — Lê com atenção.
Mel abriu a pasta. As páginas continham cláusulas minuciosas:
Quitação de Dívidas: O contratante assume a transferência e liquidação imediata de todos os débitos dos falecidos pais da contratada.
Financiamento Acadêmico: Cobertura integral das mensalidades, materiais e custos de vida durante todo o curso de Medicina.
Relacionamento e Regras: A contratada concorda em submeter-se ao treinamento de dominação do contratante pelo período de seis meses. Todas as atividades serão restritas ao ambiente privado, pautadas pelo consentimento, respeito e uso da palavra de segurança: "Santuário".
Exclusividade: A contratada não manterá envolvimento afetivo ou s****l com terceiros durante a vigência do contrato.
Mel leu e releu a palavra de segurança. Santuário.
— Se eu disser essa palavra... tudo para? — perguntou ela, erguendo os olhos para Breno.
— No mesmo segundo — afirmou Breno, o olhar sério e inabalável. — Dominação não é sobre violência, Mel. É sobre confiança extrema. Eu controlo a situação, mas você detém o poder absoluto de parar. Se aceitar, você me entrega o controle do seu corpo e do seu prazer. Em troca, eu cuido do seu futuro.
A caneta tinteiro prateada estava ao lado do documento. Mel sentia o peso do momento. O tremor nas suas mãos não era mais apenas de medo, mas de uma expectativa latente.
Ela pegou a caneta. O metal frio contrastava com o calor que subia por seu pescoço.
— Seis meses? — perguntou ela.
— Seis meses — confirmou Breno. — E ao final, você estará livre, sem dívidas e pronta para ser a médica que sempre sonhou. Ou... poderá descobrir que gosta das minhas regras mais do que imagina.
Com a respiração presa, Mel pressionou a ponta da caneta no papel e assinou seu nome na linha demarcada.
Breno observou a assinatura ser selada. Um sorriso sutil, repleto de triunfo e posse, surgiu em seu rosto. Ele se levantou, caminhou até o lado da mesa de Mel e estendeu a mão.
— Excelente escolha, minha pequena. A partir de agora, seu treinamento começa.
Mel segurou a mão dele, sentindo-se puxada suavemente para cima.
— O que acontece agora? — sussurrou ela.
Breno se aproximou, os lábios quase roçando o ouvido dela enquanto sua mão descia devagar até a cintura de Mel, puxando-a para mais perto.
— Agora, você aprende qual é a sensação de obedecer.