— Der’mo (merda em russo) — Esbravejei.
Deve ter encontrado outro r**o de saia passando. Agora que eu precisava mesmo de uma bebida.
— Dois shots de vodca. — Pedi ao barmen.
Assim que os shots foram colocados na minha frente virei um atrás do outro balançando a cabeça ao terminar sentindo o álcool fazendo efeito quase que instantaneamente. Olhei ao redor e Cass ainda estava com o moreno, sentada no colo dele em uma das mesas do canto, ela se deu bem.
Passando a língua em um dos copos de shot vazio recolhi até as últimas gotas de álcool antes de voltar para a pista de dança.
Desci do táxi com meus saltos em uma mão cantarolando uma das músicas das músicas que tocou na boate e grudou no meu cérebro. Não pretendia voltar sozinha para casa essa noite, mas aparentemente o destino tinha outros planos pra mim.
Abri a porta estranhando Sirius não ter vindo correndo, mas ouvi seus latidos altos vindo do meu quarto junto ao som das suas garras arranhando a madeira, não lembro de ter fechado a porta e o deixado lá. Quando a abro ele corre parecendo atordoado.
— O que foi garoto? — Perguntei largado meus saltos no chão.
Ele correu até a cozinha e começou a latir para uma caixa em cima da minha mesa que com certeza não estava ali quando eu sai. A caixa era grande e preta com uma fita de cetim cinza em um laço.
Me aproximei cautelosa puxando a fita e levantando a tampa da caixa.
— p**a merda. — Grunhi.
De forma repulsiva e mórbida lá estava a cabeça de Elliot, seus olhos azuis arregalados em um horror perceptível além de alguns hematomas e sangue seco na testa, uma marca de tiro entre as sobrancelhas e o que parecia ser um celular na boca.
Abrir a boca dele e pegar o celular lá não foi nada fácil devido ao rigors morte. Desbloqueei vendo um video que esperava para ser visto como uma mensagem macabra.
Dei play.
Elliot estava com o rosto inchado, o olho roxo, sangue escorrendo de um ferimento no alto da cabeça. Ele chorava o suficiente para fazer até mesmo seu nariz escorrer.
— Desculpa. — Sua voz era um fio em meio a soluços de choro. — Eu sou um merda. Ia colocar droga na sua bebida pra eu e meu amigo transarmos com você.
— Desgraçado. — Grunhi para a cabeça decepada ainda na minha mesa.
— NÃO! NÃO! POR FAV…
Ele não teve tempo de terminar sua súplica antes de uma bala atingir em cheio a sua testa, um tiro fatal. E o vídeo acabou.
O som de uma notificação cortou o silêncio tenso da sala. Olhei para o celular que havia retirado da boca de Elliot, agora iluminado com uma mensagem de um remetente conhecido apenas como "H".
Abri a mensagem.
Deixe outro homem te tocar que terá um destino pior que o dele.
Uma sensação gélida percorreu minha espinha, uma mistura de raiva e apreensão. Estava claro como o dia, não se tratava de um agente de Volkov e sim um desgraçado de um stalker que estava querendo brincar comigo.
— Mas o que... — Murmurei entre dentes, meu olhar se estreitando diante da mensagem.
A minha raiva se intensificou me deixando sobrea na força do ódio. Não sei com quem ele acha que se meteu, mas com certeza foi com a pessoa errada. Enquanto digitava uma resposta sentia que meus dedos podiam atravessar a tela do celular.
Isso era para me assustar? Me impressionar? Não sei o que p***a está tentando fazer, mas se não quiser ser o próximo a ter a cabeça na minha mesa é melhor cair fora!
A sala estava impregnada com o cheiro de morte e a ferrugem do sangue escorrendo da caixa e manchando a p***a da minha mesa nova.
Sirius, ao meu lado, rosnava baixinho, como se compartilhasse minha indignação. Eu acariciei suas costas, o stalker ainda teve a cara de p*u de tocar no meu bebê! Ele certamente é um suicida..
O celular vibra e se ilumina com uma nova mensagem.
Ah, Lizzy, nem toda caça precisa ser fácil. Às vezes, a diversão está na perseguição. Quem sabe eu não possa mostrar a você um destino mais... delicioso, minha doce ratinha.
— Filha da p**a…
Meu ódio queimava como se eu mesma pudesse entrar em combustão a qualquer momento. Ele acha que pode me caçar?
— Ah, H, você mexeu com a pessoa errada. — Murmurei encarando sua resposta na tela, minha voz carregada de uma promessa silenciosa.
A essa altura, a normalidade que eu buscava agora era um luxo distante, e, no calor das sombras que se avolumavam, eu estava pronta para desvendar meu stalker. Ele acha que está caçando? Vou mostrar a ele quem vai ser o ratinho.