ANASTASIA/LIZZY
Armada com uma colt 1911 e protetores auriculares eu mirava no alvo a alguns metros de distância, não só eu, mas as outras garotas também, ninguém aqui parecia ter mais que 16 anos. Todas estávamos com calças cargo pretas, cabelos trançados ou ao menos presos para trás, camisetas pretas e coturnos. Era como nosso uniforme, todas as roupas que nos davam eram em tons neutros, sempre preto e cinza.
Algumas acertam em cheio o alvo, outras precisavam melhorar a mira. Meu alvo tinha furos na cabeça e no peito, fomos ensinadas a atirar sempre para matar, em muitas situações teríamos apenas uma chance de alvejar nosso alvo, não havia espaço para tiros de aviso era sempre um tiro uma alma ceifada para o inferno.
Os disparos abafados, os trancos da arma, tudo parecia tão normal agora. Anos atrás eu tinha medo delas, segurava de forma desajeitada, perdi as contas de quantas vezes machuquei os dedos ao montar e desmontar essas armas até pegar prática. Hoje as vejo apenas como meros objetos que eu poderia montar e desmontar sem me ferir, mas que nas minhas mãos era mortal para quem estivesse na minha mira.
Senti um toque no meu ombro que me fez travar a arma e tirar os abafadores olhando para trás. Madame Petrova estava ali.
— Está se saindo bem Dostoiévski. — Aqui sempre nos tratam pelo sobrenome.
— Obrigado. — Assenti sem esboçar muita reação.
— Se continuar dessa forma irá debutar antes das suas colegas. — Ela sorriu como se estivesse orgulhosa, mas eu engoli seco.
Debutar queria dizer que eu estaria pronta para missões de campo. Mas antes passaria pela cerimônia de debutante. Teria que lutar e matar alguém, a sangue frio, em frente a todos e então estaria pronta para servir a Organização.
DIAS ATUAIS
Não lembro a última vez que me maquiei, mas era como andar de bicicleta ou atirar com uma pistola, a gente nunca esquece, só perde um pouco a prática. O escarlate do batom marcava meus lábios como sangue, meus cílios ficavam mais longos e mais cheios a cada passada do rímel ressaltando meus olhos verdes.
O vestido escolhido para esta noite era preto brilhoso, frente única deixava minhas costas totalmente nuas dando grande ênfase na tatuagem de cobra que eu tenho nas costas. Foi a primeira tatuagem que fiz quando cheguei aos Estados Unidos, uma forma de mostrar a mim mesma que eu estava no controle do meu corpo e das minhas ações pela primeira vez desde que me entendo por gente. A mamba n***a enrolada a uma espada com um crânio na ponta da empunhadura desenhava os contornos das minhas costas. E para completar o look: Salto alto. Nada deixa uma mulher mais poderosa do que um belo par de saltos.
Eu conseguia sentir os graves da música que ecoava da Underword até mesmo do lado fora. Havia uma fila com algumas pessoas conversando totalmente ansiosas para entrarem na badalada boate que estava ficando cada vez mais nosa.
Segui direto para entrada onde estar com um vestido justo e sorrir me garantiu uma entrada gratuita e uma olhada dos pés a cabeça do segurança. O que um par de pernas não faz?
A música estava alta, as luzes coloridas piscando, em sua maioria vermelhas, pessoas se pegando em alguns cantos escuros, outras passando com drinks ou bandejas lotadas com bebidas. Alguns olhares de homens nada discretos que eu ignorava, mesmo que talvez hoje eu esteja aberta a uma companhia masculina, já faz um tempo…
— LIZZY! — Ouvi a voz da Cassie e a alguns metros lá estava a loira acenando freneticamente com seus prováveis amigos ao redor.
— Desculpa o atraso. O trânsito está péssimo como sempre.
— Achei que iria me dar um bolo. — Ela me cumprimentou com um abraço rápido, mas apertado. — Esses aqui são Ellie, James, Chris e Nanci. -Ela apontava para as pessoas ao seu lado respectivamente.
— Oi.— Acenei para todos de uma vez.
— A Case falou muito sobre você. — Nanci já parecia meio ébria. Pela quantidade de copos de shot vazios na mesa, faz sentido.
— Espero que coisas boas.
— Só não falou que você era assim. — Disse James.
— Assim como?
— Gata — Deu de ombros me olhando como se analisasse minha reação. O que ele queria? Que eu corasse?
James é um homem de estatura média, cabelos ruivos como os meus, algumas sardas e olhos escuros, parecia ter um estilo mais despojado do tipo jeans e polo. Mas não era meu tipo.
— Cass, que tal pegarmos algumas bebidas? Quero esquecer até meu nome hoje. — Sorri segurando o braço dela e não esperando uma resposta antes de puxá-la comigo.
Fomos até o bar pedindo uma garrafa de tequila, pegamos uma bandeja com copos de shot, fatias de limão e um saleiro voltando para a mesa onde os outros estavam.
— Arriba, abajo, al centro y a dentro! - Exclamou Cassie animada com a garrafa de tequila. — Hoje eu volto pra casa de quatro!
Peguei a garrafa abrindo e servindo todos os copos de uma vez. Em seguida o saleiro colocando uma pitada nas costas da minha mão e o passando aos outros. Lambi o sal.
— ARRIBA, ABAJO, AL CENTRO Y A DENTRO! — Dissemos todos juntos virando os shots.
Senti o líquido queimar cada centímetro da minha garganta enquanto descia, mas não fiz careta logo pegando uma fatia de limão o chupando, a acidez deliciosa me fazia querer beber mais, o que me levou a tomar mais um shot.
Agora foi a vez de Cass me puxar pelo braço, mas em direção a pista de dança. Eu com certeza já bebi o suficiente para me soltar na pista junto com a loira. Dançávamos em uma coreografia improvisada, nos mexíamos no ritmo da música, rebolando e acariciando nossas curvas com as luzes piscando em tons vibrantes em um espetáculo de cores efervescentes. Com certeza estávamos causando algumas ereções ao redor.
Não demorou para que um homem de pele cor de chocolate se aproximasse de Cass a chamando para dançar, ela me olhou como se pedisse permissão e eu apenas sorri o mais maliciosa possível a fazendo revirar os olhos.
Já estava para sair da pista de dança quando senti um par de mãos na minha cintura.
— Dança comigo? — Sussurrou ao pé do meu ouvido. Sua voz rouca fez até a segunda geração dos meus pelos se arrepiarem.
Me virei para encarar o homem misterioso e me deparei com os olhos mais azuis que já vi na vida e um sorriso que molhava a calcinha de qualquer uma. A camisa branca marcava seus músculos deliciosamente.
— Por que não? — Dei de ombros conseguindo até sentir o cheiro das suas segundas intenções. Assim como as minhas.
Com as mão envolta do seu pescoço eu voltava a balançar meu corpo no ritmo da música, mas dessa vez com aquelas mãos grandes e fortes nos meus quadris.
— Me chamo Elliot. — Surrurrou no meu ouvido novamente. — E você?
— Pode me chamar de Lizzy. —Virando o rosto um pouco para o lado conseguia tocar seu nariz com o meu.
Elliot não hesitou em quebrar a distância entre nós. Seus lábios tinham um gosto forte de gin delicioso, sua mão deslizou até o meu seio jogando mais gasolina no fogo q que começava a se acender em mim. Voltamos a dança repleta de mãos bobas e beijos roubados, já podia ver seu p*u duro marcando na calça.
— O que acha de uma bebida?
— Adoraria. — Sorri o vendo se afastar em direção ao bar.
De fato minha boca e garganta já estava seca. Mas o tempo foi passando e Elliot não voltava, me sentia uma i****a o esperando então decidi dar uma olhada no bar, mas ele também não estava lá.
CONTINUA…