Episódio 5

1892 Words
Passado... —ALICE— — Tenho um ano para me formar. Murmura Rick no meu ouvido, a sua voz é m*al um sussurro entre a música e a agitação. — Isso é fantástico! Eu m*al estou começando. Ele sorri abertamente. Dançamos cercados por rapazes e moças que pulam, riem e aproveitam cada oportunidade para salpicar os outros com o que resta nos seus copos de cerveja. O DJ faz um trabalho impecável mantendo a energia no local. A adrenalina corre pelas minhas veias, e é exatamente o que preciso esta noite. Rick sabe como se divertir, está no seu elemento, e o melhor de tudo é que me faz sentir confortável. Não precisa me tocar para dançar, ao contrário do resto, que se esfregam uns nos outros sem pudor. Até mesmo afasta aqueles que tentam se mostrar espertos demais. Pela primeira vez desde que cheguei, sinto-me à vontade. Depois de mais um par de músicas, algo muda. A euforia começa a se dissipar, como se minha adrenalina se esgotasse de repente. E não sou a única. A pista vai esvaziando aos poucos. Os casais começam a se dispersar, interessados em outro tipo de entretenimento. Beijos, carícias, sussurros no ouvido... a atmosfera fica mais densa, mais ínt*ima. Alguns nem se dão mais ao trabalho de disfarçar. A música muda, tornando-se mais lenta, mais sensual. Perfeita para os amantes. Tento ignorá-lo, mas é impossível não pensar em Brando e em como eu gostaria de viver algo assim com ele... rir, dançar, simplesmente aproveitar o momento sem que tudo seja tão frio e distante. Mas ele não quer nem mesmo estar na mesma sala que eu. Rick parece notar a minha queda de ânimo e sugere voltar à mesa onde estão as bebidas. — O que está acontecendo? Há alguns minutos você estava se divertindo. Sento-me sem vontade, sentindo-me tonta por causa do álcool. — Já é tarde... Murmuro enquanto olho a hora no meu celular. — São quase três da manhã. Tenho que buscar minhas amigas para irmos. — O quê? Mas a festa m*al começou! Olho ao meu redor e noto exatamente o contrário. O lugar está muito mais vazio do que antes. — Muita gente já foi embora. Rick solta uma risada baixa e se inclina um pouco para mim. — A grande maioria está no segundo andar jogando macarena. Entorno os olhos, confusa. — E como se joga isso? O seu sorriso se alarga. — Quer que eu te ensine? Venha. Ele diz entre risos, segurando o meu pulso com suavidade. — Você vai gostar. Mas algo no tom dele me incomoda. Ne*go e me afasto do seu aperto. Talvez eu esteja sendo rude, mas não quero ir com ele. O seu sorriso desaparece instantaneamente. — Está bem, está bem... fique aqui, já volto. Ele diz com uma expressão tensa, embora tente disfarçá-la com um sorriso. Acho que ele está chateado. Observo-o afastar-se enquanto tiro o celular novamente e verifico as notificações. Trinta chamadas perdidas da minha mãe. Dez do meu pai. E... uma do Brando. BRANDO?! A minha mandíbula quase tocou o chão de surpresa. Por que ele me ligou? Tem algo importante para me dizer? Vai cancelar o nosso casamento? Não, não, não, não... O meu coração bate forte diante da possibilidade, e antes de pensar muito, ignoro as chamadas dos meus pais e ligo para o meu noivo. Espero com o coração batendo forte no peito. Brando responde ao terceiro toque da campainha. — Onde você está? A sua voz rouca e autoritária me faz estremecer. — O que está acontecendo...? Pergunto com cautela. — Sua mãe me ligou para perguntar se você estava no meu apartamento. Não sabem onde di*abos você se meteu. Isso é música? Você está numa festa? O seu tom é de puro desprezo. — Você parece bêbada. Revirei os olhos. — Não estou bêbada. Defendo-me, ofendida. — Onde é a festa? — E a você o que importa? Respondo com fastio. Não sei de onde tirei coragem para responder assim, mas... já foi, já fiz. Ouço o seu resfôlego do outro lado da linha. — Não me faça perder a paciência. Ele adverte com frieza. — Não me agrada que a mulher com quem me obrigam a casar ande por aí fazendo fama de leviana. Pelo menos você poderia se comportar em público. Eu tenho uma reputação a zelar. Uma gargalhada amarga escapa-me antes que eu possa evitá-la. Meu sangue ferve. — Ah! E quem diz isso é provavelmente quem está no apartamento dele rolando com a amante. Nossa, que hipócrita. Brando solta uma risada desdenhosa. — Ah, como eu queria estar relaxando à vontade, mas alguns de nós temos coisas mais importantes para fazer. Estou no meu escritório, trabalhando, algo que você não entenderia. Afinal, eles sempre te sustentaram... e em breve, será minha vez de fazer isso. Seu tom é cru*el, carregado de zombaria. E isso me deixa ainda mais irritada. — Para sua informação, sou uma estudante universitária. Cuspo com desdém, apertando o celular contra a orelha. — E assim que terminar a minha carreira, vou trabalhar. Não vou depender de ninguém. Brando solta uma risada baixa e zombeteira. — Ah! É mesmo? Até onde eu sei, eu sou a única pessoa que tem voz e voto nisso. Franzo a testa. — Você não se atreveria... — Se você continuar se comportando como uma adolescente irresponsável, se embriagando e indo a festas com a suas "amiguinhas", não há como eu permitir que você continue estudando. Um arrepio percorre as minhas costas. — Você não tem o direito de decidir algo assim! — Ah, mas eu tenho. O seu tom é seco, gélido. — Ou já esqueceu que em breve será minha esposa? Se você não gosta, diga ao seu pai que não vai se casar comigo, faça-me esse favor. A minha mandíbula se tensiona e eu caminho para a saída, preciso tomar um pouco de ar. — Isso não é justo... Brando solta um bufo de impaciência. — Bem-vinda à vida adulta, princesa. Aterrisse. Nenhum dos dois conseguirá o que quer. O barulho dos rapazes jogando futebol americano no jardim da frente m*al me deixa ouvir o que Brando diz do outro lado da linha. Estão gritando como energúmenos, exaltados pela adrenalina e pela cerveja. — Kappa Alpha Epsilon! ¡Kappa Alpha Epsilon! Vociferam em coro, como se estivessem num estádio. Revirei os olhos e me afastei, voltando pelo caminho que vim. Homens... — Não me diga que você está numa fraternidade masculina... Diz Brando com uma mistura de incredulidade e fastio. — E se eu estiver? Retruco com uma careta, enquanto me apoio na parede da sala. — É uma festa para novatos, tenho todo o direito de estar aqui, além disso, vim com minhas amigas. — Pelo amor de Deus, sua pirralha! Fico congelada. Nunca o tinha ouvido falar em italiano. Sua voz, normalmente grave e fria, soa mais profunda, mais intensa. E, por alguma razão, a m*aldita língua lhe cai muito bem. O calor sobe-me até às bochechas, e as minhas pernas... bem, digamos que a gelatina se sente mais firme em comparação com o que acabei de experimentar. — Tenho que desligar... Digo, sentindo-me incapaz de continuar ouvindo-o. — Não, espera, não desligue. Ele diz assim que ouço muito movimento do lado dele da linha. — Você recebeu alguma bebida de um estranho? Ele pergunta e ouço uma porta batendo com força. — Não sou estúp*ida, Brando, claro que não. — Sua falta de instinto de sobrevivência é impressionante. Sério, nunca tinha conhecido alguém tão estupi*damente ingênua... mas bem, espero que não se ofenda. Solto um suspiro frustrado e n**o. Claro... sem ofender. Pego um copo de plástico e sirvo-me outro gole de cerveja sem pensar duas vezes. Eu preciso disso. — Sei cuidar muito bem de mim. — Reservo-me o direito de duvidar. Ele solta. — Que se fo*da! Digo antes de desligar o telefone. Já chega. Levo o copo aos lábios e esvazio-o de um só trago. A amargura não me incomoda, pelo contrário, o ardor na minha garganta é uma boa distração. Justo então, Rick reaparece com o seu sorriso despreocupado de sempre. Ele não parece mais chateado. Nas suas mãos, ele carrega uma garrafa de vodka e um par de copos de tamanhos diferentes. — Já provou um submarino? Ele pergunta com entusiasmo. — O quê? — É um coquetel. — Oh... não. Rick deixa os copos sobre a mesa com um entusiasmo quase infantil e começa a encher o maior com cerveja de barril. — É toda uma experiência, Alice. Ele diz com um sorriso cúmplice. — Já que agora você é uma universitária, é hora de aprender o básico para ser a alma das festas. Rick enche o seu copo de cerveja até a borda, depois faz o mesmo com o copo pequeno, desta vez com vodka. Com um sorriso largo, quase de orelha a orelha, ele me mostra com entusiasmo. — Olha, primeiro eu vou fazer para você ver como se faz. Ele explica. — Quando você deixar cair o shot de vodka dentro da cerveja, você deve beber de uma vez só. Franzo a testa, observando o líquido no pequeno copo com desconfiança. — Não! Impossível! Rick ri, como se estivesse esperando por essa resposta. — Só olha. Ele diz com um sorriso desafiador. Sem hesitar, ele deixa cair o shot no copo maior, leva-o aos lábios e bebe de um só gole, sem deixar nem uma gota. Bate o copo vazio na mesa com satisfação e olha para mim com uma sobrancelha levantada. — Sua vez, querida. — Não... não acho que eu consiga beber isso de uma vez só. Murmuro, olhando o copo com desconfiança. — Eu sei que sim. Responde Rick com uma segurança irritante. Antes que ele pudesse continuar protestando, já estava enchendo outro copo com cerveja. Ele faz isso com rapidez e precisão, como se tivesse anos de prática nisso. Em questão de segundos, ele os segura ambos na frente do meu rosto com um sorriso desafiador. — Pronto, aqui está. Trago saliva, ne*gando com a cabeça. — Tenho medo. — Não tenha medo! É só cerveja e vodka, não vai te matar. — Isso é o que você diz... — Ei, pessoal! Ele grita de repente, virando-se para o grupo próximo. — Nossa amiga quer experimentar o seu primeiro submarino, mas falta-lhe coragem. Ajudamos a animá-la? E então o pior acontece. Os rapazes e meninas, todos visivelmente bêbados, aproximam-se, curiosos. Em questão de segundos, eles me cercam, batendo na mesa com as mãos e cantando com entusiasmo: fundo! Fundo! Fundo! O meu pulso acelera. Eu não estava pronta para isso. — Pronta? Pergunta Rick com um sorriso divertido, levantando o shot de vodka sobre o copo de cerveja. Sinto o meu rosto começar a queimar. Ai, meu Deus... Como eu me meti nisso? — Ok, ok, eu farei isso! Cedo finalmente, e um grito de vitória explode ao meu redor. O seu entusiasmo é contagiante, e por um instante, até eu me animo. ‍​‌‌​​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​​​‌​‌‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​‌​‌​​​‌​‌‌‍
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD