Episódio 4

1236 Words
Ela é a mais difícil de convencer. Seu "amigo" está comendo seu pescoço em bocadas, além disso, tem uma mão sob a saia do seu vestido curto. Rose, ao meu lado, não parece surpresa, mas eu estou em choque. Não consigo desviar o olhar da expressão estranha no rosto de Lily, pois ela está corada, sua pele brilha com suor e ela tem o lábio preso entre os dentes enquanto ele beija seu pescoço e move a mão entre suas pernas freneticamente. Logo os lábios de Lily formam um "O" perfeito e minha mandíbula quase cai no chão. — Onde está a vergonha? Onde foi parar o pudor? Murmura Rose, aparentemente tão indignada quanto eu. Sento-me, horrorizada. — Sim... e, mais importante, onde está um garoto assim para mim? Minha expressão fica séria em questão de segundos, não consigo acreditar que ele está me enganando em uma situação assim. — Lily! Já chega, isso é vergonhoso. Não deveria me surpreender, das três, eu sou a única que "nunca tocou em um pê*nis", como ambas dizem sempre que têm a oportunidade de me jogar isso na cara. Admito que muitas das histórias que ouço sobre sua vida se*xual me chamam a atenção, mas nunca me senti muito convencida de permitir que um estranho me toque dessa forma... Suponho que sou uma daquelas pessoas que precisam de uma conexão emocional para se aproximar. Só existe um homem que desejo dessa maneira... Me rendo quando outro casal começa o seu junto com Lily e o sujeito dos dedos inquietos. — Deixe-a, Alice. Ela sabe o que está fazendo, nem está tão bêbada assim. Sussurra Rose no meu ouvido, antes de virar as costas para mim e se afastar sem mais nem menos. — Mas... Lily solta uma gargalhada contra o pescoço daquele garoto, e ela finalmente afasta a mão dele. Minha melhor amiga lhe dá um último beijo lascivo e se levanta enquanto ajeita a saia do vestido e caminha em minha direção como se nada tivesse acontecido. — Vamos beber. Ela solta e não consigo sentir mais vergonha. Sinto-me um pouco histérica, mas deixo-me levar por Lily até a mesa com os barris de cerveja, onde vários grupos estão competindo para ver quem bebe mais rápido. —Lily... por quê? — pergunto finalmente, ela se vira e sorri para mim, despreocupada. —Porque eu queria ter um m*aldito org*asmo, Alice, para que mais eu teria os dedos daquele idi&ota na minha buc*eta? Fecho os olhos e ne*go. —Você não o conhece, Lily. — E daí? — Como você pode deixar um estranho tocar seu... Sinto-me incapaz de dizer, então procuro um eufemismo. — Flor? — Flor? Solta Lily, lançando-me um olhar incrédulo. — Sim, você sabe do que estou falando. Solto, irritada. — Você já explorou sua flor? Ela pergunta, contendo o riso. Está zombando de mim, de novo. — Você precisa, não pode ser tão beata, Alice. Pego um copo de plástico e encho com cerveja, assim como ela e outro grupo de rapazes. — O que você faz é irresponsável, só digo. Solto e tento beber todo o conteúdo de uma só vez, mas não consigo. Não gosto do sabor da cerveja, mas aprendi a tolerá-la pelo bem da minha vida social. Lily me lança um olhar duro, afiado como uma lâmina. — É por esse tipo de coisa que seu noivo te vê como uma pirralha e nem se dá ao trabalho de olhar para você duas vezes. Seu tom é mordaz, sinto isso como um tapa na cara. — Ele é um homem experiente, Alice, e com pouca paciência. Não parece interessado em te ensinar nada. Você vai passar vergonha na sua noite de núpcias, você está ciente disso? Franzo a testa e aperto o punho, mas ela não para. — O mais provável é que ele te deixe lá, sozinha, enquanto vai com uma de suas amantes. Ela solta uma risada amarga. — O que você vai fazer quando seu marido tentar enfiar o pên*is na sua "florzinha"? Você vai chorar e implorar para que ele pare? Você acha que ele vai se importar? Você é tão ingênua, vai se arrepender de idealizá-lo tanto. Os homens não romantizam o se*xo como você. Meu punho perde a força e toda a minha raiva se esvai. Sei a que se refere. Lily teve uma experiência muito r**m com o primeiro namorado, antes disso... não éramos tão diferentes. Ela podia se considerar uma idealista, mas as coisas mudaram abruptamente. Vejo como seu bom humor decai em questão de segundos e ela simplesmente se afasta de mim. Encho meu copo novamente e olho ao redor. Todos parecem tão felizes, aproveitando a festa como se nada mais importasse. Todos, menos eu. Definitivamente, não me encaixo aqui. Sou muito chata para um lugar como este. Bebo meu segundo copo. Depois o terceiro. E só então a música começa a soar diferente. O DJ finalmente acertou em cheio. Meus pés se movem quase sem que eu perceba. Encho meu copo mais uma vez... Quinta? Sexta vez? Não tenho mais certeza... — Não me importa um car*alho se eu caio bem para o Brando ou não. Vou viver minha vida como eu quiser, ele não vai me dizer o que fazer. Franzo a testa, sentindo a raiva ferver dentro de mim só de pensar nele. — Se ele continuar mantendo suas amantes depois de nos casarmos, eu farei o mesmo. Conseguirei sete, um para cada dia da semana, para ver se ele tem coragem de vir me exigir alguma coisa. Sinto uma sensação quente no meu corpo, e os retratos deste lugar são muito interessantes, há fotografias a preto e branco com rapazes muito bonitos e elegantes. Com certeza já estão mortos. É uma pena... — Você poderia ter sido um dos sete escolhidos. Murmuro enquanto encho meu copo. — Ei, Alice, você sumiu. Você está bem? Um garoto loiro aparece do nada, falando comigo como se me conhecesse. Sabe meu nome e tudo. Isso me pega de surpresa. Mas então noto algo realmente impressionante. — Você parece um daqueles rapazes bonitos dos retratos! Exclamei, genuinamente fascinada. Ele levanta uma sobrancelha, divertido. — Sério? — Sim, sim... Aponto para uma das fotos na parede, embora não tenha muita certeza de qual. — Aqueles garotos tão elegantes e misteriosos... você poderia ser um deles. Ele ri. — Bem, é possível. Esta fraternidade tem muitos anos de história. Vários mem*bros da minha família já passaram por aqui. Meu cérebro processa essa informação mais lentamente do que o normal. — Uau... Abro os olhos, impressionada. — Isso é impressionante. Conte-me mais. Ele me observa com atenção. — Alice... você está bem? Sento com muita força. — Claro que sim. — Estou vendo... como é que eu me chamo? Pisquei, confusa. — Não tenho a menor ideia. Ele suspira. — Sou Rick. Apresentei-me a você há pouco tempo. — Ahhhhhh, sim, Rick. Dou-lhe um tapinha no braço, sim, ele tem razão, eu conheço um Rick. — Sinto muito. Tenho uma memória péssima. Meu celular toca. Peço desculpas ao meu bom amigo Rick e olho para a tela com uma carranca. É a mamãe... Ai! Seguramente já sabe que não estou na casa da Rose. Minha santa mãe tem um radar infalível para detectar minha localização vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Desligo. Esta noite quero me divertir. Mamãe pode esperar.
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