A sexta-feira começou com o céu aberto, o tipo de dia que parece prever calmaria — mas Lara não sentia nada parecido com paz.
Os últimos dias haviam sido um turbilhão. Desde o almoço na casa da família de Gabriel, ela vivia entre o alívio e o pânico, dormindo m*l, sonhando com rostos, vozes e promessas que já deveriam ter morrido no passado.
No meio da tarde, o celular vibrou sobre a mesa do escritório.
Gabriel: Desmarque sua agenda da próxima semana. Confia em mim.”
Ela franziu o cenho, curiosa. Antes que pudesse responder, uma segunda 9 k887vmensagem chegou.
Gabriel: “As malas já estão prontas. Te pego às sete.”
As malas?
Ela ficou olhando para a tela, sem entender. Sentiu o coração acelerar.
“Ele só pode estar brincando…”
Mas às sete em ponto, quando saiu do prédio, lá estava ele — encostado no carro, sorriso fácil no rosto e o olhar leve, como se carregasse um segredo bom demais para guardar.
— Que cara é essa? — ele perguntou, rindo. — Está com medo de mim?
— Medo não… curiosidade — respondeu. — O que você aprontou, Gabriel?
Ele abriu o porta-malas.
Duas malas. Uma delas era inconfundivelmente dela — o lenço pendurado no zíper denunciava.
— As meninas foram cúmplices — confessou. — Passei na sua casa e elas me ajudaram a arrumar tudo.
— Elas o quê? — perguntou, rindo nervosa.
— É sério, Lara. Você anda com a cabeça longe, com o olhar pesado. Eu quero tirar você daqui por uns dias. Uma semana inteira. Só nós dois.
Ela o encarou, surpresa.
Uma semana.
— Você é maluco.
— Um maluco apaixonado — respondeu. — Agora entra no carro antes que eu te carregue.
Lara riu, mas a risada vinha com um nó no peito.
O que ele via como uma fuga, pra ela era uma suspensão da realidade.
Talvez fosse o que precisava. Talvez fosse o que a destruiria de vez.
Mas ela entrou.
A estrada se abriu diante deles, longa e silenciosa, enquanto a cidade ficava para trás.
O vento entrava pela janela, e Gabriel dirigia com uma mão no volante e a outra entrelaçada à dela.
A música baixinha, o pôr do sol alaranjado — tudo parecia perfeito demais, como se o mundo lá fora não existisse.
— Vai me dizer pra onde estamos indo, ou vai me deixar sofrer até o fim? — ela perguntou.
— Um refúgio — respondeu ele, sem, a0s olhos da estrada. — Um chalé a beira do lago. Nada de trabalho, nada de ninguém. Só nós.
Ela o olhou, emocionada. — Uma semana não é muito tempo?
— Não quando se está com a pessoa certa.
As palavras ficaram no ar, doces e perigosas.
Enquanto eles se afastavam da cidade, Dan estava à beira de um colapso.
Passara a manhã tentando trabalhar, sem sucesso.
Cada ruído, cada rosto na rua parecia zombar dele.
Desde o encontro no escritório, a tensão dentro dele só aumentava. Lara havia deixado claro que não o queria mais, mas ele não conseguia aceitar.
E o que doía mais não era o “não” dela.
Era quem estava ao lado dela agora.
Decidiu que não esconderia mais nada, que contaria tudo ao irmão.
Pegou as chaves do carro, foi até a casa do irmão, não havia ninguém.
O carro de Gabriel não estava na garagem.
Voltou para casa, respirando fundo, lutando contra a ansiedade.
Ele deve estar com ela.
Ligou para o escritório dela — a secretária atendeu.
— Ela não está. Retorna na semana que vem. Quer deixar algum recado?
— Semana que vem — perguntou, surpreso. — Ela está em alguma feira de arquitetura? - perguntou ele tentando se enganar já sabendo a resposta.
— Eu não estou autoriza a repassar essa informação, posso ajudar em algo mais?
Dan desligou o telefone e ficou imóvel.
O eco das palavras soava como um tiro:
Ela estaria fora por uma semana, e Gabriel não estava em casa e não havia aparecido na empresa naquela tarde.
Foi até a janela, olhando para o nada.
A raiva começou a se infiltrar como veneno.
Eles estavam juntos. Sozinhos por uma aemana
Atirou o copo contra a parede. O som do vidro quebrando foi o único que preencheu o apartamento silencioso.
A viagem durou quase quatro horas. Quando chegaram, já era noite.
O chalé à beira do lago parecia saído de um sonho: cercado por pinheiros, com janelas amplas e um deque iluminado por pequenas luzes amareladas.
O ar cheirava a madeira e paz.
Gabriel parou o carro, deu a volta e abriu a porta para ela.
— Bem-vinda ao nosso refúgio — disse, oferecendo a mão.
Lara desceu, os olhos marejando com o cenário.
O lago refletia a lua, e o som das cigarras preenchia o silêncio.
— É lindo, Gabriel.
— Você merece. — Ele passou o braço por sua cintura. — Uma semana sem o mundo. Só nós dois.
Entraram. O chalé era aconchegante, com uma lareira acesa e garrafas de vinho sobre a mesa.
Ela sorriu.
Por um instante, sentiu o coração relaxar.
— Isso é perfeito — murmurou.
— Quase — disse ele, se aproximando devagar. — Vai ser perfeito quando você parar de pensar em tudo e só olhar pra mim.
O beijo veio então — terno, lento. O tipo de beijo que promete recomeço.
Lara se deixou levar, querendo acreditar que ali, naquele chalé , o passado ficaria do lado de fora.
Naquela manhã Lara e Gabriel estavam no sofá , enrolados em um cobertor.
Ela se encostou nele, os dedos entrelaçados aos dele.
— Faz tempo que não me sinto assim — murmurou.
— Assim como?
— Em paz. — Sorriu, melancólica. — Mesmo que eu saiba que a paz sempre tem prazo de validade.
Gabriel beijou o topo da cabeça dela.
— Então vamos aproveitar cada segundo.
— E quando a semana acabar?
— A gente inventa outra fuga — respondeu ele, rindo.
Ela sorriu, naquele momento se sentia calma, inteira e paixonada.
Naquela noite Dam não dormiu
Andava pelo apartamento como se buscasse algo que explicasse a vida ter virado de cabeça para baixo.
Tentou se convencer de que estava exagerando. Que era apenas uma viagem comum.
Mas cada detalhe — cada lembrança dela, cada palavra que ouvira sobre o irmão — o deixava mais certo.
Eles estavam juntos.
E o mundo parecia desabar sobre ele.
— Dentre todas as pessoas… — murmurava, encarando o próprio reflexo. — Você tinha que escolher ele.
A raiva subiu em ondas.
Ele chutou a cadeira, o som seco ecoando no apartamento vazio.
— Parabéns, i****a — murmurou para si mesmo. — Perdeu tudo.
A garrafa de whisky foi sua companhia.
A cada gole, a mente criava imagens que o dilaceravam: Lara nos braços de Gabriel, Lara sorrindo, Lara o esquecendo.
Foi para a empresa assim que o dia clareou mas não consegui se concentrar
Tinha que ter um jeito de encontrar o irmão, foi nesse instante ele lembrou do aplicativo que compartilhava com o irmão a dois anos atrás, pegou o celular torcendo para que ele ainda funcionasse depois de todo esse tempo, mas não funcionou, a tela. Não lhe dava lista nenhuma. Desligou o celular frustrado e esperou.