A decisão não nasceu de uma urgência. Nasceu de um incômodo suave, quase imperceptível, que dizia: já não é aqui. Isadora percebeu primeiro. Foi numa manhã comum, enquanto tentava encaixar mais uma tela atrás do sofá e percebeu que não havia espaço — nem físico, nem simbólico. — Acho que a casa está pedindo mudança — disse, meio em tom de brincadeira. Henrique olhou ao redor. As caixas antigas ainda empilhadas. Os livros ocupando o chão. As plantas crescendo sem lugar definido. — Ou talvez sejamos nós que crescemos — respondeu. Começar a procurar Não marcaram corretores. Não abriram sites imediatamente. Começaram caminhando. Observavam fachadas, janelas, varandas. Imaginavam luz entrando, silêncio à noite, café de manhã. — Eu quero janela grande — Isadora disse. — Eu quero

