Simplesmente, Cale a Boca

1167 Words
Ívyna Eu odiava com todas as minhas forças, viajar de avião! E odiava muito mais por estar indo para a Rússia, me casaria amanhã. Era uma coisa muito legal perceber que nada na minha vida fui eu quem escolhi. As dívidas de meu pai tiraram de mim o direito de escolher meu marido, de escolher se casava cedo ou não. Na realidade, tirou de mim o direito de escolher qualquer coisa, pois a essa altura do campeonato, eu duvido muito que meu marido me deixaria ser livre. E isso, sim, fazia o meu estômago embrulhar, muito mais do que a turbulência do jatinho particular fazia. Olhei pela janela, observava como cortávamos as nuvens no céu, e como estávamos tão alto. Meu pai estava roncando, minha mãe dormindo, e eu ali sendo observada por um dos cães de guarda do meu noivo. — Você não é de falar muito. A voz grave e arrastada do homem me fazia desaprender uma coisa simples, chamada respirar. Dmitri tem uma beleza que não se encontra facilmente por aí, e enquanto tombava a cabeça um pouco para trás, o maxilar marcado dele me pegava desprevenida. É o tipo de homem que qualquer mulher faria de tudo para ter... Rico, com postura imponente, cheiroso e... Lindo além da conta... — Só estou, pensativa — respondo tentando manter meu olhos longe dele. — Animada para se ca.sar? Revirei os olhos, não consegui conter, juntamente com o bico que dançou nos meus lábios de um lado a outro. — O que acha? — Não sei, se eu soubesse não teria perguntado, não concorda? — Ah, vai se fo.der... Era deselegante xingar? Com toda a certeza! Mas dado ao que estava tendo que passar e aguentar, apenas o palavrão conseguiria expressar tudo o que se passava dentro de mim. — Uau, que boquinha maldita e suja — ele riu. Eu tenho quase certeza de que o meu corpo me odeia, pois o meu baixo ventre se agitou e esquentou ao ouvir o que ele disse. Ainda mais a intonação que usou, como ele era capaz de dizer coisas assim? Com aquela voz, e ainda prender os olhos em mim! — Poderia só... calar a boca? Por gentileza. Completo para não soar mais arrogante do que já estava sendo. — Sabe que eu não tenho nada a ver com os seus problemas, certo? Você deveria estar sendo pentelha com o seu pai, ele, sim, ele fodeu com a sua vida, garota! — Com isso eu tenho a certeza de que a morte é mais favorável do que ca.sar com o seu chefe, muito bem, Dmitri... Seu chefe vai saber que está deixando a noiva nervosa — sorri com desdém. — Maldita! Eu sorri. Afinal, gostei do jeito que o apelido saiu dos lábios dele. — O Viktor... Ele nem é tão mau assim, é só... simplesmente manter a sua língua dentro da boca. Vejo quando dá de ombros e confere as horas no Cartier que usava no pulso. Dmitri fedia a riqueza. — É o que venho fazendo a vida toda mesmo, não é como se fosse ser diferente do que já estou acostumada. Quando o ja.tinho aterrisou, meu pais já estavam acordados. E foi o rico metido a sabichão que me ajudou a descer, já que eu estava com um vestido tubinho vinho que desenhava o meu corpo, e nos pés um salto quinze... Presente de meu futuro marido, para variar... Na carta que veio junto com a caixa de presente dizia que, ele não queria me ver mais como uma menina inocente, que desejava ter uma mulher ao lado dele... Bem, ele pediu por isso, e ele pagaria por isso. Eu tinha decidido assim que terminei de fazer as minhas malas que, já que perdi qualquer chance de liberdade nessa me.rda de vida, Viktor não teria paz, não mesmo! Ao olhar em volta, mesmo estando a noite, deu para perceber o quão gigantesca era a mansão a minha frente. — Seja bem vinda ao seu novo lar, pentelha. Dmitri desdenhou com os lábios próximos ao meu ouvido, próximo demais para uma mulher comprometida. Meu corpo tremeu, é claro! Eu não tenho sangue de barata, e mesmo odiando esse cara, algo nele me deixava... Meio fora de órbita. Andei a passos nada apressados, meu pai e minha mãe vindo atrás, quando atravessamos o jardim, que, diga- se de passagem era o lugar mais lindo daquele lugar, Viktor apareceu na porta gigantesca de entrada. Alargou um sorriso em minha direção, e meu estômago gelou. Eu não sabia se queria acordar todos os dias ao lado dele, e nem muito menos dormir. A vida me odeia, e eu tinha certeza total disso. — Aí está, minha noiva! — os olhos saíram de meus pais e voltaram para mim, me olhando de cima a baixo, como se eu fosse um pesaço de carne — Você está linda! O vestido caiu muito bem em você, e me perdoem os presentes, mas eu estou doido para... — Senhor você — um cara de cabelos vermelhos e máscara preta tampando uma parte de seu rosto aparece e olha em nossa direção com espanto — o que é isso, meu Rei? Viktor olha por cima dos ombro na direção dele, e logo volta os olhos para mim. — Sua futura Rainha, Lev — ele sorri meio quebrado — eu disse que ela é linda. Vi quando os olhos de Lev vieram em minha direção como uma bala nada perdida. Dava para ler em seu olhar um profundo ódio, e por mais uma vez, a sensação de insegurança me invadia, se eu passasse de uma semana, viva, dentro desse casarão, seria uma pu.ta sorte. — Seja bem vinda — disse ríspido — nos falamos mais tarde, meu Rei. O cara esquisit.ão e alto entra sumindo de nosso campo de visão. Minha pele arrepia quando uma brisa gelada toca minha pele, quase confirmando um mau presságio. — Os criados vão encaminhar os dois para seus quartos, e minha noiva, eu preparei uma surpresa... Então você fica. Duas empregadas vão até meus pais em silêncio, e logo eles as seguem, meu pai foi o único a olhar para trás com uma feição preocupada, já minha mãe, mais parecia estar se divertindo... Como se a filha estivesse ali para ca.sar com o amor da sua vida. Era uma piada! Uma piada de muito m*l gosto tudo isso. Me assusto ao ter minha mão segurada, e depois o dorso sendo beijado. — Não se preocupe, eu sou tradicional... Só vou tocar-te depois do casamento. Ele sorriu. Eu senti vontade de vomitar. — Está dispensado, Dmitri. Não precisei olhar para trás para saber que o rico mesquinho estava se retirando, os passos pesados e irritantes incomodavam os meus ouvidos. O que era estranho... Me sentia mais apavorada agora que ele se foi, eu não queria estar sozinha com Viktor, e ir, sabe lá aonde... Já disse hoje que essa vida é uma merda? Pois bem... Que vida de MERDA!
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