A carta chegou numa manhã de outono. Não era selada com cera preta. Não trazia ameaças. Era um envelope simples, com o logotipo de uma universidade. Dentro, uma carta de aceitação: “Lúcia Santos, bem-vinda ao curso de Medicina.” Ela leu em silêncio, as mãos trêmulas, os olhos cheios de lágrimas que não caíram. — Você vai? — perguntei, sentando-me ao seu lado na varanda. — Sim. — A voz dela era firme. — Mas a clínica não fecha. Vou administrar à distância. E voltar nos fins de semana. — Você construiu algo lindo, irmã. — Nós construímos. Mais tarde, Sofia me encontrou no jardim, desenhando com giz no chão de pedra. Desta vez, não eram casas ou muros. Era um mapa: ruas, prédios, um ponto marcado com um coração. — O que é isso, pequena? — O caminho da tia Lúcia até a universidade. —

