Primeiro Erro

1417 Words
Angelina narrando. Sorrio quando o meu novo senhor sai da cozinha e rodo olhando tudo, é tão lindo, tão branco, aberto, eu m*l consigo acreditar que sai do convento. Eu ainda não sei como será aqui, mas lá eram muitas pessoas que podiam me punir e aqui acho que será apenas meu senhor no momento, e eu oro ao meu senhor para que e não faça nada errado, ele é tão bondoso. Disse que a cozinha é minha, que eu posso escolher como limpar, me deixou até comer de sua comida. Coloco minha bolsa com minhas coisas em um canto no chão, o chão aqui não parece ser tão r**m como do convento, aquelas pedras além de serem difíceis de limpar eram frias, doíam meu corpo, mesmo estando acostumada não era legal quando tiravam meu tapete. E esse chão, todo lisinho, branco, é lindo demais. Prendo meu cabelo em um coque e começo lavando as mãos antes de tocar nas coisas do senhor Lorenzo, ele é tão lindo, me deixou até olhar para ele, sorrio nervosa por isso e meu rosto até queima de vergonha, seus olhos escuros parecem ser malvados, mas ele é bom, em tirou daquele lugar. Ele é tão forte, trabalhador, eu espero que consiga servir ele bem e cuide direitinho dessa casa. Começo a explorar os armários e descubro onde tudo fica. [...] Escuto o senhor Lorenzo chegar e corro até a porta, espero até que ele me veja e me ajoelho perto dele, soltando suas botas. — O que está fazendo, Angelina? — eu abaixo a cabeça antes de chegar aos seus olhos e então ele respira irritado. — Angel? — Retirando seus sapatos, você prefere o escalda pés e massagem agora ou depois do almoço? — Não quero isso. — Ah, certo — ele é resistente mas tira os sapatos, eu os recolho deixando perto da porta, me aproximo para recolher sua jaqueta e chapéu, mas ele vai à mesa antes, não irá lavar as mãos? Sem se preocupar com isso ele se senta na cadeira de líder e encara a comida, fiz o comum, arroz com cenoura cortada, feijão, salada e bife acebolado. — Diga quando estiver adequado por favor. — peço retirando o prato da frente dele e começando a servir tudo, ele parece incomodado mas vai dizendo ‘chega’ quando acha bom. Entrego a frente dele e me retiro ficando recostada na parede, ele me olha sem entender mas não pergunta nada, e demora a começar a comer, mas quando prova de minha comida eu sorrio internamente. Meu senhor gosta tanto que come agressivamente, ele repete algumas coisas mas não pede que eu o sirva, ele come bastante e deixa o prato vazio, logo respira fundo e bebe todo seu suco, deixando o copo vazio no ar. Em silêncio como aprendi eu me aproximo antes dele e ergo a jarra, seu olhar queima minha pele e com receio olho rapidamente para ele, tão lindo, forte, ele está suado do trabalho que retornou, ele é tão… — p***a! — me assusto com seu palavreado e vejo que eu errei, enchi demais o seu copo que vazou em sua mão, eu o olho receosa, meu Deus, abaixo a jarra e faço como aprendi. Me ajoelho ao seu lado, abaixando minha cabeça e estendo meus pulsos a ele. — Me perdoe Senhor Lorenzo, eu aceito a punição por meu erro. — falo baixo mas não sinto nada de imediato, ele não bate em minha cabeça, ou agarra meus pulsos, não me arrasta. Então eu continuo parada, esperando que algo seja feito e ele me repreenda. — Angel — ele diz baixo, irritado, consigo sentir a raiva nele, mas como me chamou assim eu me atrevo a olhá-lo, seu maxilar está apertado, ele respira fundo, os olhos até mais escuros. — O que está fazendo? — Esperando você Lorenzo me punir. — digo e ele parece ter um arrepio em seu corpo em desgosto. — Levante-se, e nunca mais me chame de Lorenzo. — eu não me levanto, ele ainda deve me punir, é o que acontece. — O Senhor tem que me punir, eu errei, te sujei, manchei sua toalha de mesa, desperdicei seu alimento. — digo todos os meus erros e ele soca a mesa irritado, merda, talvez os tapas e puxões dele doam mais do que o da Madre. — Não me chame assim, e se levante logo. — Mas. — Eu não vou te punir! — ele quase grita com sua voz grossa e eu me ergo receosa. — Como eu vou aprender a me comportar e ser educada? — questiono sem saber o que fazer,ele me olha com um olhar que não entendo. — Você não vai ser punida nessa casa, eu não sei o que aquela Madre do demônio fazia com você, aqui você não é minha posse, não sou seu senhor, nem vou bater em você. Me assusto pela forma que ele fala de nossa superiora, mas não retruco nada, apenas tento entender, se ele não é meu senhor é o que? — Como deve chamá-lo? — Não de Lorenzo, e droga, nem de Senhor — ele diz passando a mão em sua perna e percebo o quanto suas mãos são grandes. — Padrinho? — ele me olha de canto, irritado, mas assente com a cabeça. — Isso, padrinho, isso eu não sinto nada. — concordo com a cabeça e me afasto para a parede novamente, já que ele não irá me punir. Ele retorna a comer, com menos gosto, e não repete nada, após terminar ele se levanta batendo a cadeira. — Pode tirar tudo, eu vou trabalhar, preciso espairecer a cabeça. — ele sai apressado e se abaixa levando seus sapatos. O que eu fiz de errado? Ele se retira e com pressa eu começo a arrumar tudo o que sobrou, limpo a mesa e arrumo meu próprio prato com as sobras e agradeço a Deus em uma oração por poder ter um alimento tão bom. Me sento no chão perto de minha bolsa e enquanto como eu vejo o que uma irmã me deixou trazer. Minha escova de dentes, uma pasta bucal, um sabonete, uma escova de cabelo e minha bíblia. Tiro o chinelo que recebi hoje e o analiso, talvez seja melhor ficar descalça enquanto estou sozinha, ele está já bem gasto. Assim como o vestido que uso, ele tem um furo na costura da barra, a maioria das roupas de doações que recebemos estão assim, mas sou muito grata a elas, foram o que me permitiram ter algo para vestir fora do convento. E o senhor Lorenzo ainda não me deu uniforme ou sapatos, e ele já está me deixando comer, não posso cobrar nada dele, não que no convento eu não comesse. Mas a prioridade sempre foram as irmãs, a Madre, as noviças, as crianças de boas famílias, depois as das menos abastadas, e por mim eu e minhas irmãs, outras meninas que assim como eu foram deixadas lá. Tivemos educação, comida e trabalho, sabemos falar bem, nos portar a mesa, português, latim, e toda a história relacionada a igreja. Finalizo de comer e começo a limpar tudo, vou aos produtos de limpeza que agora sei onde ficam e vou a outra parte da casa, começando a limpar a grande sala, em foco no grande lareira, ela vai demorar. Limpo tudo com cuidado, cantando os louvores que aprendi, retiro as peças de ferro pesados e com dificuldade as levo até a lavanderia esfregando tudo com mais destreza, espero que isso faça o padrinho feliz. [...] Finalizo de lavar suas calças pesadas e sorrio, por incrível que pareça foi o que mais deu trabalho, a lama, barro… impregnou de um jeito no tecido, mas eu dei meu melhor, estendo tudo no varal com muito cuidado e rio de meu próprio estado, estou um bagaço. Não sei que banheiro posso usar, eu usei o lavabo de funcionários, mas lá não tem mangueira para eu me lavar como tinha no convento. Para não continuar suja eu pego um balde da lavanderia, alcanço meu próprio sabonete e uma toalha da lavanderia, essa eu acredito me pertencer. Eu ligo a torneira liberando a água fresca que cai em abundância, talvez eu deva tomar banho mais cedo, a água será um pouco mais quente. [...] Após me limpar e lavar o banheiro de funcionários depois do meu uso eu visto o mesmo vestido, eu precisarei de outra roupa, mas será tão feio pedir ao padrinho.
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