Lorenzo narrando.
Retorno em minha casa e o cheiro de comida invade minhas narinas, normalmente eu tomo banho antes do jantar, mas o cheiro encontra meu estômago que ronca.
Angel chega apressada até mim assim que abro a porta, vejo seus cabelos levemente molhados, não pergunto porque ela tomou banho e vestiu o mesmo vestido. agora manchado, antes que eu impeça ela se ajoelha e tira minhas botas.
— Padrinho, você vai tomar banho antes do jantar? Ou já posso servir?
— Vou apenas lavar as mãos primeiro — digo e ela concorda com a cabeça, dessa vez deixo que tire minha jaqueta e chapéu e percebo o quão contente ela fica após esse simples ato.
Entro no lavabo da sala e vejo sua limpeza, até as paredes Angelina limpou, fazia tempo que eu não sentia esse cheiro de produto, e o espelho brilhando tanto.
Saio agora olhando melhor a minha sala, as almofadas da minha mãe organizadas e com fronhas trocadas, e a lareira… eu acho que nunca vi tão limpa.
Me aproximo passando a ponta dos meus dedos e nem um micro pó encontra a minha pele, como ela fez isso? Uma sujeira de anos.
Chego a sala de jantar e o aparente anjo de verdade está sorrindo enquanto organiza a mesa, ela olha com vontade para uma carne de panela, mas se afasta da mesa assim que sente minha chegada.
Quando eu me sento ela se aproxima novamente e monta o meu prato, dessa vez sem precisar que eu diga as quantidades.
— Como foi seu dia padrinho?
— Não quero falar disso. — e percebo que falei grosseiramente apenas quando vejo o seu reflexo, p***a, eu não sei ser delicado, e não gosto de ficar falando.
— Como foi o seu? O que fez? — pergunto tentando me redimir, mas sem mudar o tom da minha voz.
— Muito bom obrigada, eu limpei a sala, o lavabo, aqui, fiz o que pude padrinho. — sinto que ela não diz tudo o que fez, e por algum motivo fico curioso.
— Gostou daqui?
— Sim, a sua casa é muito bonita, eu sei que me mandou ficar aqui, mas eu fui ao lado da casa apenas pendurar algumas roupas, espero não ter errado.
— Eu tenho que te apresentar tudo mesmo, mas amanhã faço isso Angel — olho para ela e me arrependo imediatamente, meu olhar se prende em suas pernas definidas, tão claras, delicadas, uma pele que parece tão macia… macia porque ela é a droga de um bebê, uma criança de vinte e dois anos p***a!
Desvio o olhar apenas comendo em silêncio.
— Padrinho. — eu apenas a olho mas pelo fato dela engolir em seco talvez eu esteja irritado sem perceber. — Eu posso pegar o cobertor, toalha, tapete, as coisas que estão na lavanderia?
Não entendo muito, lavanderia? Ela se refere às coisas da parte da funcionária?
— Pode, já falei que o que está lá é seu.
— Muito obrigada padrinho — ela parece animada com isso e fico contente que fique quieta.
— Você vai ficar o tempo todo aqui em pé?
— Devo te servir. — diz sem questionar.
— Vá jantar, depois você recolhe as coisas aqui, eu posso me servir sozinho.
— Mas… eu devo esperar você comer antes de saber o que terei. — não entendo isso, ela não separa o prato dela? A Neide sempre fez isso.
— Você deixou o seu na cozinha, não é Angel? — pergunto mais grosseiro do que eu queria e isso parece deixar ela relutante em dizer a resposta, receosa de minha reação e isso é claro para mim.
— Eu devo comer o que sobra na mesa, por isso espero.
— Então se sente aqui, busque um prato e coma, você não tem que ter vergonha, e a próxima vez se sirva antes, você não é um bicho — fico irritado com tanta submissão, o que a de errado com a merda daquela Madre que criou ela?
— Desculpe padrinho, mas não posso sentar ao seu lado, você já é bom demais para mim, já faz mais do que eu mereço, eu posso esperá-lo comer fora daqui, com licença. — ela se retira para a cozinha e não entendo.
Eu não fiz nada para ela até agora, do que ela é grata?
[...]
Agora já de banho tomado, bebendo meu whisky eu ando pelo meu escritório, essa lareira acesa, não porque, mas me senti m*l ao pensar em acender a da sala agora tão limpa.
Me apoio a parede de tijolos e observo o fogo consumidor em cada pedaço de madeira, me lembrando de cortar mais amanhã, o tilintar de gelo no meu copo me faz beber mais um gole.
A p***a daquela menina ainda na minha cabeça, eu tentei evitar ela em meus pensamentos o dia todo, sua beleza é hipnotizante, como um bruxaria presa em minha cabeça.
Durante todo o dia traços delas eram revistos em minha mente, mas sua pureza e submissão me fazem sentir um monstro por a desejar.
Ela não sabe nada sobre o mundo, nada sobre homens, foi criada literalmente em um convento por freiras, agora eu sei o quanto elas são rígidas, mas ainda assim Angel é pura demais para esse mundo.
Eu apenas trouxe uma dor de cabeça para cá, os peões vão ficar loucos quando a conhecerem, linda dessa forma, e apenas esse pensamento me irrita.
Aperto o copo em minha mão e respiro fundo, eu preciso de mais, vou até minha mesa mas a garrafa acaba em apenas um último gole.
Saio de meu conforto da forma que estou, Angel já deve estar no quarto dormindo, passa da meia noite. Então não me sinto um predador vestindo apenas uma calça de pijama e nada mais.
Desço as escadas para o primeiro andar e abro a porta para a cozinha, mas quando acendo a luz a cena apenas me deixa confuso.
Angel acorda assustada, ela está dormindo na merda de um tapete de crochê, com um cobertor dos cavalos em cima dela, e usando o mesmo vestido sujo do dia todo, ela se senta colocando a mão no peito e me olha confusa.
— Padrinho, desculpa, não sabia que viria de noite, o que posso te servir? — mesmo com sono ela se levanta prontamente e me olha esperando qualquer ordem.
— Porque está dormindo no chão? Aqui?
— Ah não se preocupe, eu achei um tapete, e é muito mais quente e confortável que as pedras que sou acostumada.
— Com o cobertor do cavalo?
— Oh — ela parece constrangida e se abaixa o dobrando.
— Desculpa, eu achei que podia pegar, você falou que. — eu a interrompo imediatamente.
— Você tem um quarto aqui, não viu?
— O que?
Eu me aproximo dela tomando sua mão e ignoro o quanto é pequena e calejada, mesmo pequena e aparentemente frágil, a sua mão tem calos de serviços pesados e grosseiros.
A puxo para o antigo quarto da Neide e vejo a porta fechada, eu o abro, encontrando do jeito que a senhora tinha deixado, a cama de casal sem nada, a cômoda e guarda-roupa vazios, o banheiro com a porta aberta, mas limpo.
— Esse é o seu quarto, eu não quero nunca mais te ver dormindo na p***a de um chão Angel, você não é um bicho. — digo irritado e ela simplesmente me abraça, ela é louca?
— Muito obrigada padrinho, eu… meu Deus — ela se aperta em mim e tento entender o que é esse sentimento, a sensação de seu abraço em mim foi diferente, não desconfortável, ela me deixou e******o apenas com isso? Merda eu não sou um papa anjo!
— E esse vestido seu podre que ainda não tirou? — quando vejo já falei mais grosso ainda para disfarçar o quanto ela me abalou com esse gesto, ela se afasta de mim e olha para sua roupa.
— É o único que tenho, eu queria ter lavado, mas não tenho o que vestir enquanto seca, e é imoral eu ficar nua na sua frente — pelo menos isso ela sabe, mas eu me odeio por imaginar por alguns segundos seu corpo nú.
— Você trouxe uma bolsa, cadê ela? — ela vai a cozinha e volta com a bolsinha me mostrando, tomo de sua mão com grosseria e vejo apenas restos de coisas e uma bíblia velha.
Essas porras dessas freiras.
— Amanhã depois do café vou te levar para comprar o que precisa, e durma na sua cama, se eu ver você fora dela é que vai ser punida — penso que exagerei no fim da frase mas ela não parece se importar, começando a olhar e alisar o colchão, eu me viro para sair, mas ela me abraça mais uma vez, agora pelas costas e eu paraliso.
— Muito obrigada padrinho, isso é mais do que mereço, apenas pessoas com título tem uma cama, e eu mesmo sendo nada o senhor me presenteou, obrigada! — eu penso o quão errada sua frase é, mas ela não parece entender o problema.