Lorenzo narrando.
Jogo a porcaria de vestido no balcão e tento respirar fundo, não ser grosseiro, mas a inocência da Angel me irritou agora.
Porra, ela acha que eu não posso pagar? Pegando um vestido de R$14,99? Um tecido porcaria que irá se rasgar em pouco tempo.
Eu não gosto de fazer compras, me irrita, mas acho que vou ter que acompanhar ela pelo jeito.
— Angel, apenas isso não é o suficiente, pegue mais roupas. — o sorriso da vendedora com isso me irrita.
— Mas eu não quero incomodar.
— Se eu estou mandando não é incomodo, e não pegue coisas ruins como essa, esse pano é pobre, vai rasgar facilmente. — falo mas vejo que ela se magoa o segurando do balcão, agora de cabeça baixa.
— Desculpa padrinho, eu não queria fazer o senhor gastar muito comigo.
— Não é gasto, pense como um presente, ok? Ou parte do salário.
— Salário? — ela parece confusa agora.
— Sim, você será registrada, vai receber pagamento todo mês, mas em casa falamos disso, pegue as roupas.
— Padrinho realmente não quero incomodar eu juro, eu posso ter dois, enquanto um está no varal eu uso o outro, lavo com cuidado para não rasgar, fique tranquilo. — a olho irritado pela teimosia, eu quero presentear ela.
Então me viro para a vendedora.
— Ela não tem absolutamente nada de roupa, apenas essa que usa, monte um guarda-roupa para ela, nada feio, barato e r**m, nem brega, coisas como ela, bonitas e delicadas.
Angel me olha em choque e seguro em seu ombro.
— Você vai provar tudo, escolher o que gostar, eu estou mandando você fazer isso, quero que tenha tudo o que puder.
— Mas…
— Aceita Angel, por mim.
Ela finalmente confirma com a cabeça e eu a guio para perto do provador, me sento em um puff mole e r**m mas é o que tem, pelo jeito terei que examinar cada peça para Angel levar algo bom.
[...]
Ela sai do provador já cansada, estamos a horas na minha cabeça, mas é menos entediante do que eu pensei, só não imaginei como seria excitante.
Ter que ficar vendo ela posar para mim, mostrar seu corpo, algumas peças mais reveladoras… sua expressão é de cansaço, mas ela não reclama, apenas mostra sem muito ânimo a calça justa jeans e a blusa branca.
— Quantas roupas temos?
— Dez blusas, Dois jeans, uma legging, uma calça social, cinco shorts e dez vestidos.
— Padrinho já é mais do que suficiente. — ela diz e respiro fundo, chamando a vendedora com o dedo.
— Embale tudo o que você achar que ficará bom nela, irei levar. — mais feliz do que nunca ela se afasta sabendo que fez uma boa comissão. — Se troque, vamos em outro lugar Angel.
Ela parece animada, mas m*l sabe que terá que em uma loja de lingerie, uma de sapatos e uma de coisa de mulher.
Me levanto assim que ela retorna em seu vestido velho e de automático ela segura em meu braço, estranho mas não a faço se afastar, mas toda minha atenção é levada para esse toque.
Caminhamos para o caixa e em pouco tempo a vendedora retorna, cheia de sacolas e com o total do valor já pronto, agora sim tem uma quantidade de dígitos decentes.
Angel se afasta para que eu pegue tudo e sinto falta de seu leve toque, o que apenas me irrita, eu não posso me sentir assim por essa menina.
— Muito obrigada. — ela agradece a vendedora enquanto saímos, deixo tudo na parte de trás do carro e escuto seu resmungo de dificuldade tentando abrir a porta.
— Vamos passar em outro lugar, vêm.
Eu que seguro em sua mão e entrelaço meus dedos junto, sentindo a eletricidade em meu corpo, um arrepio que nunca senti e me desconcerta um pouco, observo seus dedos finos, brancos e delicados, mas as unhas coitadas, realmente de uma trabalhadora.
Chegamos a loja de lingerie e apenas vendo alguns manequins Angelina se gruda a mim buscando proteção, e merda, eu sou um i****a por me sentir bem em ser seu protetor.
— Olá, como posso ajudar?
— Ela precisa de tudo um pouco, conjuntos, pijama, biquínis, meias, lingeries, tudo, mas nada muito vulgar, que a deixe bonita. — digo e o rosto de Angel atinge um rosado mais forte.
— Deixe-me olhar você, descobrir o seu tamanho. — a vendedora diz e ela me olha, pedindo uma espécie de autorização, p***a.
— Está tudo bem. — digo a ela e sinto a posse em meu coração se incendiar quando ela obedece, isso é um perigo para mim.
— Certo, valores? — me questiona e dou de ombros.
— Não economize, eu quero apenas o melhor para ela.
O sorriso da vendedora é aumentado com essa confirmação e ela começa a pegar peças rendadas em nossa frente, calcinhas minúsculas em cores claras, ela vai ficar a p***a de um anjo da tentação usando isso.
— Padrinho…
— Será rápido, aí vamos comprar sapatos — ela faz careta e sorrio por isso, ela parece relaxar com minha expressão e volta a se escorar em mim, buscando conforto, e abro os braços, deixando que ela se aninhe em meu peito.
Caramba, isso não deveria ser tão bom como é, essa sensação… não devia existir, vinte e dois anos Lorenzo, vinte e dois!
Onze anos mais nova do que eu, isso é um absurdo, e o pior de tudo é a excitação que retorna em minha parte íntima, sou grato pelo jeans não evidenciar o volume.
Mas eu já estou com dor no saco de tanto me segurar nessas compras, e não estamos nem na metade.
— Eu já tenho um chinelo, não preciso de mais sapatos. — ela diz e me atrevo acariciando seus cabelos, ele é todo macio, mas as pontas estão desgastadas, merda eu quero deixá-la como merece estar, ainda irei levá-la no salão hoje mesmo.
— Eu já volto! Continue separando tudo. — aviso a vendedora e seguro a mão da minha Angel a levando até o salão.
Abro a porta de vidro e vejo a maioria dos funcionários sentados, em pela terça-feira isso não deveria estar cheio?
— Sim? — a dona, uma senhora de uns cinquenta anos questiona nos olhando.
— Ela irá cortar o cabelo e fazer as unhas, se precisar de algo mais podem fazer, eu pago. — Angel aperta sua mão na minha nervosa.
— Você vai ser bem tratada, tudo bem? Vou finalizar suas compras, relaxe, me de seu chinelo, para eu comprar os sapatos. — digo baixo à ela que me olha como um cachorro prestes a ser abandonado mas entrega.
— Cuidem dela, como uma porcelana — sou sério com as senhoras que assentem com a cabeça e se aproximam.
— Obrigada padrinho, por tudo. — ela diz me abraçando mais uma vez e aceito seu toque.
Nos afastamos e a dona começa a conversar com ela, questionando coisas de mulher e eu me permito sair do espaço rosa.
Eu nunca imaginei que ficaria tão empenhado em fazer qualquer coisa do gênero.
Retorno à loja de lingerie e vejo a vendedora com três cestos cheios, ela me olha sorridente e apenas ergo o cartão.
— Nada vulgar?
— Talvez. — ela sorri provocativa e ignoro, eu sou a droga de um tarado pela Angel no momento, seu flerte não me causa nem o mínimo de tentação.
— Débito. — digo sem enrolação pagando e ela embrulha tudo.
Saio apressado após o pagamento e sinto um pouco da minha masculinidade sendo deixada nessa loja, porque sair desse tipo de loja, com sacolas vermelhas e o desenho de uma calcinha bem grande não é para qualquer homem.
Adentro a loja de sapatos e mostro o chinelo gasto em minhas mãos, nem número mais ele tem, mas sei que dá certinho no pé da Angel.
— Eu preciso de tudo nesse número, botas, tênis, sandálias, saltos, chinelos, tudo. — digo ao primeiro vendedor que se aproxima e pega de mim.
— Trinta e seis, feminino correto? — assinto com a cabeça e ele começa a me mostrar tudo, é um saco ter que decidir essas coisas.
[...]
Após mais uma pequena fortuna investida eu vou na loja de mulher, eu já cansei de ver vendedor.
— Eu preciso dessas coisas de mulher, de cabelo, banho, hidratação, ela é loira, o cabelo tem umas ondas, também uns perfumes.
— Certo, qual aroma ela gosta? — dou de ombros e então ela pega um leque cheio de papeis de cheiro e reviro os olhos, eu quero minha casa.
[...]
Retorno ao salão, agora com tudo já no carro, eu estou exausto.
Encontro Angel facilmente, sua beleza é única e evidente a todos, mas agora… seu cabelo já está pronto, lindo, vejo os pés, descalços mas com unhas pintadas, uma coisa clara, as da mão não consigo observar, mas ela parece pronta.
— Angel? — a chamo e quando ela se vira eu corro até ela.
Seu rosto rosado, o nariz uma bolinha vermelha e é evidente que chorou, me curvo perto dela a examinando.
— O que foi? A machucaram? O que fizeram?
— A sobrancelha, passaram uma linha em mim. — olho furioso para as senhoras e a dona se aproxima receosa.
— Foi apenas a depilação, está linda agora, dói mesmo na primeira vez, depois acostuma.
— Ninguém machuca ela p***a, era para fazer apenas o que ela quisesse, nunca mais voltamos aqui.
— Calma padrinho, já passou. — ela tenta dizer mas n**o com a cabeça, tiro minha carteira e rapidamente e antes que eu diga algo a senhora diz
— Ficou duzentos e. — não a deixo terminar estendendo trezentos reais, ela pega e tenta dizer algo mas eu puxo a mão da Angel para irmos logo para minha casa.
— Meu chinelo — ela diz e como me esqueci disso eu a pego no colo.
Seu gritinho de susto é delicado e ela se agarra em mim, saímos do espaço chamando atenção de quem passa na rua, mas eu não poderia ligar menos no momento.