SOFIA GUTIÉRREZ NÃO EXISTE

1357 Words
Pov Alex. Sei que Sofia está me escondendo algo. Cada gesto seu me confirma, cada silêncio prolongado me grita isso. E muito em breve vou descobrir do que se trata. Agora entendo por que meu pai escreveu aquela carta pedindo que eu a protegesse. Não suporto admitir, mas, embora aquela mulher não seja santa da minha devoção, sinto que ela está sozinha, vulnerável... e algo dentro de mim me diz que ela corre um grave perigo. Comprovei isso no dia em que um dos meus assistentes — o mesmo que enviei para segui-la — me avisou que a tinha visto entrar, de forma suspeita, num local de apostas clandestinas. Deixei tudo o que estava fazendo e fui até lá. Encontrei-a drogada, com um homem e duas mulheres tentando levá-la como se fosse mercadoria. Se eu não tivesse chegado a tempo... prefiro não imaginar o desfecho. Meu pai sabia demais sobre Sofia. E eu preciso de respostas. Preciso falar com o advogado, preciso ler as outras cartas, há algo que não me convence e quero descobrir. Pego o telefone e digito o número dele. Minutos depois, ele finalmente atende a ligação: — Olá, senhor Ramírez, eu precisaria falar com o senhor, quando poderia passar em casa ou ir pessoalmente ao seu escritório? — Olá, senhor Montenegro, aconteceu alguma coisa? Ele pergunta confuso e preocupado, é a primeira vez, depois da morte do meu pai, que entro em contato com ele. — Não, só que... tenho algumas dúvidas sobre as cartas que meu pai deixou. — O senhor Fernando deixou cartas com uma data de entrega estipulada, por enquanto não pode acessá-las. Ele responde, deixando-me sem palavras. O que meu pai realmente escondia? Por que tantos segredos? Sinto que há algo muito pesado por trás de tudo isso e agora, mais do que nunca, preciso saber. — Senhor Ramírez, suplico que me ajude... Peço tentando alcançá-lo. — O senhor conhecia meu pai, tenho certeza de que sabe mais do que aparenta... escute-me. Acrescento com força. — Preciso saber que verdade Sofia esconde. — A senhorita Sofia? Aconteceu alguma coisa com o seu casamento? Ele pergunta com curiosidade. — Preciso saber o que meu pai e ela estavam escondendo... — Senhor Montenegro... entenda que não posso fazer isso... — Entenda-me, por favor! Digo levantando a voz, já está me exasperando. — Preciso dessas m*alditas cartas! Sofia pode estar em perigo! — Em perigo? Ele exclama surpreso. — Escute, senhor Montenegro, não posso violar a vontade de seu pai. Ele faz uma pausa. — Mas o que posso fazer é pedir uma ordem judicial para poder abri-las... embora precise de um pouco de tempo e alguma prova de que a senhorita está realmente em perigo. — M*aldito seja. Respondo desesperado. — A quanto tempo se refere? — Uns dias... talvez semanas, você sabe como é a justiça. — Está bem, vou tentar conseguir as provas, sei que o papai e a Sofia escondiam um segredo e vou descobrir. — Conte com todo o meu apoio, senhor Montenegro, mas não posso quebrar as regras. Ele exclama. — Entendo, senhor Ramírez, o mais rápido possível estarei entrando em contato com o senhor. Digo, desligando a chamada e discando outro número, o do meu assistente. — García... preciso que investigue minha esposa, o nome dela é Sofía Gutiérrez e é... urgente. — Sim, senhor. Responde-me do outro lado do telefone. — Dê-me algumas horas, tentarei encontrar o máximo de informações possível. Depois de cortar a comunicação, saio do escritório e me dirijo para a empresa na companhia de Sofia, é claro. Ainda não consigo acreditar que Helena foi capaz de sabotar o trabalho dela... ela me disse, eu não acreditei nela e a humilhei na frente de todos. Como recompensa, suspendi a minha prima por um mês do seu trabalho como assistente e cancelei o meu projeto para que ela fosse a vencedora. Por decisão da diretoria, ela é a nova CEO da empresa Montenegro e, embora eu saiba que ela ainda é inexperiente em negócios, ela tem uma grande equipe por trás trabalhando para ela e devo admitir que ela aprende muito rápido. Vamos a caminho do escritório quando Sofia quebra o silêncio, algo estranho vindo dela, já que ultimamente ela m*al fala, nem mesmo para brigar. Ela está continuamente concentrada no telefone, como se estivesse esperando por algo... Lembro que há alguns dias ela contratou um detetive particular. O que será que ela está tentando encontrar? Talvez seja isso que ela está esperando continuamente no seu telefone? Terá a ver com o segredo que ela e o papai escondem? Mas agora o importante é saber por que ela volta a falar comigo depois de tantos dias sem fazê-lo: – Alex... preciso da sua ajuda. Abro os meus olhos arregalados sem poder acreditar... a primeira vez que ela me pediu ajuda foi para emprestar um milhão de dólares, talvez agora... ela precise de mais dinheiro. — O que acontece, Sofia? Você precisa de mais dinheiro? — Não, claro que não... só... Ela está nervosa, começa a hesitar. — Que não sou capaz o suficiente para levar o projeto adiante e... posso ter imaginação e uma grande equipe por trás, mas... você é o melhor arquiteto que já conheci e com a sua ajuda este projeto pode ser ainda melhor do que eu imaginei. Continuo surpreso com as suas palavras, nunca as esperei. — Você está me dizendo que... formemos uma aliança para trabalhar juntos? Perguntei, olhando-a nos olhos... aqueles olhos que ultimamente estão despertando sentimentos e emoções que não quero sentir, aqueles olhos que me fazem acreditar que estou errado e que ela não é como eu realmente a imaginei, que é uma mulher sozinha, vulnerável que eu tenho que proteger. — Sim, Alex, precisamos de alguém com a sua experiência e eu... realmente não consigo sozinha. Não preciso pensar muito, o projeto é excepcional e uma grande oportunidade para a empresa. — Farei isso, Sofia... ajudarei você com o projeto. Temos um mês para prepará-lo e nos apresentar à licitação, você sabe que isso é algo muito importante, não é? — Sim, eu sei, o Fernando me explicou sobre o assunto das licitações e ficou muito tempo por trás desse projeto. Ganhar a licitação é ajudar a manter viva a sua memória como um dos melhores arquitetos do país. Fico calado, mas continuo olhando nos olhos dela. Por estranho que pareça, tenho ciúmes do meu pai. Sim, uma pessoa que infelizmente já faleceu, mas tenho ciúmes... da forma como ela fala dele, do orgulho no seu olhar quando diz Fernando... talvez ela realmente o amasse e eu... fui um idi*ota por acreditar nela como uma caçadora de fortunas. Nem a melhor atriz de Hollywood conseguiria interpretar tão bem um papel de viúva apaixonada. De repente, o meu telefone começa a tocar. Na tela aparece o nome de Garcia, talvez ele já tenha alguma informação sobre ela, embora não tenha passado mais de uma hora. — Desculpe, preciso atender. Digo, desculpando-me. — Claro, pode atender. Exclama Sofia, virando-se para olhar pela janela. — García, diga-me, o que está acontecendo? Pergunto sem conseguir dimensionar a resposta que obtenho a seguir. — Senhor... aconteceu algo muito estranho. Ele responde realmente surpreso. — Fale, Garcia. Apresso-o, já está me deixando nervoso com tanto mistério. — Senhor Montenegro, o senhor não vai acreditar no que acabei de descobrir sobre a senhora Gutiérrez. — Fale de uma vez por todas. O meu jeito de falar parece chamar a atenção de Sofia. – Está tudo bem? — Sim, não se preocupe. — Senhor... acabo de descobrir que... Ele faz uma pausa para me deixar ainda mais nervoso. — Que não existe nenhuma Sofia Gutiérrez com essa idade nem com as características da senhora. Busquei em registros civis, bancários, acadêmicos, até mesmo em migrações. Senhor... é como se... ela não existisse. ‍​‌‌​​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​​​‌​‌‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​‌​‌​​​‌​‌‌‍
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