Proteger a Sofia

1246 Words
Sem pensar muito, pego a carta entre os dedos e saio do escritório, caminhando em direção ao meu quarto. Já no conforto da minha cama e com muito cuidado para não rasgar o bilhete que está dentro, abro o envelope e começo a ler as palavras que meu pai me deixou: Meu querido filho, Alex: quero começar esta carta dizendo o quanto te amo. Tomara que algum dia você chegue a compreender a magnitude dos meus sentimentos. Não estava preparado para ser pai. Você chegou na minha vida no pior momento, mas era uma criança de cinco anos tão doce e terna que, quando a sua mãe decidiu nos abandonar, aceitei sem hesitar assumir a responsabilidade por você. Apesar de você não ser meu filho de sangue, sempre te quis como tal. Por isso te dei o meu sobrenome e com ele tudo o que isso implica: meu dinheiro, as ações e mais. Lamento não ter estado mais presente na sua vida. Seu pai também carregava muitas dores, segredos e muitas culpas que destruíram a sua alma. Não te peço que me compreenda, só que me prometa algo. Sei que a sua palavra é sagrada e, mesmo que eu não chegue a ouvir a sua resposta, sei que se eu te pedir, você fará. Proteja a Sofia. Paro por um instante... eu sabia, sabia que ele me pediria algo assim... Sinto que o sangue ferve nas minhas veias. Como ele pode me exigir isso depois de tudo? Que tipo de piada cr*uel é essa? Sei que vocês dois se detestam. Continuo lendo. Eu sei, pude ver a tensão entre vocês nas vezes em que nos reunimos. Mas você está errado sobre ela... Sofia não é uma caçadora de fortunas. Os meus punhos se fecham com força. Não quero acreditar nisso. E se o papai estiver certo? E se eu estivesse errado o tempo todo? Na verdade... entre ela e eu nunca existiu nada, nem mesmo um beijo da minha parte. Sei que é difícil me entender, que neste momento você deve estar me odiando por ter sido obrigado a se casar com ela e agora estou te pedindo algo tão absurdo quanto isso. Alex, eu sei que você é um bom homem, você tem um coração bondoso. Eu sei disso porque eu te criei. Por isso preciso que você me prometa que vai protegê-la. A vida de Sofia foi muito dura. Eu sabia disso antes de me casar com ela. Eu investiguei porque, para ser sincero, também achei que ela era uma interesseira... mas ao fazê-lo descobri coisas muito tristes e obscuras na sua vida. Eu sabia que a única maneira de protegê-la era casando-me com ela, mas não pensei que essa doença apareceria tão cedo. Não posso te dizer mais nada, Alex... meu advogado tem ordens de entregar mais cartas a Sofia e a você. Nelas irei detalhando os passos que terão que seguir para receber a herança e irei te contando todos os meus segredos, filho, e a investigação a fundo que fiz sobre Sofia. Por que não faço isso numa única carta? Porque é muita informação e, acima de tudo, dolorosa para que ambos a assimilem. Te amo. Alex; nunca se esqueça que serei seu pai para sempre. Mais uma coisa... não julgue Sofia nem tire conclusões sem saber toda a verdade. Essas pessoas são muito obscuras e perigosas, farão o que for preciso para destruí-la física e emocionalmente. Também não exija que ela te conte toda a verdade. Dê tempo a ela, é muito triste e doloroso para ela. Sei que você vai conseguir, filho. Sei que protegerá Sofia e agradeço por isso. Te amo, nunca se esqueça disso. Nos vemos na próxima carta. Assinatura: Fernando. Assim, sem mais, a carta termina. Procuro dentro do envelope de papel kraft para ver se há mais alguma coisa que me ajude a entender tudo isso, mas não há. Meu pai tinha enlouquecido. Não posso acreditar que ele me peça para proteger a mulher dele e, ainda por cima, que eu não a chame de caçadora de fortunas, quando há pouco ele me exigiu um milhão de dólares sem nenhuma explicação. Sofía, o seu passado e aquelas pessoas que não sei quem dia*bos são não me deixaram dormir a noite toda. O alarme do celular toca às 6:00 da manhã. Desligo-a instantaneamente e vou para o banheiro tomar um banho que, espero, consiga me desestressar um pouco. Depois de me arrumar para ir para a empresa, pego o celular e desço para a cozinha para tomar um café que me ajude a recuperar as energias que não recarreguei durante a noite. Ao chegar, fico surpreso ao vê-la. Pensei que, depois de tê-la encontrado naquele estado de embriaguez e pelo ocorrido ontem com o projeto, ela não viria à empresa, mas acho que a subestimei. — Bom dia, Alex. Cumprimenta-me ao ver-me aproximar da cafeteira. — Acabei de fazer, você pode tomar um pouco. — Obrigado... Nesse momento chega ao meu celular uma notificação do banco: a transação foi realizada. — Sofia... — Sim? Ela pergunta, olhando-me nos olhos. Por escassos segundos nossos olhares se cruzam. Desde que li a carta do papai, não consegui parar de pensar nela, na situação dela... e no porquê ela precisaria daquela quantia de dinheiro. Se ela, uma mulher tão orgulhosa, foi capaz de se rebaixar para me pedir essa quantia, é porque realmente deve ser importante, e não posso ne*gá-la. — Você tem o milhão que me pediu depositado na sua conta. — Você está falando sério? O seu olhar triste e cansado se ilumina e um pequeno sorriso se desenha nos seus lábios. — Sim... Naquele momento noto que Sofia se levanta e caminha para onde estou para me rodear com os seus braços, deixando-me completamente atônito e confuso. Seu corpo é quente, real... demasiado real. Quero afastá-la, mas não consigo. — Obrigado, Alex... prometo que te devolverei com juros. — Não é necessário... — Hoje estarei ausente da empresa. Tenho coisas importantes para fazer. Mas amanhã o meu projeto estará disponível para que você o leia e, se quiser, o apresentaremos à diretoria. — Se alguém realmente mexeu com o seu trabalho, será punido, Sofia, e pediremos novamente uma reunião para apresentá-lo. — Obrigado. Nunca esperei o seu abraço, mas muito menos o que você ela fez a seguir. Sofia se aproxima e me dá um beijo leve nos lábios, despertando cada parte do meu corpo... mas não consigo corresponder. Embora seja minha esposa, antes foi de meu pai, e realmente não me atrevo. Rapidamente me afasto como se o corpo dele queimasse. — Sinto muito, Alex... me deixei levar pelo momento, sou uma idi*ota. Ela está nervosa, envergonhada e muito confusa. Tenho certeza de que não fez isso de propósito. — Não se preocupe... só espero que esse dinheiro seja bem usado, Sofia. — Será, eu prometo... obrigado de novo. Rapidamente se levanta da cadeira e sai da cozinha, deixando a sua xícara de café intacta. Sem pensar muito. Embora eu não saiba se estou fazendo o certo. Ligo para um dos meus homens mais leais: — Martín... preciso que siga a minha esposa, neste exato momento. ‍​‌‌​​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​​​‌​‌‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​‌​‌​​​‌​‌‌‍
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