Alex está por de trás de tudo isso

1307 Words
O relógio do corredor parece marcar horas de chumbo. Os dias passam com uma lentidão que me desespera. As horas dentro da empresa são um estresse total, não entendo como Fernando teve a ideia de que Alex e eu poderíamos trabalhar juntos, além de não entender muito de negócios. Sinto-me como um sapo fora do poço, tentando me encaixar em algo que não é para mim. O bom de tudo isso é que conto com Julian, meu fiel assistente. Faz apenas um mês que trabalhamos juntos, mas ele é um jovem tão prestativo e experiente no assunto que já sinto um grande carinho por ele. Quando chego ao escritório todos os dias, ele me recebe com uma xícara de café americano, meu favorito, e todos os documentos organizados para ler e posteriormente assinar. Confio demais nele. Às vezes, quando não entendo algumas coisas dos contratos, Julian, com muita paciência, me explica. Temos muita conexão, mas como amigos. A minha alma e o meu coração estão fechados há muito tempo, duvido muito que eu possa amar e confiar em alguém novamente como fiz com Fernando. E embora os rumores de que estamos juntos tentando ficar com a empresa sejam ouvidos em todos os cantos, ninguém é capaz de dizer isso na minha cara e me enfrentar. Mas não os culpo: eles são apenas funcionários que se deixam levar pelas maquinações de Clara e sua querida filha, Helena Montenegro. Helena Montenegro... quem diria que eu poderia odiar uma pessoa com a mesma intensidade com que odeio a minha família. Essa mulher, que além de ser prima do Alex é sua assistente pessoal, encarregou-se de me tornar a vida impossível desde o primeiro dia que entrei na empresa. Tenho certeza de que ela está ansiosa para ocupar o meu lugar ao lado de Alex, não apenas no escritório, mas também na cama. O que mais detesto nela é que ela é até mais repulsiva que a mãe. Pelo menos Clara não disfarça que me odeia e que gostaria de me ver morta. Em vez disso, ela, na frente de todos, especialmente de Alex, finge ser uma boa mulher, que quer ter um relacionamento cordial comigo, e me faz parecer a vilã da história na frente de todos. Mas a esta altura da vida aprendi a deixar que essas pessoas façam e pensem o que quiserem, desde que não me afete. Por enquanto, não passa de algumas palavras acusatórias, como as que estou acostumada a ouvir. Estou no meu escritório, folheando mais uma vez o projeto que devemos apresentar com o Julian na reunião do conselho de administração esta tarde, quando a porta se abre de repente. Sobressaltada, descubro que a harpia da Helena entrou, certa de me procurar briga. A sua cara de amargurada e resfriada diz tudo. Com um movimento rápido, ela pega as folhas que estava estudando e as rasga em mil pedaços. Estou prestes a gritar quando ela me cala de repente, aproximando-se tanto que sinto o seu hálito ácido: — Não vou deixar você se safar, Sofia, esse projeto será apenas meu e do Alex. Ela está com ciúmes, eu sei, sei que está apaixonada pelo Alex, mas já disse mil vezes que não há nada entre ele e eu, que é apenas um contrato, mas ela não quer entender. Aperto os punhos, contendo o impulso de dar-lhe um tapa. — Estou farta de você, Helena, juro que um dia vou desmascará-la na frente de todos. O meu escritório tem privacidade suficiente para que ninguém veja e ouça a nossa discussão. — Te detesto, Sofía Gutiérrez, e você vai sair daqui sem um mísero dólar, mesmo que seja a última coisa que eu faça. Estou certa de que Alex também está por trás de tudo isso, que ele aprova os m*aus-tratos e as humilhações da prima dele. Ainda me lembro quando ele disse que faria tudo o possível para que eu fosse quem decidisse pedir o divórcio sem merecer um centavo... mas não vou permitir isso, é uma guerra e se ele quer assim, assim será. — Te desafio a fazê-lo, Helenita, garanto que não sou tão fraco quanto pensa. — Isso nós veremos, estúp*ida... o projeto, o dinheiro dos Montenegro e Alex são todos meus...Ela diz finalmente, saindo do escritório e fechando-o com um estrondo bastante forte. Instantes depois, Julian entra horrorizado ao ver o desastre que Helena fez com o projeto. — Ah, minha querida Sofi, não se preocupe, eu me encarrego de reimprimi-lo, mas você deveria falar com o Alex, isso não pode continuar assim. Exclama indignado, levantando os documentos rasgados espalhados por todo o escritório. — Julian... tenho certeza de que Alex está por trás dos ataques de Helena, ele me detesta e faz isso de propósito para que eu desista, mas não vai conseguir. Digo com forte determinação. Durante anos me usaram, me venderam, me humilharam; tudo isso já ficou para trás. Simplesmente não tenho nada a perder. — Você acha? Eu duvido de você, não acho que Alex seja tão miserável a ponto de permitir tal humilhação. — Realmente você não o conhece, ele é capaz disso e muito mais. Agora, por favor, vá reimprimir esses documentos. A reunião é em uma hora e não temos tempo a perder. Este projeto é muito importante: o vencedor da melhor ideia para a construção de um hotel cinco estrelas será quem estará à frente da empresa e do projeto, enquanto o perdedor se encarregará de servir em tudo o que for necessário ao vencedor. Preciso vencer... seria humilhante demais ter que trabalhar sob as ordens de Alex, não posso permitir isso. De repente, a porta do escritório se abre novamente. Julian, com os olhos arregalados e gaguejando, se aproxima de mim e coloca uma mão sobre os meus ombros. A sua mão e a sua voz tremem e me desesperam: — Sinto muito, minha querida Sofi, mas tudo se perdeu. As suas palavras me deixam completamente paralisada. — Não sei como ela conseguiu hackear meu computador, mas ela conseguiu e apagou o nosso trabalho que fizemos com tanto esforço... sinto muito, eu deveria ter sido mais cuidadoso. Julian está prestes a desmoronar, mas não vou permitir, preciso do apoio dele para chegar ao fim de tudo isso. — Fique calmo, não te culpo... tenho uma velha amiga que cuida de todos esses problemas de informática, sei que ela poderá nos ajudar. Marco o número de Alice e, embora façam vários meses que não temos contato desde a morte de Fernando, ela rapidamente pega um táxi e em meia hora está na frente do computador de Julian, tentando recuperar os arquivos, mas sua expressão não dá muitas esperanças. — Alice... diga-me que os arquivos podem ser recuperados. Perguntou com a voz trêmula, nervosa, ao notar que faltava apenas meia hora para a reunião da diretoria e Alex é implacável com a pontualidade. — Tenho duas notícias, Sofi. Ela diz, olhando-me nos olhos. — Diga-me, não há muito tempo a perder, nesses arquivos está o nosso trabalho de um mês inteiro. — Sofi... infelizmente devo dizer que há possibilidades de recuperar o arquivo. Ela faz uma pausa, deixando-me sem fôlego. — O problema é que levará entre 24 e 72 horas para recuperá-lo. O arquivo não só foi apagado, como também foi criptografado. Embora você possa recuperá-lo, será difícil recuperá-lo completamente, sinto muito. Sinto que cada palavra que sai da boca dela quebra o meu coração. — Alice, faça o que puder, eu me encarregarei de fazer com que aquela harpia m*aldita pague por isso. ‍​‌‌​​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​​​‌​‌‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​‌​‌​​​‌​‌‌‍
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