Não consigo acreditar que Helena foi capaz de arruinar o meu trabalho daquela maneira. Mas juro que desta vez não vou deixar passar. Podem me chamar de caçadora de fortunas, dizer que me casei com Fernando por causa do dinheiro dele, mas mexer com o meu esforço e com o de outra pessoa... isso jamais. Juro que a Clara está metida nisso tudo. E se acham que vão me vencer assim, tão facilmente, estão enganados.
Chega a hora da reunião do conselho e eu me dirijo para a sala de reuniões. O corredor parece-me mais longo do que nunca. Sinto um nó na barriga, mas caminho erguida, como se nada pudesse me quebrar. Ao entrar, vários executivos já estão sentados nos seus respectivos lugares, murmurando em voz baixa enquanto esperam por Alex e por mim.
Recebem-me com um simples "olá" e sento-me numa das duas cadeiras da cabeceira. Como ambos ocupamos o cargo de CEO, até hoje existem dois lugares: um para o meu marido e outro para mim.
Os olhares fixos em mim dizem tudo. Ninguém confia. Eles nem sequer me guardam um mínimo de respeito, nem que fosse só por cortesia. Eles continuam pensando que estou aqui por dinheiro, que sozinha arruinaria a empresa, que sou fraca. Frases cr*uéis que devo suportar, enquanto meu marido, o primeiro a me odiar, não move um dedo para detê-las. No seu silêncio, encontro um castigo mais doloroso do que qualquer palavra.
Às dez em ponto, Alex cruza o limiar. A sua seriedade e frieza enchem a sala. O terno impecável, o cabelo penteado, a barba aparada... parece uma estátua. E atrás dele, Helena, que me crava um sorriso zombeteiro, desfrutando do que acredita ser sua vitória.
— Bom dia a todos. Cumprimenta Alex com voz firme, sentando-se ao meu lado. Nem um gesto, nem um olhar para mim. Para que fingir? Todos sabem que isso não é real, e isso é o que mais me parte o coração. — Como sabem, hoje precisamos que votem no melhor projeto. Sofia e eu trabalhamos separadamente. O mais original e comercial ganhará o cargo de CEO. Ele explica pausadamente, com detalhes. — Aqui não importa apenas o design arquitetônico, mas também as ideias.
— Alex... Interrompo-o sem conseguir me conter. A minha voz m*al treme, mas me forço a mantê-la firme.
Ele se vira para mim, com um olhar carregado de ceticismo e desconfiança que me atravessa como uma faca.
— O que está acontecendo? Pergunta com aquela frieza que me destrói por dentro.
— Tive um problema com o projeto. Confesso, e sinto as minhas mãos tremerem sob a mesa.
Os olhos de Alex endurecem.
— Eu sabia que não podia confiar em você, Sofia.
Deus... se soubesse quanto m*al as suas palavras me fazem.
— Escute-me, Alex. Tenho uma explicação. O projeto que fizemos com o Julian estava terminado, impecável. Mas alguém entrou no computador dele, deletou o arquivo e o criptografou para que não pudéssemos recuperá-lo.
Ele me olha de novo. Desta vez, não consigo decifrar nada no seu rosto.
— Não acredite nas mentiras dela, Alex. Irrompe Clara, levantando a voz.
A minha respiração acelera. Essa gente é capaz de tudo para me afundar. Mas eu preciso ser forte. Depois de perder a minha filha, não me resta mais nada a perder.
— Alex... Digo com a voz carregada de raiva contida. — O nosso trabalho estava perfeito. Até que aquela mulher. Ela apontou para sua assistente. — Hackeou o computador de Julian e depois entrou no meu escritório para destruir os documentos impressos.
— Você está dizendo que Helena sabotou o seu trabalho? Ele pergunta, olhando fixamente para mim. A sua incredulidade é brutal. Sei que jamais acreditará em mim.
— Claro que fez. Mas sabe de uma coisa? Acrescento, com a voz tremendo entre fúria e dor. — Não a culpo... tenho certeza de que você esteve por trás de tudo isso. E estou farta, Alex. Se quer guerra, terá. Você, Helena, Clara. Olho para todos, desafiando. — E qualquer um que ouse me testar. Posso ser mulher, caçadora de fortunas, o que quiserem me chamar, mas passei por demais para deixar que umas palavras me destruam. Não me conhecem. Vocês não sabem do que eu sou capaz.
Um silêncio pesado cai sobre a sala.
— Terminou o seu discurso? Responde Alex com a sua cr*ueldade à flor da pele. — Você realmente enlouqueceu, Sofia. Se você não tem intenção de trabalhar, por favor, vá embora.
— Vou embora, Alex... mas em 24 ou 72 horas você terá provas de tudo o que digo. E quando você as vir, muitas máscaras cairão... incluindo a sua e a do seu assistente. A raiva me consome e saio da sala batendo a porta com força.
Caminho para o meu escritório com passo firme, embora por dentro me sinta dilacerada. Ao chegar, o celular vibra com uma notificação. Estou prestes a abrir a mensagem do w******p quando Helena aparece na minha frente, furiosa.
— M*aldita Sofia, quem você pensa que é?
Já chega.
— Quer que eu te lembre? Sou Sofía Gutiérrez, viúva de Montenegro, e proprietária de metade desta empresa. Assim ou mais claro? Respondo com todo o ódio acumulado.
— Juro que você vai me pagar!
— Você realmente achou que eu ficaria de braços cruzados enquanto você e Alex arruinavam o meu trabalho e o de Julian? Você estava errada. Não sou tão fraca quanto pensam. Nem você, nem sua mãe vão me dobrar.
— Não descansaremos até te ver fora daqui, e sem um centavo.
— Tudo bem, não tenho medo de você. Estou aqui por vontade de Fernando, e o que pensarem me importa pouco. Em no máximo 72 horas, a junta analisará as provas e saberá que decisão tomar.
— Não percebe que ninguém te quer aqui? Ela cospe com veneno.
— Claro que sei. Mas posso viver com o ódio de vocês.
— Você é uma caçadora de fortunas! Vou mostrar a todos o tipo de mulher que você é. Ela grita, e avança na minha direção, levantando a mão.
A sua palma está a centímetros da minha bochecha quando eu paro o seu pulso no ar, apertando-o com força. Naquele instante, a porta se abre: Alex, a sua tia e os outros diretores nos olham atônitos.
Helena, consciente dos olhares, muda de papel e começa a gritar, fingindo desespero. Alex corre na nossa direção e a pega pelo braço, separando-a.
— Que dia*bos está acontecendo com você, Sofia? Você está louca!
— Pergunte à sua querida assistente o que está acontecendo. Porque não importa o que eu faça, Alex, você nunca vai acreditar em mim.
— Vamos para casa, Sofia. Lá conversaremos. Ele tenta me pegar pelo braço, mas eu o afasto.
— Não me toque. Não tenho nada para falar com você. Sei perfeitamente qual é a sua posição. Sei que ninguém me quer aqui. Mas foi vontade de Fernando, e eu só estou cumprindo isso.
O silêncio é absoluto. Todos me observam como se eu tivesse realmente perdido a razão. Talvez eu tenha feito isso, por suportar tanto ódio sem sentido.
Dou meia volta para voltar ao meu escritório. O celular vibra de novo. Sustento-o com a mão trêmula e abro a mensagem de w******p de um número desconhecido.
Uma foto: uma criança de cerca de quatro anos, deitada numa cama de hospital.
Eu paraliso. O ar congela nos meus pulmões. Deslizo a tela e leio a mensagem anterior:
Se você realmente quer vê-lo vivo, já sabe o que tem que fazer, Emilia. Nada você faz bem nesta vida, nem mesmo para a sua filha.
Minha filha?
Mas se ela...
As forças me abandonam. Tudo ao meu redor fica escuro. E eu caio, perdendo a consciência.