Fui sem pensar muito para a delegacia.
Atrás do que, naquele momento, eu achava que poderia ser meu homem.
E uma coisa eu sabia: não sairia dali sem respostas.
Quando cheguei, fui atendida por um policial alto, bonito e gentil Rafael, ele se apresentou.
Pediu que eu aguardasse enquanto chamava Marcelo.
Enquanto esperava, ouvi vozes elevadas vindo da sala dele.
Gritos.
Minha vontade foi sair correndo, dar meia volta e desaparecer.
Mas eu não podia.
Sou mulher.
Vim atrás da verdade, mesmo que essa verdade doesse.
Quando ele me viu, parou.
Travou.
Era óbvio que a noite não havia sido fácil para ele também.
Assim que entrei, a discussão começou.
Palavras afiadas, olhares carregados, orgulho em choque.
E então, de repente, aquele grito…
Me assustei.
Mas antes que eu pudesse reagir, ele me atacou ferozmente com um beijo.
Estávamos tão loucos, tão alucinados, que nos esquecemos do lugar onde estávamos.
Meus gemidos escapavam sem controle, preenchendo a sala vazia.
Enquanto ele chupava um dos meus s***s, eu cravava as unhas nos seus ombros ele ficaria marcado por um bom tempo.
A mistura de dor, desejo e raiva era o que nos mantinha ali, presos um ao outro, mesmo que tudo ao redor implorasse para que não estivéssemos.
Nosso sexo tinha pressa naquele instante.
Como se cada toque, cada gemido, selasse uma união que ninguém mais poderia quebrar.
Senti suas mãos apressadas desabotoando a calça, a respiração pesada misturando desejo e urgência.
Logo ele arrancou minha calcinha, que se desfez em seus dedos como se fosse feita de papel.
Ele não parava de repetir, quase como uma prece,
- Você é minha. A partir de agora, pra sempre.
Quando entrou em mim, foi forte, bruto, delicioso.
Cada movimento seu era uma afirmação, uma promessa, uma marca.
Eu sabia, naquele instante, que aquele beijo, aquele corpo, aquela pegada…
ficariam marcados em mim para sempre.
Meus gemidos ecoavam pela sala, altos, ousados e eu sabia que as pessoas do lado de fora certamente estavam ouvindo.
Mas naquele instante, tanto Marcelo quanto eu estávamos completamente entregues, sem vergonha, sem medo.
Antes que o orgasmo viesse nos arrebatar, ele apertou minha cintura com força, segurou meu pescoço com uma mão firme, me mantendo colada ao seu m****o duro, rígido, sem dar espaço para fuga.
- Diga. Diga que você é minha. Só minha. - sua voz era grave, urgente, quase um comando.
Eu só conseguia gemer mais alto, sacudindo o corpo contra o dele.
- Sim… sou sua.
Pra você.
Sempre sua.
E naquele momento, o mundo inteiro desmoronou lá fora, enquanto nós dois nos perdíamos no fogo que só nós dois sabíamos acender.
Chegamos ao orgasmo juntos, mas Marcelo não desgrudou de mim.
Sua boca continuava colada na minha, imóvel, como se o mundo inteiro tivesse parado ali.
Ele sussurrou, a voz rouca e urgente, colada nos meus lábios:
- Você sabe que não podemos, Bruna. Que isso não deveria acontecer.
Eu balancei a cabeça, sem conseguir falar, só sentindo o calor dele em mim.
- Mas eu não consigo sair disso. Eu preciso de você. Quero você.
Ele apertou meu corpo contra a parede fria, segurando cada pedaço de mim como se fosse o único que importasse.
Eu olhei dentro dos seus olhos e disse, tremendo:
- Eu também quero você. Mesmo sabendo que não deveria.
Ele segurou meu rosto com as duas mãos, a intensidade no olhar:
- Então por que a gente deixa tudo desmoronar e vive esse caos juntos?
Meu peito subia e descia acelerado, tentando encontrar coragem:
- Porque, no meio do caos, a gente ainda é o que sobrou de verdade.
Ele sorriu, um sorriso cheio de promessa:
- Talvez a gente seja mesmo. Só espero que sobreviva.
E ali, naquelas paredes frias, entre beijos e confissões, a gente se perdeu e se encontrou ao mesmo tempo.
Ele apertou meus cabelos com delicadeza, quase como se pedisse desculpas por toda a confusão que éramos.
- Eu não sou bom nisso, Bruna. Não sei lidar com o que sinto. Talvez nem saiba o que sinto.
Meu coração apertou. Era a verdade nua e crua que eu via no olhar dele, por trás de toda aquela fachada dura.
- Marcelo, ninguém espera que você seja perfeito. Eu também não. Só quero você de verdade. Sem medo, sem barreiras.
Ele me puxou para mais perto, sussurrando no meu ouvido:
- Eu quero. Só que às vezes tenho medo de me perder e acabar te machucando.
Segurei seu rosto entre as mãos, firme.
- A gente vai aprender juntos. Mas não pode fugir de mim.
Ele fechou os olhos por um instante, depois abriu, com aquela mistura de cansaço e esperança.
- Então fica comigo. Fica.
E naquele momento, não havia dúvida. Ficar com ele era tudo o que eu mais queria.
Minha blusa estava em pedaços, esquecida no chão da sala dele como testemunha do que acabara de acontecer.
Marcelo, ainda ofegante e com o olhar pesado de tudo o que não dizia em voz alta, abriu um dos armários do canto e puxou uma camisa dele preta, com cheiro de café e alguma colônia amadeirada que combinava com o peito onde eu tinha acabado de me perder.
- Veste isso. - disse, estendendo a peça.
Peguei sem dizer nada.
A camisa era enorme, cobria até quase metade das minhas coxas, mas me senti estranhamente protegida dentro dela.
Como se, por um instante, pertencesse a ele… mais do que só pelo corpo.
Enquanto ajeitava meus cabelos em frente ao espelho, ele me observava em silêncio.
Tenso.
Lutando contra alguma coisa que eu não podia ver, mas sentia.
De repente, ele segurou firme minha mão.
- Vou te levar pra casa.
- Não precisa, Marcelo. Eu...
- Precisa sim. - interrompeu, seco, com aquela voz que não deixava espaço pra discussão.
Não discuti. Talvez porque, no fundo, eu quisesse mesmo que ele fosse.
Saímos da sala. Ele com os cabelos bagunçados, os botões da camisa ainda m*l fechados, e a pele marcada por ele.
Todos olharam.
Não precisava dizer nada.
O ar dizia.
Rafael estava encostado no balcão, e percebo quando os olhares deles se encontram, ele apenas arqueou uma sobrancelha e deu um sorriso de canto.
Aquele tipo de sorriso que diz: Até que em fim!
Marcelo não mudou a postura firme, sem dizer nada a ninguém, mas com a mão segurando a minha, como se dissesse ao mundo que, gostando ou não, eu era dele.
E por mais confusa que eu estivesse, por mais que tudo ainda parecesse um furacão dentro de mim…
aquela mão segurando a minha me dava um certo tipo de paz.
Instável.
Mas verdadeira.