Ayleen

1144 Words
Billie's POV Melanie foi embora ontem a noite e eu fiquei pensando sobre me envolver com uma aluna. Isso me trouxe lembranças nada agradáveis. Eu já tenho vinte e oito anos, mas quando eu  tinha vinte e seis, estava trabalhando com o ensino médio em uma escola particular. Dava aula como sempre, bem centrada e profissional. Acontece que lá eu conheci a Ayleen, uma aluna do segundo ano de dezesseis anos. Ayleen era uma garota extremamente bonita e muito madura para a idade dela. Inteligente, maliciosa, cheia de si e aparentava uma autoconfiança invejável. Eu não olhei ela com outros olhos até ela dar em cima de mim em um plantão de dúvidas. Aquilo fodeu com minha cabeça de um jeito que eu não sei explicar. Ayleen obviamente não aparentava a idade que tinha, na verdade, qualquer um que a olhasse daria uns vinte anos no mínimo. Mas ela ainda tinha dezesseis e, apesar das investidas dela, eu não cedi. Disse a ela que quando ela fizesse dezoito, se ainda me quisesse, poderia me procurar e a gente pensava no que fazer. Eu decidi facilitar as coisas, tanto pra ela quanto pra mim. Fiz um acordo com a escola e eles me demitiram, e com a rescisão que recebi, fui trabalhar em outro estado com crianças menores de dez anos carentes. Um trabalho voluntário, em um abrigo de menores que sofreram abuso s****l e foram recolhidos de sua família pelo governo. Trabalhar com essas crianças e mudar a vida delas me deu um propósito na vida. Eu tive o coração partido inúmeras vezes, e elas também. Mas eu via o brilho nos olhos delas cada vez que aprendiam uma coisa nova de ciências e se apaixonavam pelos livros que eu trazia. Ou como ficavam encantadas em usar um microscópio e conhecer células de cebola. A ciência, meus amigos, é um mundo mágico que tira você da realidade e te leva para algo além. Eu fui capaz de esquecer Ayleen e focar em ensinar. Meu dinheiro acabou no final do ano passado e eu precisava trabalhar. Decidi então, arrumar um emprego e passei na entrevista para a faculdade que leciono agora. Eu realmente preciso do dinheiro e preciso fazer um estoque extra, porque ano que vem eu vou voltar para onde meu coração está: Com minhas crianças. Esse é meu plano. Ou era. Eu não sei. Talvez eu arrume algo mais perto, porque esse abrigo ficava literalmente do outro lado do país. Comecei a me arrumar para a faculdade e achei no chão, embaixo da cama, a calcinha de Melanie. Dei risada comigo mesma e guardei na minha mala para entregar para ela. Cheguei na faculdade e desci da moto. Eu precisava de um cigarro, e apesar de estar tentando diminuir a quantia, hoje não é um dia bom para fazer isso. Acendi um deles, e comecei a fumar encostada em minha moto. E vindo de longe, assisti uma garota com uma bolsa lateral e um livro na mão se aproximando da entrada da faculdade. Ela virou o rosto e eu senti meu coração disparar: Era a p***a da Ayleen. Como caralhos isso era possível? Eu estou longe pra c*****o daquela escola! Ayleen me viu e veio em minha direção com um sorriso no rosto. Ela abriu os braços quando chegou próxima a mim e pulou em meu pescoço, e eu obviamente a abracei de volta, para não deixá-la no vácuo. Eu lembro dos abraços dela e do cheiro do cabelo. Nunca toquei nela de forma maliciosa, mas a abracei quando fui embora da cidade. E dei um beijo na testa dela. – Eu não acredito que você tá aqui! Caramba, Lillie! O que você tá fazendo aqui? – Ela desfez o abraço, me olhando com um sorriso no rosto. – Você sumiu depois que saiu da escola... Não respondeu mais minhas mensagens. – Eu... Bom, eu estava um pouco ocupada, como eu disse pra você. Estava do outro lado do país. O que você tá fazendo aqui, Ayleen? – Questionei. – Eu passei no curso de Letras! Cheguei ontem. – Ao menos, ela não era minha aluna. Ainda bem. – Parabéns. Lembro dos textos que escrevia, você era ótima. – Sorri de forma fraca e dei um trago no meu cigarro. – Você ainda fuma. Não prometeu pra mim que iria parar? – Dei os ombros. – Não consegui. Nem tudo é do jeito que a gente quer, você sabe. – Ayleen olhou para baixo. Os olhos castanhos, o cabelo escuro até a cintura e a pele branca definitivamente me atraem. Melanie e Ayleen são parecidas. Eu sempre tive um "tipo" de garota, e as duas se encaixam. – Mas tem algo que pode ser do jeito que a gente quer. Afinal, eu tenho dezoito anos agora. – Ela sorriu de forma maliciosa e me olhou. Eu fiquei sem resposta. – Eu vou pra aula, Lillie. Nos vemos por aí. Ayleen saiu andando e eu a observei. Lembro-me que ela era bem mais gordinha, parece que emagreceu muito. Continua linda, mas eu preferia antes. Não que isso faça diferença, afinal, quem tem que estar feliz e preferir é ela. Terminei meu cigarro e entrei na faculdade. Eu ainda não acredito que Ayleen está aqui. Minha primeira aula era na sala de Melanie, e ela me tratou exatamente como combinamos, como minha aluna. Tirou algumas dúvidas, assim como a amiga dela, Mia. Mas no final da aula, Mia ficou na sala. – Professora Lillie... – Mia se aproximou de mim. Ela tava com uma camiseta extremamente decotada e se inclinou na minha mesa, de um jeito que era impossível não olhar para os s***s fartos dela. – Eu realmente não entendi esse exercício. Você poderia me explicar, por favor? – Sim, claro. – Falei, desviando dos s***s dela e olhando para o caderno. Expliquei o exercício da maneira mais rápida que pude, para evitar essa situação constrangedora. Ela realmente tava empinando os s***s para que eu olhasse. – Posso te chamar pelo celular se eu tiver alguma dúvida? Você está no grupo da minha sala, então eu poderia te chamar. – Ela sorriu e pegou o caderno da mesa. – Pode sim, Mia. – Falei. Ela sorriu satisfeita. – Então aguarde minha mensagem, porque eu vou te chamar. – Ela piscou um dos olhos para mim. Mia saiu andando e rebolando a b***a propositalmente. Balancei a cabeça negativamente. Eu odeio saber que sou sem vergonha o suficiente pra olhar pra b***a de Mia também. Estou arrependida de decidir dar aula para adultos. Abaixei minha cabeça na minha mesa e dei um gemido de reclamação. – Bosta de vida. – Falei, com a cabeça ainda abaixada. Eu me odeio. Definitivamente, eu me odeio. Sou uma pessoa péssima e pervertida. Talvez eu devesse me matar, sei lá, me internar num hospício ou coisa parecida. Que bosta, viu.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD