Capítulo 3

1835 Words
Giorgia Moretti O clube Monte Carlo, era um lugar onde homens e mulheres iam para desfrutar de jogos, bebida e sexo. A maioria das mulheres ali eram acompanhantes de luxo, e a maioria dos homens, eram ricaços ou mafiosos. Andei pelo local, desconfortável demais em um vestido vermelho curtíssimo e sapatos de salto. Observei, mas nenhum sinal de quem eu procurava. Mulheres e homens dançavam e se insinuavam. Um típico antro de promiscuidade. Notei que havia um lugar reservado ao canto, com alguns homens e seguranças. Não dava para ver ao certo, mas talvez Dominic Greco estivesse lá. Decidi que o mais interessante seria ir em busca de informações. Fui até o bar e me sentei, observando o garçom conversando com algumas pessoas. Pela popularidade dele, ele deveria trabalhar a um tempo ali. Ele finalmente me notou e veio até mim. — O que manda? — Vodca com gelo, por favor. – O garçom me serviu rapidamente. — Sozinha, gatinha? – Um homem de meia-idade bem-vestido, sentou ao meu lado. — Sorri e me virei para ele. — O que você fará se eu estiver sozinha? Vai sentar aqui, me pagar uma bebida e implorar por sexo com uma garota com metade da sua idade? – Ele me olhou espantado com a minha audácia. – Como vê, eu posso pagar a minha própria bebida. – Levantei o meu corpo. – Saia! — O homem saiu correndo. Me virei na bancada e olhei para o garçom, que sorria. — Boa! – Ele piscou. — Quanto tempo você trabalha aqui? – Ele apertou os olhos. — Eu não estou flertado com você, é só uma pergunta. — Tempo demais para saber que você está aqui em busca de algo. Abri a minha bolsa, me inclinei no balcão e coloquei algumas notas de euro em seu bolso. Votando a sentar em seguida. — O sobrenome é Greco. – Eu disse e ele sorriu. — Você não é a primeira que vem aqui atrás dele, garota. Você vai ter que entrar na fila. – Ele sinalizou para trás de mim, apontando para área privada. — Ele está ali? — Você não vai conseguir entrar lá. — Eu aposto o dinheiro no seu bolso que sim. — pisquei para ele e fui em direção a área privada. Quando cheguei bem perto, consegui ver que Dominic Greco realmente estava lá, rodeado de mulheres e mafiosos. Eu não tinha uma estratégia exata para me aproximar dele, mas sabia que ele era obcecado por mulheres. Só precisaria chamar a atenção dele e talvez fosse notada. Fiquei em frente à área vip e alguns seguranças me olharam feio, quando tentei me aproximar e entrar no local. Meu coração gelou quando eu vi Dominic de perto, sorrindo e cercado por mulheres. Meu desejo era matá-lo ali mesmo, mas um bom plano requeria paciência. — Você não pode entrar aqui. – O segurança falou e colocou a mão no meu braço. — Ei! Você não precisa me segurar. – Gritei e puxei o braço. Eu me afastei e olhei para Dominic, ele estava olhando na minha direção. Seus olhos cruzaram os meus e, por um instante, tive um vislumbre dos olhos que assombraram os meus pesadelos. Continuei a encará-lo e ele fez o mesmo. Uma mulher loira acariciava o seu peito. Ele segurou a mão da mulher e sinalizou para que ela saísse, sem tirar os olhos de mim. Bom, eu fui notada! Me virei, peguei o primeiro homem que encontrei e comecei a dançar. — Oi, gracinha. – Ele me segurou pela cintura e se esfregou em mim. — Se você se esfregar em mim mais uma vez, vou perfurar a sua jugular com meu grampo de cabelo. – Ele me olhou espantado e parou de dançar. — O quê? — Nada, é só brincadeira. Continua dançando, gracinha. – Dei um falso sorriso. Continuei dançando com aquele homem, que cheirava a cigarro. O virei e olhei em direção a Dominic. Ele estava me observando, então aproveitei a chance. — SEU i****a! – Gritei e dei tapa no rosto do homem que eu estava dançando. — SUA v***a DE MERDA! - ele rebateu. O homem levantou a mão para me bater, mas fui mais rápida. Torci o seu braço e dei uma joelhada bem no meio das suas pernas. O homem caiu no chão, gemendo de dor. — Seu merda! Você vai tocar em mim? Seu ridículo de merda! — Chutei a barriga dele. Me virei para sair dali e dei de cara com o corpo de Dominic, parado bem atrás de mim. Tropecei ao topar com ele e ele me segurou. — Está tudo bem aí, lindinha? – Ele falou, ainda me segurando. Tratei de me colocar em linha reta e ajustei o vestido. — Estou bem. – Falei ríspida. — Eu posso ajudar com o canalha? – Ele olhou para o homem caído no chão. — Não preciso da sua ajuda. Eu sei me cuidar. — Eu percebi. – Ele deu um meio sorriso. Eu torci o nariz, passei por ele e sai andando. Ele segurou o meu braço. — Para onde você vai? – Ele me encarou. — Desculpe, eu não sabia que precisava lhe dar explicação. Quem é você mesmo? — Ele me olhou meio confuso, mas abriu um sorriso. — Talvez eu deva me apresentar. – Ele puxou o meu braço, me fazendo chocar com seu peito novamente. – Mas podemos fazer isso em lugar mais privado. – Eu o olhei feio. – Calma, só estou te chamando para ir para área que reservei. Logo ali. – Ele apontou para trás de mim. Eu o empurrei. — Eu não estou interessada. Sr. Sabe lá Deus quem. — Não está interessada? – Ele parecia surpreso. – Como assim não está interessada? — O senhor já levou um não? — Na verdade, não. — Sempre temos uma primeira vez para tudo. – Eu o encarei. Ele se aproximou de mim e segurou o meu queixo, fazendo meu estômago embrulhar de ânsia e ódio daquele homem. Minha respiração ficou descompassada. Eu queria matar aquele homem ali mesmo com as minhas próprias mãos. — Greco. Dominic Greco. Mas você pode me chamar de Dom. – Ele falou bem pertinho do meu rosto. Eu não conseguia respirar, sentia que ia desmaiar. Eu nunca cheguei tão perto da minha vingança, muito menos tão perto do assassino do meu pai. E, simplesmente não poder matá-lo, estava destruindo minha sanidade. Eu precisava ser fria, assim como aquele homem era. Precisava controlar o meu ódio, mas primeiro, eu tinha que me recuperar. Segurei sua mão e tirei do meu queixo. Acabei torcendo sua mão no processo. Ele me olhou espantado, mas vi o ódio surgir em seus olhos. Ele deu um meio sorriso e uma expressão de aproveitamento surgiu em seu rosto. Como se ele estivesse desfrutando da situação. — Eu não me importo com quem você seja. – Cuspi as palavras em sua cara, o empurrei e sai andando. Andei o mais rápido que pude, sentindo o medo me dominar. Fui até minha moto estacionada na esquina da rua, mas antes liguei para o meu tio: — Filha. — Tio. – Minha respiração estava ofegante. — O que houve, querida? Você está bem? — Eu o vi, tio. Eu vi o assinado do meu pai. Ele me tocou e... Eu devia tê-lo matado. Eu não sei se vou conseguir ficar perto daquele homem, sem matá-lo. — Primeiro, você precisa se acalmar e lembrar quem você é. Você foi criada para isso e agora está dando uma de boba? O que há com você? Está fraquejando na sua missão? Acorde e lembre-se quem exatamente é, e pare de bancar a medrosa. — Mas eu poderia matá-lo ali mesmo, e não precisaria prolongar essa situação. — Filha, você está esquecendo que seu real objetivo é matar Leonardo Greco? — Mas quem matou o meu pai foi o Dominic Greco. — Induzido pelo pai. O pai dele é a verdadeira raiz desse problema e ele precisa ser morto. Aquela família precisa ser dizimada e você é a chave para isso. Sem contar que você vai ferir mais Dominic Greco, se matar sua família. — Tio, eu não sei se concordo com seu ponto de vista, mas eu entendo. Vou fazer o que for preciso para destruir aquela família. — Eu sei que vai, filha. Por isso confiei em você para essa missão. Mas me conte, você se aproximou de Dominic Greco? — Tio, eu o conheci, mas eu não pude... – respirei fundo. - Tio, eu queria matá-lo. Quando eu olhei para ele, rindo e se divertindo, fui tomada por uma fúria. — Filha, nós falamos sobre tudo isso. Você já deveria saber lidar com esse sentimento. Pense que isso são apenas ossos do ofício. Que você tem que se sacrificar agora, para chegar ao seu objetivo. — Entendo, eu só não sei como vou chegar até ele agora. — Eu tenho meios. Não se preocupe. Eu tenho um informante muito próximo a ele, só aguarde as minhas próximas instruções. — Ok. Voltei para o hotel e naquela noite tive vontade de chorar, pela primeira vez em anos. Chorar não era comum para mim, eu não demostrava fraqueza. Não chorei um minuto sequer, depois que cheguei à mansão do meu tio, em Roma. (Lembranças do passado) O homem me deitou no banco de trás do carro. Me acomodei e abracei minhas pernas. Meu coração batia acelerado e eu só conseguia sentir o cheiro de sangue. Minha garganta estava tapada e eu m*l conseguia respirar. Comecei a gritar sem parar. — Vamos, querida. Você precisa se acalmar. – A voz masculina ecoava de longe. Voltei a gritar, segurando meus joelhos. Eu queria morrer, mas eu não morria. Eu não entendia porque eu não morria. Como eu posso não morrer, sentindo uma dor tão grande? Por favor, meu Deus. Por favor! Eu quero morrer! Eu preciso morrer! Implorava, mas nada acontecia. Nem a dor do meu peito ia embora. Como podia doer tanto? — Encosta aqui. – O homem falou. O carro parou e eu encontrei forças para me jogar para fora. Corri em direção a estrada. — Giorgia. – O homem sabia o meu nome. – Espere, filha. Tropecei em uma pedra e cai no chão. Meu tornozelo queimou de dor e não consegui levantar. Me ajoelhei e gritei o mais alto que pude e bati as mãos na cabeça várias vezes. — Giorgia, querida. – O homem se ajoelhou na minha frente e segurou minhas mãos. – Eu pude ver seu rosto pela primeira vez. – Ei, você precisa se acalmar, ok? Você precisa se acalmar. – O homem segurou me rosto e deitou em seu peito. – Eu sou seu tio, querida. Eu sou irmão do seu pai. Você pode chorar, meu amor. Você pode chorar. Gritei e chorei, abraçando aquele homem que não conhecia. Não consegui controlar minhas lágrimas daquela vez, mas prometi para mim mesmo que não choraria mais.
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