O relógio na parede do refeitório marcava vinte e três horas. Faltava muito pouco para o fim do nosso turno. A concha de metal tremia levemente entre os meus dedos cada vez que eu a mergulhava na panela de ferro. Beatrice entregava os pães ao meu lado. Ela evitava olhar para a porta dos fundos. Caterina mantinha a cabeça baixa, focada em encher os copos de água. O ambiente estava lotado, mas o barulho das conversas não abafava o som do meu próprio sangue pulsando nos ouvidos. Carmine vigiava a entrada principal. Salvatore estava posicionado a poucos metros do nosso balcão, a postura rígida, as mãos cruzadas sobre o paletó escuro. Pela porta entreaberta da cozinha, eu podia ver as silhuetas dos dois soldados extras bloqueando o acesso ao beco. A emboscada estava armada e eu não tinha con

