Afastamento Não é uma Opção.

1336 Words
MATEU Algo estava errado. Não sou do tipo que ignora padrões. Eu observo, analiso e sei quando algo muda. E Jasmine mudou. Nos últimos dias, ela estava mais quieta, evitava os olhares diretos e, principalmente, evitava a mim. Se fosse outra mulher, eu ignoraria. Mas Jasmine não era "outra mulher". Ela estava me afetando de um jeito que eu não queria admitir. E isso me irritava. ... Escritório - 18h40 Eu a observei do meu escritório enquanto ela recolhia alguns papéis da mesa de reuniões. Os cabelos caíam sobre o rosto enquanto ela se inclinava, e os dedos finos ajeitavam cada folha com precisão. Mas havia tensão nos ombros dela. Ela estava desconfortável. Comigo. Meu maxilar endureceu. Afastamento não era uma opção. Levantei-me, ajustei a gravata e caminhei até onde ela estava. Ela notou minha aproximação e, como eu esperava, tentou se afastar. — Senhor Mateu. A voz dela estava mais formal do que o normal. Isso me irritou ainda mais. — Está evitando olhar para mim, Jasmine? Ela hesitou, mordendo o lábio. — Não sei do que está falando. Cruzei os braços, analisando-a. — Então olhe para mim e diga isso de novo. Ela engoliu em seco e ergueu os olhos. E ali estava. O nervosismo. O desejo. A confusão. Ela queria fugir, mas seu corpo me dizia outra coisa. — Você tem trabalhado até mais tarde ultimamente. Falei casualmente, inclinando-me um pouco, como se estudasse sua reação. — Tenho muita coisa para resolver. Ela desviou o olhar. Mentira. Ela estava fugindo. E eu não ia aceitar isso. — Tem certeza de que é só trabalho? Minha voz saiu baixa, quase um sussurro. Ela apertou os papéis entre os dedos. — Sim, senhor. Soltei uma risada baixa e balancei a cabeça. Ela era péssima mentindo. E isso só me deixava ainda mais interessado. Abaixei-me levemente, deixando minha boca próxima ao ouvido dela. — Se quiser que eu pare, Jasmine… é só dizer. Ela estremeceu. Mas não disse nada. Eu sorri. O jogo estava longe de acabar. --- LORENZO Eu sabia que Mateu estava diferente. Já vi meu amigo se divertir com muitas mulheres, mas nunca vi ele agir assim. Jasmine o afetava de um jeito que nem ele queria admitir. E isso? Isso era um problema. Porque Mateu e eu tínhamos um pacto. Sempre tivemos. Mulheres eram diversão. Sexo, prazer, nada mais. Mas com Jasmine… Bom, eu estava começando a perceber que esse jogo estava saindo do controle. ... Escritório - 20h15 Entrei na sala de reuniões sem bater. Mateu estava no celular, mas sua expressão carrancuda deixou claro que ele não gostou da interrupção. Pena. Joguei-me na cadeira, observando-o enquanto ele encerrava a ligação. — Você está jogando sério? Perguntei, direto ao ponto. Mateu ergueu os olhos, impassível. — Do que você está falando? Bufei, balançando a cabeça. — Não se faça de i****a. Você sabe exatamente do que eu estou falando. Ele continuou me encarando. Fingindo que não entendia. Mas eu vi. Vi o jeito que ele olha para Jasmine. Vi como ele se irritou quando ela começou a evitá-lo. Isso não era só um jogo para ele. — Você já escolheu sua vencedora? Provoquei, jogando os pés sobre a mesa. Mateu apertou a mandíbula. Ah, então eu acertei o ponto. — Se está preocupado em perder, Lorenzo, pode desistir agora. Ri. — Eu não perco. — Nem eu. Nós nos encaramos por um momento. O ar carregado de tensão. A verdade era que, até agora, eu nunca tive que competir de verdade com Mateu por uma mulher. Sempre compartilhamos, sempre seguimos em frente. Mas Jasmine… Ela não seria só mais uma. E, pela primeira vez, eu me perguntei: será que esse jogo ainda tinha volta. .... JASMINE Me joguei no sofá exausta, no meu pequeno apartamento. A semana foi um caos. Entre contratos, reuniões e o jogo psicológico dos meus chefes, meu corpo e minha mente estavam em guerra. Fechei os olhos, tentando me desligar de tudo. Mas era impossível. Eles estavam me consumindo. Mateu e Lorenzo. O olhar intenso de um. O sorriso provocativo do outro. E eu? Eu estava no meio desse furacão, sentindo algo perigoso crescer dentro de mim. ... A noite estava silenciosa. Só o barulho do ventilador preenchia meu apartamento pequeno, enquanto eu me afundava nos lençóis, abraçando um travesseiro. Mas minha mente estava longe. Muito longe. Nos dois. Eu tentei ignorar, tentei me distrair com um filme, com redes sociais, até com trabalho. Mas cada vez que fechava os olhos, eles estavam lá. Mateu. Lorenzo. E o jeito que me olhavam. O jeito que me tocavam, ainda que discretamente, sempre testando meus limites. Eu sentia. E, por mais que tentasse me convencer do contrário, eu queria. O corpo reagia antes da mente. Meus dedos escorregaram pela pele quente da minha barriga, subindo devagar. O ventilador estava ligado, mas meu corpo estava quente, queimando com imagens que não deviam estar na minha cabeça. Primeiro, Lorenzo. O sorriso malicioso, o jeito fácil com que me desarmava, sempre me fazendo rir antes de me provocar. Sempre me olhando como se já me tivesse. Depois, Mateu. O oposto. Frio, calculista, mas tão intenso. Ele não sorria como Lorenzo. Ele observava. Eu imaginei suas mãos em mim. Um de cada lado. Eu entre eles. Meus dedos desceram por instinto, os quadris se movendo levemente. A respiração acelerou. O calor se espalhou pelo meu corpo, e o prazer veio rápido. Forte. Tão forte que me deixou zonza, arqueando as costas na cama, apertando os lençóis. Mas, assim que o êxtase passou, veio o arrependimento. O eco de uma voz familiar na minha cabeça: "Amiga... é sério. Qualquer um, menos ele." A culpa bateu como um soco. Merda. Fechei os olhos, apertando as coxas uma contra a outra, como se pudesse apagar o que tinha acabado de fazer. Mas a verdade era uma só: Eu queria os dois. E isso me destruía por dentro. ... LORENZO O relógio marcava quase dez da noite quando joguei a chave do carro sobre a mesa do escritório. Mateu nem levantou os olhos dos contratos. Sempre tão certinho. — Vamos sair. Declarei. Ele bufou, sem olhar para mim. — Sem paciência pra festas hoje. — Mentira. Peguei o uísque dele e bebi direto do copo. — Você está sem paciência porque não pode ter ela. O nome de Jasmine ficou no ar, mas eu sabia que Mateu entendeu. Vi o músculo do maxilar dele se contrair. Isso me divertiu. — Vamos. Continuei, pegando minha jaqueta. — Vamos beber, pegar umas mulheres, descarregar essa energia acumulada. Ele ficou quieto. Mas, no fundo, eu já sabia que ele viria. Mateu nunca recusava uma competição. .... Dentro do carro - 22h30 O ronco do motor preencheu o silêncio enquanto dirigíamos até a boate privada. Mateu encarava a estrada, e eu o observava de canto de olho. Ele estava irritado. E eu sabia o motivo. — Tá se incomodando com alguma coisa? Provoquei. Ele respirou fundo, os dedos apertando o volante. — Cala a boca, Lorenzo. Ri baixo. Eu ia me divertir essa noite. ... Na Boate - 23h45 O álcool estava forte. A música vibrava nas paredes. O cheiro de perfume feminino, cigarro e desejo pairava no ar. Mulheres se jogavam sobre nós. Era sempre assim. Fácil. Mas Mateu não estava entrando no jogo. E isso? Isso estava me irritando. Peguei uma morena pelo queixo, a pele quente sob meus dedos. — Ela não parece com a Jasmine? Olha só pra ela. Soltei, casualmente, olhando para Mateu. O olhar dele endureceu. Ele sentiu isso. Bebi mais um gole do meu uísque, um sorriso se formando. — Eu m*l vejo a hora de tomar aquela boca. Mateu bateu o copo sobre a mesa, os olhos escuros fixos nos meus, levantou e se afastou com a mandila tensa. Ele não queria outra, ele queria ela. E isso me deixa insano, pois eu queria a mesma coisa. Senti o sangue correr rápido pelo corpo. Agora sim. Agora o jogo ia começar de verdade.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD