MATEU
A p***a daquela noite inteira me deixou inquieto.
Lorenzo sempre jogou sujo, sempre soube cutucar exatamente onde incomodava. Mas dessa vez, não era só um jogo.
Dessa vez, era Jasmine.
E ele estava a todo custo me tirar do foco.
E eu não ia esperar Lorenzo tomar a frente.
...
Escritório - 08h30
A primeira coisa que fiz ao chegar foi procurá-la.
Ela estava na mesa, organizando pastas, os cabelos soltos caindo sobre os ombros. Mas o que mais me irritou?
Ela estava fingindo que eu não existia.
Passei direto pela recepção e entrei na minha sala, deixando a porta entreaberta. O suficiente para chamar sua atenção.
Esperei.
Sabia que, cedo ou tarde, ela teria que entrar.
E quando entrou…
Era minha chance.
...
Jasmine entrou segurando alguns documentos, sem olhar diretamente para mim.
— Senhor Mateu, aqui estão os relatórios que o senhor pediu.
Levantei o olhar lentamente.
— Tranque a porta.
Ela paralisou.
— O quê?
Cruzei os braços, me encostando na mesa.
— Eu disse para trancar a porta.
Hesitação. Medo.
Excitação.
Vi o tremor leve nas mãos dela, os olhos castanhos oscilando entre mim e a porta.
Até que, finalmente, ela girou a chave.
O clique ecoou pelo ambiente.
Meu sorriso cresceu.
— Agora, venha aqui.
Ela andou devagar, segurando os papéis com mais força do que o necessário.
Quando parou à minha frente, os olhos fixos nos meus, soube que ela estava prestes a ceder.
Mas antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, ela falou:
— Eu não posso.
Minha mandíbula travou.
— Não pode o quê?
Ela desviou o olhar, os lábios pressionados.
Eu já sabia a resposta.
— Luana.
Completei, seco.
Ela assentiu.
Droga, tinha que ser!
Aquilo me irritou. Me deixou puto.
Ela me queria. Eu via isso, sentia isso. Mas estava se segurando por outra pessoa.
Me aproximei um pouco mais, baixando a voz.
— E desde quando você toma decisões baseadas no que outra pessoa quer?
Ela mordeu o lábio, o olhar oscilando entre a porta e meu peito.
— Não é certo…
Peguei os papéis de suas mãos e os joguei na mesa, sem desviar o olhar.
Achando ela entre a parede e meu corpo, sua respiração travou, aquele olhar tão atrevido, tão potente. Merda!
toquei sua pele a mantendo presa, seu corpo se moldando ao meu.
— O que não é certo é você se convencer de que não quer isso.
Ela respirou fundo, o peito subindo e descendo.
Ela estava perto de desmoronar.
Mas antes que pudesse quebrá-la por completo, um som do lado de fora interrompeu tudo.
— Jasmine?
A voz de Lorenzo.
A maçaneta girou, mas a porta não abriu.
Jasmine se afastou rápido, como se tivesse sido pega no flagra.
O maxilar de Mateu ficou tenso.
— Por que a porta está trancada?
A voz de Lorenzo veio do outro lado.
Jasmine engoliu em seco, passou por mim apressada e destrancou a porta.
Assim que abriu, Lorenzo ergueu uma sobrancelha, analisando a situação.
Ele sabia.
Sorriu para mim, como quem acabava de ganhar um novo desafio.
E eu soube ali.
A disputa não era mais um jogo.
Agora, era guerra.
...
LORENZO
Eu não sou burro.
Quando cheguei e encontrei a porta trancada, com Jasmine abrindo apressada e o rosto corado, soube que tinha alguma coisa errada.
E pelo jeito que Mateu me olhou?
Ele também sabia que eu sabia.
Isso só deixava tudo mais interessante.
....
Escritório - 09h55
Jasmine saiu rápido, quase tropeçando nos próprios pés.
Levantei a sobrancelha, deixando meu olhar deslizar até Mateu, que estava encostado na mesa, a expressão irritantemente neutra.
Fechei a porta atrás de mim.
— Não me diga que já está jogando sozinho.
Ele suspirou, pegando um copo de uísque, como se precisasse de um pouco mais de paciência para lidar comigo.
— Você está paranoico.
Ri baixo, aproximando-me dele.
— Sou eu ou você que estava trancado aqui dentro com ela?
Mateu não respondeu.
Peguei o copo da mão dele e bebi o uísque sem pedir.
Se tinha alguma dúvida de que esse jogo ia ser difícil, agora eu tinha certeza.
E eu adorava um desafio.
...
JASMINE
Meu coração martelava no peito.
Eu precisava de ar.
Fui direto para o banheiro, trancando a porta e me encostando na pia.
Passei as mãos pelo rosto, tentando esfriar a cabeça.
Mas minha mente girava.
Eu sabia! Sabia que não era coisa da minha cabeça!
Os olhares.
As provocações.
O jeito como eles estavam me testando.
E agora Mateu…
Fechei os olhos, engolindo em seco.
O jeito que ele falou. O jeito que me olhou.
Como se eu já fosse dele.
Mas não sou. Não posso ser.
Pensei em Luana. Na voz dela ecoando na minha cabeça.
"Amiga... é sério. Qualquer um, menos ele."
Eu não ia ser brinquedo de ninguém.
Eu precisava me blindar.
...
Passei o resto do dia evitando contato visual com os dois.
Mas Lorenzo não ia facilitar.
Ele apareceu ao meu lado quando eu estava revisando alguns contratos, encostando-se na minha mesa com aquele sorriso irritante.
— Você está fugindo de mim, bonequinha?
Respirei fundo, mantendo a postura firme.
— Não senhor.
Ele umedeceu os lábios carnudos e soltou um som com a garganta, tão grave que me fez desviar o olhar.
— Hum... posso ver o que está fazendo?
Seu rosto se inclinou me causando arrepios, tentei manter a naturalidade mais estava ficando sem fôlego.
Seu cheiro tomou todo o lugar, fechei meus olhos rapidamente resistindo.
— Eu sei o que está tentando fazer.
Ele arqueou uma sobrancelha.
— Ah, sabe?
— E não estou interessada nesse jogo.
O sorriso dele vacilou.
Ele não esperava isso.
— Eu não sou um brinquedo.
Lorenzo passou a língua pelos lábios, como se saboreasse minha resposta.
— Eu não estou brincando com você, Jasmine.
Cruzei os braços.
— Eu preciso desse emprego, senhor Lorenzo. Não tenho ninguém aqui, sou sozinha. Então não… eu não quero isso.
Por um segundo, ele ficou em silêncio.
Então, com um sorriso lento, passou a mão no meu cabelo, afastando um fio solto da minha testa.
— Você fica linda quando me chama de senhor, bonequinha.
A indignação tomou conta de mim.
— Eu não sou um brinquedo!
Tentei passar, mas ele me segurou pelo braço, me puxando tão perto que consegui sentir o calor do corpo dele.
Meu peito subia e descia rápido, tentando controlar a respiração.
— Calma.
Ele murmurou.
— Eu não vou brincar com você. Tudo bem, esse trabalho é importante, ninguém aqui está dizendo que não é.
Mordi o lábio, ainda irritada, mas sentindo as defesas começarem a vacilar.
— O que você acha de um shopping, drinks... mais tarde, fora do ambiente de trabalho?
Balancei a cabeça.
— Eu não bebo.
Ele sorriu, como se isso fosse um desafio.
— Jura? Mas uma vez não mata ninguém.
Nos encaramos por um momento.
Eu sabia que deveria negar.
Mas ele era tão convincente.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele soltou meu braço e recuou.
— Te espero na saída.
E saiu antes que eu pudesse argumentar.
...