— Sou. Aquela única palavra destruiu tudo o que eu acreditava. Tudo. Durante anos eu imaginei aquele momento. Se é que imaginei. Porque, na verdade, eu sempre achei que meu pai estivesse morto, ou que nunca tivesse se importado, ou que simplesmente tivesse desaparecido. Mas ele estava ali, na minha frente, respirando, me olhando. E eu não sabia o que sentir. Raiva, tristeza, alívio, ódio... tudo ao mesmo tempo. — Não. — Balancei a cabeça. — Não. As lágrimas começaram a cair, contra minha vontade. — Você não pode aparecer agora. — Minha voz falhou. — Você não pode aparecer depois de vinte anos e dizer que é meu pai. O homem abaixou a cabeça, como se aceitasse cada palavra. Porque talvez aceitasse mesmo. — Eu sei. — Você sabe? — Minha raiva explodiu. — Você sabe o que foi dormir na r

