O que ninguém vê 📍 Cidade de Deus – Final de tarde Matador O sol já tava tombando no céu, espalhando aquele laranja queimado por cima dos barracos. Eu estava na laje do Relíquia, encostado na mureta, com a Glock na cintura e um cigarro apagado entre os dedos. Não porque queria fumar, mas porque precisava de alguma desculpa pra ficar ali parado, observando o que os outros não veem. Lá embaixo, ela. Raíssa. Sentada na calçada, de moletom largo, chinelo no pé, com a Júlia deitada no colo. O cabelo preso num coque bagunçado, o rosto sem maquiagem, e ainda assim… Mais forte do que qualquer rajada de fuzil que eu já dei. Ela ria de algo que a Júlia falou. Não era uma risada escandalosa, dessas que todo mundo escuta. Era riso baixo, sincero, um tipo de som que ela guardava só pros ínt

