Capítulo 31

470 Words
Meu mundo parou. Completamente. — Você tá mentindo. Foi a única coisa que consegui dizer. Marconi sorriu. — Eu sabia que essa seria sua resposta. Meu coração batia tão forte que parecia querer rasgar meu peito. — Meu pai morreu. — Foi isso que te contaram. Olhei imediatamente para Matador. E foi um erro. Porque ele não respondeu. Não negou. Não fez nada. Meu sangue gelou. — Matador... O silêncio dele foi pior do que qualquer palavra. — Você sabia? Os olhos dele encontraram os meus. Pesados. Cansados. Cheios de coisas que eu não queria enxergar. — Eu sabia. A resposta me atingiu como um tiro. — Seu filho da mãe... Dei um passo para trás. — Você sabia? — Raíssa... — VOCÊ SABIA? Os tiros continuavam acontecendo ao nosso redor. Mas naquele momento eu não ouvia nada. Nada. Só aquela resposta. — Eu queria te proteger. Soltei uma risada amarga. — Todo mundo sempre quer me proteger. Marconi parecia estar se divertindo. Aquilo me deu vontade de matá-lo. — Então fala logo. Virei para ele. — Onde ele está? Marconi inclinou a cabeça. — Você realmente quer saber? — Fala. — Porque quando eu contar... Sua vida nunca mais vai ser a mesma. — FALA! O sorriso dele aumentou. — Seu pai trabalha para mim. O chão desapareceu. Completamente. — Não. — Sim. — Não. — Há anos. Minha respiração falhou. Porque aquilo era impossível. Meu pai era uma lembrança. Uma ausência. Um fantasma. Não um homem vivo. Não um homem trabalhando para Marconi. — Tá mentindo. Mas minha voz já não tinha certeza. Nem um pouco. — Pergunta ao Matador. Meu coração afundou. Porque eu não queria perguntar. Porque eu já sabia a resposta. Mesmo assim virei. Devagar. — É verdade? Matador fechou os olhos. Só por um segundo. Mas foi suficiente. — É. Aquela única palavra destruiu tudo. Tudo. Uma explosão ecoou do outro lado da rua. Mas ninguém se moveu. Ninguém. Porque todos estavam olhando para mim. Esperando minha reação. Esperando eu quebrar. Mas eu não quebrei. Porque uma coisa começou a fazer sentido. A prisão. Marconi. Minha infância. As ameaças. Tudo. — Você não voltou por causa do Matador. Marconi sorriu. — Finalmente. — Você voltou por minha causa. — Sim. Meu sangue ferveu. — Eu sou o alvo. — Sempre foi. O silêncio caiu. Pesado. Mortal. Porque aquela guerra nunca foi pelo morro. Nunca foi pelo poder. Nunca foi pelo tráfico. Era sobre mim. E naquele instante... Eu percebi uma coisa. Se Marconi tinha vindo atrás de mim... Então eu também podia ir atrás dele. Levantei a arma. Diretamente para sua cabeça. O sorriso desapareceu pela primeira vez. — Acabou a brincadeira. Marconi me encarou. Sem medo. Sem hesitação. Então falou. — Atira. Meu dedo apertou o gatilho. E o disparo ecoou pela favela.
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