Capítulo 25

525 Words
Meu coração estava disparado. Olhei a foto de novo. E de novo. E de novo. Mas ela não mudava. Alguém realmente tinha estado na laje da minha casa. Alguém realmente tinha me observado. E esse alguém queria que eu soubesse. — Quando você recebeu isso? — perguntei para Caveira. — Agora. — Quem enviou? — Número desconhecido. Claro. Sempre um número desconhecido. Sempre um jogo. Mas aquela brincadeira tinha acabado. — Reúne os homens. Relíquia levantou da cadeira, sobressaltado. — Raíssa... — Agora — minha voz saiu fria. Perigosa. Porque eu estava cansada. Cansada de correr atrás. Chegou a hora de fazer alguém correr de mim. Menos de vinte minutos depois, o morro inteiro estava em alerta. Homens armados ocupavam becos, lajes, entradas e saídas. Tudo. Se Marconi estava ali, eu ia encontrá-lo. Nem que precisasse virar a favela do avesso. Foi Matador quem segurou meu braço quando eu estava saindo. — Você tá agindo com raiva. — E? — É quando você mais erra. Soltei uma risada sem humor. — Eu não erro. — Todo mundo erra. Olhei bem para ele. — Você errou há oito anos. O silêncio caiu entre nós. Porque nós dois sabíamos do que eu estava falando. Marconi. Matador soltou meu braço lentamente. — Só toma cuidado. Assenti, mas não prometi nada. Duas horas depois, nada. Nenhum sinal, nenhuma pista, nenhuma sombra. Como se Marconi tivesse evaporado. O que só me deixava mais irritada, porque aquilo era exatamente o que ele queria. Até meu celular tocar. Número desconhecido. De novo. Atendi imediatamente. — Fala. — Você me procura como se eu estivesse escondido. Uma risada baixa ecoou do outro lado. Meu sangue gelou. Marconi. — Onde você tá? — Olha para frente. Meu coração disparou. Levantei os olhos e vi. Do outro lado da rua, parado, sem esconder o rosto, sem fugir, sem medo: Marconi. Ele era mais velho do que eu imaginava. Alto, com cabelos grisalhos nas laterais, olhos escuros e um sorriso que me deu arrepios. Parecia que ele já sabia exatamente como aquela história terminaria. — Finalmente — a voz dele saiu pelo telefone enquanto me encarava. — Você não é muito diferente do que me disseram. Minha mão apertou a arma. — E você fala demais. Ele sorriu. — Igual ao Matador. Atravessei a rua sem pensar, sem ouvir os gritos dos homens atrás de mim, sem ouvir Relíquia me chamando. Nada. Só enxergava ele. O homem que tinha destruído tudo, o homem que tinha transformado nossas vidas num inferno. Quando parei a poucos metros dele, Marconi apenas abriu os braços. — Então você é a famosa Raíssa.. — E você é mais feio pessoalmente. Ele gargalhou. Uma gargalhada sincera, como se estivesse se divertindo. Aquilo me irritou ainda mais. — Você matou gente minha. — E vou matar mais. Meu dedo apertou o gatilho. Mas, antes que eu pudesse puxá-lo, Marconi falou uma frase que me fez congelar. — Você sabe por que sua mãe vendia você quando era criança? O mundo parou. Completamente. Porque havia coisas sobre o meu passado que ninguém deveria conhecer. Ninguém. E Marconi acabara de provar que conhecia todas elas.
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