Capítulo 36 — A Menina Que Ninguém Quis Raíssa O cheiro de sangue ainda estava impregnado nas minhas mãos. Mesmo depois de lavá-las várias vezes com água fria. Mesmo depois de esfregá-las com tanta força que a pele ficou vermelha e ardida. Eu continuava sentindo o odor metálico, pesado, como se tivesse gravado nas pores, na carne, nos ossos. Era um cheiro que não saía com água, nem sabão, nem com o tempo. Era o cheiro da vida que se esvai, e da culpa que permanece. Estava sentada no chão frio do corredor, do lado de fora do quarto onde Relíquia lutava para se manter viva. As costas encostadas na parede, os joelhos dobrados contra o peito, e os olhos fixos no piso sujo, como se ali houvesse alguma resposta, ou alguma saída. Mas não havia nada. Apenas silêncio interrompido de vez em quan

